Sociedade

Covid-19: Pescadores queixam-se de falta de clientes

Pescadores da comuna da Barra do Dande, na província do Bengo, queixam-se da falta de clientes de Luanda, onde se mantém a cerca sanitária provincial, que proíbe as entradas e saídas da capital angolana por ser o epicentro da doença.

04/06/2020  Última atualização 13H00
Alfredo Ferreira| Edições Novembro

A comuna da Barra do Dande tem tradição na pesca artesanal e agricultura, principais meios de subsistência das famílias que aí vivem. A localidade dispõe de um litoral deslumbrante, com cerca de 30 quilómetros de costa marítima, no qual abunda uma grande diversidade de peixes.

Desde Março até ao momento, apenas os munícipes de Caxito e Panguila compram o pescado da Barra do Dande. Ventura António dos Santos, pescador há dez anos, conta que não tem sido fáceis estes dias de confinamento. “Sem clientes não podemos aumentar a captura, porque, nos dias de hoje, não é possível a venda de pescado em grandes quantidades. Estamos num aperto e podemos perder ajudantes”, referiu.

Com efeito, o pescador diz ter neste momento uma das suas chatas paradas, porque ainda tem algum peixe em stock. A solução encontrada tem sido salgar o peixe ou conservá-lo em frigoríficos.
“Meu irmão, nós já facturamos antes, em que cada ida ao mar poderíamos fazer num só dia um milhão de kwanzas. Hoje só conseguimos fazer 150 a 200 mil”, lamentou.

Constantino Dias dos Santos, outro pescador, embora reconheça os embaraços causados pela pandemia, defende que as medidas de prevenção devem ser cumpridas, pois há sempre um aglomerado de pessoas na zona onde se faz a descarga do pescado.
Indicou que, nesta altura, os únicos clientes que vem de Luanda são aqueles com credenciais para circular.

O pescador diz que os serviços de saúde na comuna não têm sensibilizado a população sobre os perigos da doença e o cumprimento das medidas de prevenção, como o uso das máscaras, lavagem constante das mãos com água e sabão e como reagir perante um caso suspeito.

“Tudo o que sabemos sobre a doença é através da televisão. Vamos cumprir com as orientações do governo para não sermos contaminados, porque muitos países com bons serviços de saúde não estavam preparados para enfrentar este vírus”, disse.

Antónia Sebastião André, vendedora de peixe há 20 anos, reconheceu que, apesar dos constrangimentos, a cerca sanitária a Luanda é uma medida acertada. “Abrir as portas de Luanda, nesta altura, não convém. O que nos preocupa mesmo é essa doença invisível. Temos de orar mais e sermos unidos para vencermos”, disse.

Munícipes clamam por energia e água

A falta de água potável e energia elétrica preocupam os moradores da comuna da Barra do Dande. O coordenador do bairro Sete, Ventura dos Santos, revelou que, além disso, não têm um centro de formação profissional, artes e ofícios, o que obriga a maioria dos jovens a exercer actividade pesqueira.

“Precisamos de lojas de material de pesca, bancos comerciais, mais serviços de saúde, escolas e uma bomba de combustível que funcione regularmente”, disse.

O responsável indicou que tem de percorrer até à vila de Caxito e ao Panguila para fazer depósitos, levantamentos de dinheiro e comprar combustível para os barcos.

Ventura dos Santos lamentou o facto de, nos últimos tempos, estarem a surgir novos bairros na região, constituídos por pessoas que violam a cerca sanitária de Luanda. “Estamos atentos e já demos a conhecer às autoridades da comuna, pelo que aguardamos que o assunto seja resolvido. Aqui somos um povo de paz e trabalhador”, disse.

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