Mundo

Crescimento em África será “revisto em baixa”

O director do Departamento Africano do Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou, ontem, que a previsão de crescimento económico para a África subsaariana será "significativamente revisto em baixa", reservando para Abril a actualização concreta das projecções.

31/03/2020  Última atualização 11H21
DR © Fotografia por: Abebe Selassie admite que a economia africana vai atravessar momentos muito difíceis

Em declarações à agência de informação financeira Bloomberg, Abebe Aemro Selassie confirmou que a pandemia do Covid-19 terá um efeito muito significativo nas economias africanas devido à dificuldade de implementar as medidas de isolamento sociais e manter, ainda que parcialmente, a economia a funcionar, o que é agravado com a descida dos preços do petróleo.
Em Janeiro, o FMI já tinha cortado a previsão de crescimento para África, colocando a expansão económica prevista para este ano nos 3,5 por cento, mas desde então baixou a previsão de crescimento da Nigéria, a maior economia da Região, de 2,5% para 2%, e a África do Sul deverão registar crescimento negativo, segundo as previsões do próprio banco central da mais industrializada nação da África Subsaariana, o que influencia a perspectiva geral, já que estes dos países representam metade do PIB da região.
Selassie defendeu que os governos, incluindo a China, devem responder aos apelos do fundo para suspender os pagamentos de juros da dívida bilateral, e confirmou que o FMI já começou a dar apoio a alguns países, o que lhes permite aumentar a despesa com a saúde.
Questionado sobre o pedido de alguns ministros das Finanças relativamente à suspensão do pagamento de todas as dívidas, incluindo a dívida comercial, contraída, por exemplo, através da emissão de títulos de dívida soberana, Selassie respondeu que olhar individualmente para cada caso "é a melhor abordagem para lidar com o fardo da dívida desses países".
Uma das grandes vantagens da Região, acrescentou, "é que há poucos países a dependerem apenas de Eurobonds ou dos mercados de capitais para as necessidades de financiamento".
O director do Departamento financeiro do FMI, que variadas vezes tem alertado para o alto nível de endividamento na região, disse que os países podem beneficiar com uma taxa de câmbio mais flexível para absorverem melhor o choque externo que está a prejudicar as receitas, exemplificando que a decisão do banco central da Nigéria de permitir uma depreciação foi a resposta certa.

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Mundo