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Criança de dois anos padece de cancro no olho esquerdo

Alfredo Ferreira / Caxito

Jornalista

Dores que sente, o sangue e os vermes que lhe saem pelos olhos, a pequena Luísa da Silva luta pela vida, na pediatria do Hospital Geral do Bengo. A criança tem apenas dois anos e já sofre de um tipo de cancro no olho esquerdo, conhecido cientificamente como “Retina Blastóna”.

12/04/2022  Última atualização 09H05
Menor acometido por um cancro no olho deve ser evacuada para a África do Sul © Fotografia por: Edições Novembro

"Não sei como surgiu”, disse o pai da criança, que, devido à situação da filha, viu-se obrigado a sair do município de Pango Aluquém, para fixar residência em Caxito. Assustado com o quadro clínico que a menor apresenta, Luís Victor da Silva,  42 anos, vive ainda o trauma pela perda de um dos filhos (um rapaz de quatro anos), poucos anos antes da Luísa nascer.

"Ainda não sei o que pode acontecer”, lamentou, para explicar que a doença que afecta o olho esquerdo de Luísa começou como uma borbulha no centro do olho (retina). "Parecia uma catarata que crescia rapidamente. Foi assim que decidi levá-la para o centro de oncologia, no Hospital Josina Machel, em Luanda”, disse.

Descoberta a doença, o pai conta que Luísa permaneceu sete meses em tratamento naquele hospital, para depois regressar ao Bengo, onde, desde há cerca de mês e meio, recebe assistência médica na maior unidade hospitalar da província. Victor da Silva reconhece que os médicos fazem de tudo para ajudar a menina a recuperar-se.

"Para acalmar as dores, ela recebe a medicação no período da manhã, à tarde e de noite. Só a alimentação é que é pouca. Estou cada vez mais preocupado com a situação da minha filha, porque agora já lhe saem bichos nos olhos. Estou a vir agora do curativo. Estou cansado. Já não sei mais o que fazer”, desabafou.

Segundo o pai, há dias, a governadora provincial do Bengo, Mara Quiosa, visitou a menina e prometeu dar todo o apoio necessário para que seja evacuada para o exterior do país. "Não sabemos de onde veio essa doença, por isso, peço a ajuda de todos”, apelou. 

 

Supervisora em lágrimas

A supervisora em serviço no Hospital Geral do Bengo não resistiu às declarações feitas pelo pai da menina, ao Jornal de Angola. Deolinda da Costa choramingava quando perguntou a Victor se podia chamar um médico. Antes disso, confirmou que, no dia 8 de Abril, a governadora Mara Quiosa esteve no hospital para garantir o seu apoio incondicional à menina Luísa.

O médico pediatra Menezes Cortês explicou que a menina, que vive de analgésicos e transfusão de sangue, apresenta um diagnóstico clínico de "Retina Blastóna” esquerdo, com infiltração do sistema nervoso central.

Explicou que, no que toca à quimioterapia com caboplastina, a criança já foi analisada e, neste caso, está refractária ao tratamento. "Estamos a aguardar que se lhe faça a biópsia, para definirmos outro tipo de tratamento”, disse o médico.

Segundo o especialista, o câncer da retina aparece em crianças menores de dois anos e o problema começa com leucocoria e estrabismo, "sendo que o tratamento deve ser feito por radioterapia, o mesmo que a menina Luísa faz, desde 2021”.


  Evacuação condicionada


Durante a visita à menina Luísa da Silva, que padece de cancro no olho esquerdo, no hospital, o novo administrador do Dande, Afonso Canga, avançou que "tudo está a ser feito para que a criança seja evacuada, o mais rápido possível, para a África do Sul”.

Afonso Canga revelou que o processo só não está concluído até agora, porque os pais da paciente não possuem bilhetes de identidade.

"Ontem (sexta-feira), os progenitores da menina já trataram os documentos e aguardam esta semana pela recepção dos mesmos, para de seguida solicitarem passaportes”, referiu.

Afonso Canga avançou que, enquanto os bilhetes de identidade não saem, o Governo Provincial faz contactos com a Embaixada da África do Sul, com vista à criação de condições para que os pais e a criança doente sejam bem recebidos.

"O Governo vai custear todas as despesas inerentes à estadia dos pais e ao tratamento da criança”, garantiu o administrador municipal do Dande.

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