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Covid-19: Lubango registou congestionamento em todas as vias de acesso

As principais vias de acesso à cidade do Lubango registaram ontem um engarrafamento pouco comum e pessoas a caminhar longas distâncias a pé. O sentido descendente das ruas 4 de Fevereiro, que dá acesso ao centro da cidade, Guedal e boca da Humpata, constituíram maior preocupação dos automobilistas.

01/05/2020  Última atualização 07H30
Edições Novembro © Fotografia por: A Polícia Nacional colocou barreiras em todas as vias de acesso à cidade do Lubango

Camiões e viaturas ligeiras perfilados, com o movimento quase parado, foi este cenário que fez os funcionários abrangidos no regime especial a chegarem atrasados ao local de trabalho. O funcionário público João António, morador da comuna da Arimba, disse que chegou atrasado ao local de trabalho devido à barreira da Polícia Nacional colocada junto a pedonal do Chioco. Ele reconheceu que a medida foi boa, na medida em que muitos automobilistas circulam sem motivo. 

Maria António, ao volante de uma viatura de marca Toyota Hilux, disse ter vivido momentos difíceis na manhã de ontem, em que o engarrafamento obrigou muitas pessoas caminharem a pé. “O cenário vivido ontem foi caótico. Houve muito congestionamento de viaturas, sobretudo no período da manhã, porque a Polícia Nacional impediu a circulação de viaturas particulares e de empresas não autorizadas a trabalhar, no âmbito do alívio das medidas do Estado de Emergência”, disse.

O alfaiate Joaquim Manuel afirmou que, apesar do alívio de algumas medidas, é preciso ter muito cuidado, já que a Covid-19 é um inimigo invisível. “Continuamos a notar pessoas a circularem sem motivo, o que não é salutar”, lamentou. A partir da comuna da Arimba, a Polícia Nacional montou quatro postos de controlo. As poucas viaturas autorizadas a circular naquela via, pelo menos durante o período da manhã, exibiam documentos comprovativos da entidade patronal, que autoriza a trabalhar neste período de confinamento. As restantes foram obrigadas a regressar à procedência.

Recolha e reciclagem de resíduos

Mais de 100 motorizadas de três rodas foram entregues às administrações municipais da província da Huíla para a recolha e gestão de resíduos sólidos, no âmbito da prevenção da propagação da pandemia da Covid-19. A directora do Gabinete Provincial do Ambiente, Lídia Amaro, disse que as motorizadas adaptadas foram adquiridas pelo Governo Provincial da Huíla com o objectivo de melhorar o saneamento básico e proporcionar melhor qualidade de vida às populações nas sedes municipais e comunais.

O projecto permitiu criar mais de 200 postos de trabalho directos, para pessoas portadoras de deficiência, antigos combatentes e veteranos da pátria e jovens filiados em diversas associações juvenis. “Prevemos criar entre cinco a dez postos de trabalho indirectos em cada motorizada”, perspectivou, acrescentando que com este projecto se vai fazer um melhor aproveitamento do lixo, evitando o desperdício de resíduos sólidos em aterros sanitários e a poluição dos rios e solos.

O projecto, referiu, assenta em três pilares, ou seja, na recolha, tratamento e transformação dos resíduos sólidos. “Quem recolhe é uma pessoa e quem vai transformar é outra. Com isso, gera-se emprego e uma relação de sustentabilidade”, disse. A directora do Gabinete Provincial do Ambiente explicou que o Governo da Huíla fez a entrega das motorizadas e vai garantir a sustentabilidade e durabilidade do projecto.

“Estamos a dar continuidade ao trabalho iniciado na cidade do Lubango. Depois da experiência positiva, estamos é a expandir a acção a todos os municípios da província”, referiu. Lídia Amaro reconheceu que, para muitos municípios, o reaproveitamento dos resíduos sólidos é ainda uma novidade. Garantiu que a população vai ser sensibilizada no sentido de colaborar na melhoria da qualidade de vida dos municípios.

O lixo, salientou, é um dos principais vectores de doenças, por isso, acrescentou que a recolha, tratamento e reciclagem dos resíduos sólidos vai contribuir na diminuição das patologias nas comunidades. “Temos estado a formar alguns jovens a nível da produção do sabão. A partir do óleo usado, nós temos estado a fabricar o sabão artesanal”, disse, acrescentando que na cidade do Lubango, a partir de garrafas e sacos plásticos, estão a produzir material de limpeza, como vassoura, pá e outros produtos. Lídia Amaro informou que está em curso a criação de um centro para dinamizar as acções que visam a substituição do saco plástico por biodegradáveis.

Experiência do Lubango

O município do Lubango beneficiou de 64 motorizadas. O administrador municipal, Armando Vieira, explicou que os meios serão distribuídos em todos os bairros da capital huilana, com o objectivo de reforçar a capacidade já existente.
“Introduzimos novos prestadores de serviços, dentre antigos combatentes, deficientes físicos e jovens associados. Esta franja da sociedade vai encontrar no projecto o seu auto-emprego”, disse. Armando Vieira defendeu responsabilidade na gestão e manuseio dos equipamentos entregues.

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