Sociedade

Covid-19: Mais de 100 escolas sem condições para o reinício das aulas em Luanda

Edivaldo Cristóvão

Jornalista

Das 785 escolas públicas existentes em Luanda, apenas 678 estão em condições para o retorno às aulas a partir da próxima segunda-feira.

01/10/2020  Última atualização 14H17
Agostinho Narciso| Edições Novembro

De acordo com um estudo apresentado, ontem, pelo director provincial da Educação de Luanda, Narciso Benedito, 107 escolas não têm água potável, nem por via de ligação na rede pública, nem através de reservatórios ou tanques. Estas escolas são consideradas as mais críticas da capital e estão em áreas de difícil acesso.
Narciso Benedito disse que o estudo foi feito pelo Gabinete Provincial da Educação durante 60 dias. Da avaliação feita, 565 escolas têm água disponível em várias formas de distribuição (corrente ou em reservatórios) e 220 estabelecimentos de ensino não têm água. “As escolas sem condições vão arrancar de forma condicionada, devido às condições que apresentam. Para os alunos destas escolas será aplicado o sistema de tele-aulas e rádio”, assegurou.

Narciso Benedito lembrou que as aulas retomam segunda-feira apenas nas classes de exames, nomeadamente, 6ª , 9ª, 12ª e 13ª. Sublinhou que o Gabinete Provincial da Educação vai avaliar o impacto das medidas e em função dos resultados, outras serão tomadas para o arranque das restantes classes.
No dia 19 de Outubro está previsto o reinício das aulas das classes de transição, nomeadamente, 7ª, 8ª e 11ª e no dia 26 deste mês, se não houver uma subida exponencial de casos da Covid-19, retomam os alunos da 1ª, 2ª e 3ª classes.

Formação dos professores

Narciso Benedito sublinhou que o Gabinete Provincial da Educação fez um trabalho de estratégia de regresso às aulas, que consistiu em preparar os professores e outros actores através de um programa de formação, com conteúdos sobre medidas de biossegurança, factores psicossociais de poupança e economia.
“Este processo de formação envolveu 21.354 actores, entre professores, membros de direcção, auxiliares de limpeza e protecção física. Trata-se de uma acção que contou com a colaboração do Gabinete Provincial da Saúde. Outro trabalho realizado foi a preparação das escolas para acolher melhor os alunos”, disse.

Narciso Benedito anunciou que as orientações metodológicas e pedagógicas para o regresso às aulas definem a redução dos programas de ensino, para estarem adequados ao calendário ajustado nesta fase da pandemia. As metodologias orientam que as turmas não terão mais de 30 alunos, para respeitar o distanciamento de um metro e meio.
Acrescentou que o Ministério da Educação tem feito a distribuição de termómetros, dispensadores de álcool em gel, máscaras, luvas, viseiras para os professores, lixívia e sabão para garantir a limpeza das superfícies nas escolas.
Narciso Benedito alertou que os professores devem enquadrar, nos primeiros cinco minutos de aulas, explicações sobre as consequências da Covid-19 e conselhos para evitar a pandemia. “Não haverá paradas nem intervalos, para evitar aglomerações. Cada aula deve durar apenas duas horas e meia”, precisou.

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