Cultura

Crença sobre ancestralidade retratada em curta-metragem

Roque Silva|

Jornalista

“Tumbansi Twa Nzambi” é o título de um documentário sobre a ancestralidade brasileira, que começou a ser rodado quarta-feira, em Luanda, na presença do ancião e líder da crença brasileira Candomblé Inzu Ilabantu, Tatá Nkissi Katuvanjesi (Waldmir Damaceno).

15/04/2022  Última atualização 08H30
Waldmir Damaceno grava cenas do documentário em Angola © Fotografia por: DR

A curta-metragem vai ser gravada por um período de 14 dias, tempo em que o ancião brasileiro deverá permanecer no país, depois de ter chegado a Luanda na passada terça-feira, em busca de respostas ancestrais em Angola.

O documentário será rodado em algumas localidades do país e vai contar com depoimentos de entidades tradicionais das regiões por onde as cenas serão captadas. Da lista de figuras constam as do Reino Cokwe, em Saurimo, na Lunda-Sul, e membros da autoridade tradicional da Ilha do Mussulo, que lideram as autoridades tradicionais da província de Luanda.

Kindumbo da Cunha, director da plataforma de informações culturais digital Nkakás Ngola (os ancestrais ordenam), que participa na produção do filme, disse que a jornada de Tatá Nkissi Katuvanjesi em Angola termina a 25 deste mês, dia em que deve regressar ao Brasil já com o documentário concluído.

Segundo o também pesquisador de história e antropologia e botânico, o ancião visitou, na quarta-feira,o Museu Nacional da Antropologia, onde manteve contacto com a exposição permanente e a mostra colectiva "Educação Patriótica e Cultural”, esta última produzida pela Kaniaki Cultural e com curadoria do artista Guilherme Kaniaki.

 

Documentário

"Tumbansi Twa Nzambi” trata de questões relacionadas à espiritualidade e ancestralidade, herança africana de Angola que permeia o Brasil, com o repensar do Candomblé, a partir da presença dos africanos na condição de escravizados e à composição social do país em que há uma clara definição dos papéis de homens e mulheres na sociedade brasileira que África, sobretudo Angola, contribuiu na construção e formação.

A produção do documentário visa traçar um panorama sobre as práticas culturais dos Bantu em Angola, que se encontra com a realidade dos afro-bantu brasileiros.

"Em Angola, a tradição teima em sobreviver e os ventos de modernidade não conseguem romper costumes e tradições ancestrais”, lê-se num documento que  este jornal teve acesso,   acrescentando que o documentário serve como uma manifestação cultural que pretende desvendar os mistérios dos ancestrais a fim de desmistificá-los e os seus conhecimentos passados  de geração a geração.

O projecto conta com a co-produção das associações Njinganji Máscaras e Art. (O caminho dos antepassados), Adérito Designer (Marca Identidade) e Cárter KinGh.

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