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Covid-19: Autoridades solicitam meios para evitar violação da fronteira

O governador da Lunda-Sul apontou o insuficiente efectivo da Polícia Nacional e a falta de meios de patrulhamento (embarcações, moto de quatro rodas, viaturas 4x4 e outros) como principais factores que contribuem para a imigração ilegal e ineficácia do controlo da fronteira do Chiluaje, único ponto fronteiriço da região com a República Democrática do Congo (RDC).

18/04/2020  Última atualização 08H12
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Daniel Neto prestou a informação, quinta-feira, na cidade de Saurimo, ao ministro do Interior, Eugénio Laborinho, que nas vestes de representante da Comissão Interministerial de Resposta à Covid-19, visitou algumas unidades hospitalares e inteirou-se das condições que estão a ser preparadas pelas autoridades da província, com vista a evitar o alastramento da pandemia.
Do governador da Lunda-Sul, Eugénio Laborinho foi informado que a província não tinha, até quinta-feira, o registo de casos positivos da Covid-19 e nenhum cidadão cumpre quarentena institucional. Entretanto, por força do recente levantamento parcial de três dias da cerca sanitária provincial, mais de 500 indivíduos cumprem quarentena domiciliar.
O Centro Médico do Mulombe, Maternidade Provincial, Hospital Geral, Aldeamento Turístico Princesinha e o IU Hotel são as unidades inspeccionadas pelo ministro do Interior e colocadas em estado de prontidão no combate à pandemia. Nessas unidades sanitárias, algumas ainda por inaugurar, foram instalados cerca de 20 ventiladores e igual número de monitores, bombas e seringas perfusoras e demais equipamentos necessários para combater a pandemia, enquanto no aldeamento e hotel, mais de cem quartos estão disponíveis para quarentena institucional.
Outra grande preocupação manifestada pelo governador à delegação do ministro do Interior tem a ver com o facto dos hospitais dos municípios de Dala, Muconda e Cacolo não disporem, até a data, de ventiladores e respectivos monitores.
A verba de 90 milhões de kwanzas atribuída à província, pelo Ministério das Finanças, para execução de acções contra a Covid-19 na região foram usados, segundo o governador, na compra de medicamentos, materiais de biossegurança, alimentação, combustíveis e lubrificantes e outros materiais indispensáveis para a contenção do vírus.
Entre as muitas ajudas provenientes de várias entidades, o governador destacou a do Ministério da Saúde, que colocou dois médicos locais em formação na Clínica Multiperfil, da Sociedade Mineira de Catoca em meios hospitalares, medicamentos, alimentos e materiais de biossegurança, bem como do Ministério da Acção Social, que ofereceu quatro toneladas em bens de primeira necessidade para as famílias vulneráveis.
Daniel Neto mencionou, também, no leque de necessidades, a urgência na reparação da Estrada Nacional 230 (que liga Luanda à Lunda-Norte), para permitir a recepção de meios sanitários, alimentos, combustíveis, lubrificantes e demais meios, que podem contribuir no combate contra a pandemia.

Centenas de cidadãos da RDC violam fronteira na Lunda-Norte

Ainda na qualidade de representante da Comissão Intersectorial de Resposta à Pandemia da Covid-19, o ministro do Interior visitou, na quinta-feira, a província da Lunda-Norte, onde os esforços empreendidos pelas autoridades locais contra o coronavírus podem ser gorados, caso não seja empreendido um combate cerrado contra a imigração ilegal.
O primeiro local visitado pelo ministro foi o posto fronteiriço e aduaneiro de Chissanda (a 7 quilómetros do Dundo), onde o comandante do mesmo, superintendente Lourenço Deia, afirmou que nas últimas 48 horas mais de 207cidadãos da República Democrática do Congo (RDC), entre os quais 158 homens e 27 crianças violaram a fronteira.
Lourenço Deia informou que, desde o encerramento oficial do posto aduaneiro de Chissanda, para evitar o alastramento da Covid-19, continua a registar-se a entrada massiva e ilegal de cidadãos congoleses no território nacional, através de pontos não oficiais, ao longo dos 700 quilómetros de fronteira terrestre comum com o país vizinho.
“O chamariz dos emigrantes zairenses continua a ser o garimpo ilegal na região”, referiu o comandante da Polícia de Guarda Fronteira, salientando que todas as bolsas de garimpo na região foram desactivadas durante a “Operação Transparência”.
No curto encontro com os efectivos da Polícia Nacional no referido posto, Eugénio Laborinho pediu mais vigilância e responsabilidade, como forma de manter inviolável o território nacional.
A Lunda-Norte faz fronteira com quatro províncias da RDC, nomeadamente o Kassai-Central, Kassai, Cuango e Lualabo, com um total de 30 milhões de habitantes.
Na Lunda-Norte, Eugénio Laborinho, na companhia do secretário de Estado para Área Hospitalar, Leonardo Europeu, e o governador Ernesto Muangala, visitou o Hospital Geral “David Bernardino”, o depósito de medicamentos, centro de diagnósticos e uma unidade hoteleira, que vai albergar os médicos cubanos.
A província conta com 12 ventiladores instalados no Hospital Geral, na Nova Centralidade do Dundo, enquanto 80 camas montadas em duas unidades hoteleiras no Dundo estão preparadas para receber cidadãos para a quarentena institucional.

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