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Criação de tilápia tem sido a aposta

A prática da criação de peixe em tanques aquáticos, está a ganhar corpo na província, com o surgimento de várias iniciativas individuais que pouco a pouco, vão apostando na aquicultura como alternativa para contrapor a situação da escassez de espécies marinhas que se regista.

22/09/2022  Última atualização 07H25
Joaquim Barros pede que se invista em fábrica de ração © Fotografia por: José Soares | Edições Novembro | Cabinda

A produção de tilápia, para a diversificação da dieta alimentar das famílias e para fins comerciais tem sido a grande aposta.

O chefe do Departamento das Pescas disse que, actualmente, a província dispõe de mais de 60 unidades de produção de peixe de espécie "kilápia”, distribuídas nos quatro municípios (Cabinda, Cacongo, Buco-Zau e Belize).

A equipa de reportagem do Jornal de Angola foi ao encontro de um potencial criador de peixe da província, que demonstra capacidade neste domínio.

 Trata-se de Joaquim Barros, pescador de profissão e que há 16 anos trocou o mar pela aquicultura e que neste momento possui 30 tanques de 30 metros quadrados cada, com uma capacidade de albergar 10 mil peixes em cada aquário.   

A unidade de produção situa-se na localidade de Chimbôlo, 12 quilómetros a Sul da cidade de Cabinda e nela funcionam sete trabalhadores que, entre outras tarefas, se dedicam à limpeza dos tanques e à alimentação dos peixes.

    Joaquim Barros, destacou que o pensamento de praticar a Piscicultura surgiu no princípio dos anos dois mil, quando notou que o mar de Cabinda começou a apresentar indícios de alguma escassez de peixe, então, decidiu abdicar-se da pesca marítima para dedicar-se à Aquicultura.

"O pensamento de trocar a pesca continental por Piscicultura surgiu no princípio do ano dois mil, quando comecei a notar alguma escassez de peixe e daí, abracei actividade de criação, e, hoje, sinto-me muito feliz pela decisão tomada", sublinhou.

Joaquim Barros referiu que no começo da actividade foi muito difícil porque fazia os tanques de forma rudimentar, mas com o passar do tempo ganhou mais experiência, através da agregação de formação de seis meses que beneficiou da Chevron, em parceria com a ONG World Vision Angola.

 Aprendeu as técnicas modernas de prática de Aquicultura, o modo de se fazer os tanques e criação de peixe, a sua actividade começou a evoluir satisfatoriamente.

O criador afirmou que com as técnicas modernas que aprendeu durante a formação, tem contribuído positivamente na melhoria dos níveis de produção, de tal forma que já começa a tirar inúmeros benefícios financeiros pelo trabalho que faz.

A par da formação que beneficiou, Joaquim Barros disse que a sua unidade tem estado a beneficiar também, assessoria técnica quer de peritos nacionais quer estrangeiros com destaque para os especialistas de nacionalidade moçambicana, cubano e nigeriana "que no terreno promovem acções de supervisão fazendo correcções pontuais de alguns aspectos técnicos mal executados”.

Nos tanques de reprodução e de engorda do criador Joaquim Barros, existem duas variedades de peixes com destaque para a espécie "nilótica” e a melhorada, sendo que essa última variedade proveio de uma acção social de apoio às comunidades promovidas  pelo Porto de Cabinda.

Com 67 anos, o apicultor Joaquim Barros, disse que vive da Aquicultura e que vende actualmente, grandes quantidades de peixe e os lucros que angaria " servem muito bem para sustentar a família".

 Segundo informou, o produto é fornecido às unidades hoteleiras e às vendedeiras ambulantes.

Procura por ração

O criador Joaquim Barros destacou que o grande bico-de-obra com que se depara e de certo modo retarda o desenvolvimento da actividade da Aquicultura na província tem a ver com a falta de ração no mercado local para alimentação dos peixes.

Esta situação, segundo Joaquim Barros, inibe a adesão de mais pessoas na prática da actividade de criação de peixe.

Defendeu, no entanto, a necessidade da criação de uma fábrica de produção de ração para debelar a situação que caracterizou de extremamente difícil por encarecer ainda mais os custos da produção na província.  

"Nós os criadores de peixes estamos a enfrentar muitas dificuldades no que se refere à alimentação dos peixes. Não temos, na província, uma única fábrica sequer de ração. Isso tem estado a causar-nos grandes constrangimentos para alimentar os peixes”, disse.

 Joaquim Barros recorre ao mercado informal para adquirir o produto a um preço muito alto.

Para contrapor a situação da falta de ração, o piscicultor, adiantou que o recurso tem sido a base de folhas de batata doce, macoco, mandioqueira e pão, alimentos que não dispõem de proteínas e nutrientes suficientes para nutrir os peixes como exigido.

"O processo de criação e engorda de peixes em cativeiro é muito difícil”, lamentou.

Contudo, reitera que a ração que, eventualmente, aparece no mercado local apesar de ser em poucas quantidades é vendida também a preços exorbitantes. Enquanto não se instala na província uma fábrica de ração, Joaquim Barros está a preparar seis hectares de terra para cultivar milho para fazer ração para sustentar os mais de dez mil peixes que possui nos trinta tanques.

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