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Crimes de guerra foram cometidos em Tigray

As autoridades etíopes e eritreias poderão ter cometido crimes de guerra e contra a Humanidade em Tigray, alertou, quinta-feira (13), a Human Rights Watch, que fala em limpeza étnica, massacres em larga escala e violência sexual generalizada.

14/01/2022  Última atualização 06H05
Guerra provocou destruturação da situação humanitária © Fotografia por: DR
No seu 32º relatório anual, em que descreve as preocupações com os direitos humanos em 100 Estados, praticamente todos os países onde trabalha, a HRW inclui 24 países da África subsahariana e em quase todos conta que a situação dos direitos humanos se manteve preocupante ou piorou no último ano.

A guerra na região etíope de Tigray, que começou em Novembro de 2020 e já merecia destaque no último relatório, no ano passado, provocou "nova deterioração” da situação humanitária e dos direitos humanos na Etiópia, avisa a organização. Em Tigray, sublinha-se no relatório, "as forças governamentais etíopes cometeram limpeza étnica, massacres em larga escala, violência sexual generalizada, bombardeamentos indiscriminados, pilhagens e ataques a escolas e hospitais”.  Até meados de 2021, estes abusos terão deixado 350 mil pessoas à beira da fome extrema e o cerco imposto pelas forças governamentais após sair do território em Junho impediu virtualmente qualquer assistência humanitária de chegar à região, violando a lei internacional humanitária e possivelmente cometendo o crime de usar a fome como arma de guerra”, escrevem os autores do relatório.

Além das forças etíopes, também as forças governamentais eritreias cometeram crimes de guerra e possivelmente crimes contra a humanidade e outras violações graves contra civis de Tigray no conflito, alerta a organização.

Segundo o relatório, as forças da Eritreia, que se envolveram no conflito ao lado do Exército federal etíope, executaram massacres em larga escala, execuções sumárias e violência sexual generalizada, incluindo violações em grupo e escravatura sexual.

Foram ainda responsáveis por desaparecimentos forçados de dezenas de refugiados eritreus que viviam em Tigray, tendo repatriado coercivamente centenas deles e destruídos dois campos de refugiados.

As forças eritreias também cometeram pilhagens generalizadas, tendo a maioria dos bens pilhados sido levados para a Eritreia. O conflito em Tigray alastrou às regiões de Amhara e Afar, provocando deslocamentos em larga escala, e as forças de Tigray foram também implicadas em graves violações dos direitos das pessoas de Amhara, acrescenta-se no documento.
Na quinta-feira, o director-geral da OMS, considerou que o bloqueio da ajuda a Tigray faz com que a população viva um verdadeiro "inferno”, único no mundo, e é um "insulto à humanidade”. Segundo Tedros Adhanom Ghebreyesus, citado pela AFP quando falava na conferência de imprensa diária daquela agência da ONU e que nasceu naquela província do Norte da Etiópia,”é inacreditável e inimaginável que no nosso tempo, no século XXI, um Governo negue ao seu próprio povo, há mais de um ano, acesso a alimentos, remédios e tudo mais que necessita para sobreviver”.
    
 

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