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Covid-19: Atrasos na entrega dos resultados deixa moradores agastados

Os moradores da rua dos Índios, na cidade de Ndalatando, província do Cuanza-Norte, sob cerca sanitária há 17 dias, devido ao registo de um caso positivo da pandemia da Covid-19 na zona, reclamam do longo tempo de confinamento, bem como dos resultados dos testes efectuados há sensivelmente 15 dias.

04/07/2020  Última atualização 17H37
Estanislau Costa | Edições Novembro | Lubango

Os residentes desconhecem as razões da demora dos resultados das amostras recolhidas. “Estamos a passar por dias difíceis nessa cerca, porque falta alimentação e estamos privados de exercer as nossas actividades normais”, afirma o professor Irineu João.
Proibidos de sair, Irineu e vizinhos ocupam a maior parte do tempo a jogar futebol. A fonte do Jornal de Angola explica que devido à condição de privação em que se encontram, vários grupos reúnem-se em conversas sobre os mais diversos temas da actualidade nacional e internacional.

Irineu João sublinha que não há registo de casos graves de saúde na zona, mas realça a necessidade de algumas pessoas fazerem consultas de rotinas. Informou que, ontem, o Governo Provincial do Cuanza-Norte distribuiu algumas quantidades de produtos da cesta básica, como arroz, massa alimentar, óleo vegetal, sal, feijão e açúcar, para minimizar o sofrimento dos moradores.
Entretanto, uma fonte do Departamento Provincial de Saúde Pública revela que a demora deve-se à elevada quantidade de testes em processamento na capital do país.

No geral, Cuanza-Norte tem até ao momento, em laboratório, mais de duas mil amostras em processamento, das quais 340 foram recolhidas da rua dos Índios, tendo sido já determinados um caso positivo e 17 negativos.
A província conta actualmente com dez casos positivos da Covid-19, sendo nove activos e um óbito. Na sequência dos casos positivos, foram criadas cercas sanitárias na rua dos Índios, e partes dos bairros Sambizanga e Posse, onde foram recolhidas mil e 841 amostras, mantidas mil e 600 famílias em quarentena domiciliar, e transferidas outras 61 pessoas para a quarentena institucional.

Na rua dos Índios estão confinadas 85 famílias, integradas por mais de 500 pessoas, que além da morosidade na entrega dos resultados queixam-se da falta de informação sobre a situação epidemiológica actual da zona, solicitando, por isso, o levantamento da cerca sanitária.
Ontem, um grupo de moradores da referida rua fez a entrega formal da reclamação à directora do Gabinete Provincial da Saúde, Filomena Wilson, que já avançou à imprensa que o levantamento da referida cerca sanitária depende apenas dos resultados das amostras recolhidas.

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