Cultura

Crianças de centros de acolhimento mostram talento nas artes plásticas

Armindo Canda

Jornalista

Crianças de vários centros de acolhimento mostraram o talento, na inauguração de uma mostra colectiva de artes plásticas, aberta na quarta-feira, no Elinga Teatro, em Luanda.

07/06/2024  Última atualização 09H05
Um total de vinte e cinco quadros foi exibido numa das salas do espaço Elinga Teatro na baixa da cidade capital do país e fica patente até 28 deste mês © Fotografia por: DR

Intitulada "Olhares Revelados”, a exposição está inserida na IX edição do projecto LiterArte, cujas obras são inspiradas no livro "Os olhos grandes da menina Pequenina”, do escritor Ondjaki.

Os mais novos dos centros Mamã Muxima, com a participação de quatro crianças, igual número da Associação de Solidariedade de Crianças e Adolescentes (ASCA), seis da Fundação Arte e Cultura, e também seis da Escolinha Criar e Crescer tiveram nesta exposição colectiva o auxílio de artistas mais experientes, como Tatiana Ana, Bambi, 3J-ART, Dárcio Barbosa e Laysa Marques.

Com um total de 25 quadros de pintura sobre tela, a exposição fica patente até dia 28 do mês em curso, e visa celebrar o mês dedicado à criança, celebrado a 1 de Junho. A mostra pode ser visitada de segunda a sexta-feira, das 9h00 às 15h00, no Elinga Teatro, na Baixa de Luanda.

Em declarações ao Jornal de Angola, o director artístico do LiterArte, Jardel Selele, explicou que nesta IX edição o processo de criação foi desafiador, porque a maior parte das crianças é inexperiente nestas andanças, não tem qualquer prática sobre as artes plásticas.

"Para muitas dessas crianças, as artes plásticas eram uma novidade, mas tivemos o apoio de cinco artistas com uma maior experiência que incansavelmente deram o melhor de si para a realização desta mostra com cerca de 25 obras”, explicou.

Jardel Selele disse, igualmente, que as crianças precisam de maior dignidade, foi isso que levou a equipa do LiterArte a uni-las para celebrar o seu mês com esta exposição colectiva e mostrar a capacidade que têm de criar e recriar o mundo à sua volta com peças de arte.

O artista frisou que o projecto está firmado, já que tem uma grande abertura, tanto é assim que várias galerias se mostram disponíveis para expor as obras dessas crianças nos seus espaços. Jardel Selele disse que não quer ficar por aqui, tenciona internacionalizar o projecto LiterArte.

A expectativa, contou, é realizar pelo menos duas a três edições a cada ano. Informou que com a realização desta mostra colectiva, soma-se a segunda neste ano. "Tudo está a ser feito para que antes de terminar o ano consigamos organizar uma terceira edição”, ressaltou.

Forte capacidade criativa

Para Aldair Isaías, de 12 anos, pertencente ao Centro Mamã Muxima, pela primeira vez a pintar um quadro, afirmou que o processo de criação foi uma experiência agradável, porque aprendeu muito com as outras crianças.

De acordo com Aldair Isaías, a obra que desenhou intitula-se "A menina aprende a chorar”, um trecho de um dos textos do livro "Os olhos grandes da menina Pequenina”, de Ondjaki.

Já Matilde João frisou que não é a primeira vez que desenha, e como proposta para participar da exposição colectiva trouxe um quadro designado "Uma mistura de sentimentos”, de forma a mostrar os diversos sentimentos que as pessoas carregam.

"Quando comecei a pintar o quadro, a princípio não tinha ideia nenhuma para representar os sentimentos que a menina Pequenina sentia. Por isso, decidi pintar a mostra com várias cores para retratar vários sentimentos que vão na alma da menina Pequenina”, explicou.

Por seu turno, Basílio Manuel, da Fundação Arte e Cultura, realçou que durante o processo de criação teve uma interacção fantástica com as outras crianças, aprendendo com isso sobre a importância de trabalhar em equipa.

Basílio Manuel ressaltou que desenhou um único quadro, que representa a menina de olhos grandes, por isso resolveu pintar um olho grande para ilustrar melhor a imagem.

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