Perde-se na poeira do tempo a época gloriosa da cotonicultura angolana (cultivo de algodão). Os investimentos públicos feitos no sentido de revitalizar o sector “encalharam” no Sumbe, município sede da província do Cuanza-Sul, onde o Estado despendeu, em 2011, dezenas de milhões de dólares num projecto piloto, na expectativa de incluir o também chamado “ouro branco” na grelha de produtos geradores de divisas.
O Mercado da Mabunda, localizado no distrito urbano da Samba, é um dos maiores fornecedores de peixe fresco, senão mesmo o maior da capital do país. É o destino preferido de centenas de citadinos. Isso apesar de constrangimentos tais como a falta de higiene e a presença constante de larápios que, volta e meia, podem deixar o visitante aos prantos. Há ainda o desrespeito total às regras de distanciamento físico em tempo de Covid
Centenas de cidadãos que tentavam, ontem, regressar às províncias onde residem não conseguiram embarcar, devido à especulação de preços dos bilhetes de passagem, situação que foi constatada em várias paragens de transportes inter-provinciais, em Luanda.
As pessoas pretendiam aproveitar os dois dias (ontem e hoje) concedidos para a circulação inter-provincial, à luz da prorrogação do Estado de Emergência. A equipa de reportagem do Jornal de Angola percorreu algumas paragens de Viana e zonas adjacentes e constatou que algumas bases estavam fechadas e outras trabalhavam de forma desordenada.
Na Agência de Viagem AFC Cris, o supervisor da base de transportes, António Congo, revelou que a empresa faz, normalmente, viagens para as províncias de Malanje, Huambo e Bié, cobrando, agora, 6.500 kwanzas. Antes, o preço variava entre os 3.500 e os 4.000. O supervisor explicou que se regista uma diminuição de passageiros, devido às medidas de prevenção contra a Covid-19. Por isso, “houve necessidade de alterar os preços, para compensar os custos”.
Explica que, numa viagem até Malanje, por exemplo, o autocarro é abastecido de combustível com cerca de 50 mil kwanzas, só par a ida. “Se o carro levar metade dos passageiros, não há lucros”. Acrescentou que, em média, o autocarro tem capacidade para 33 passageiros, mas, nesta altura, devido ao Estado de Emergência, só pode levar 13. Cobrando 4.000 Kwanzas, daria 52 mil, valor que já ultrapassa os custos com combustível e outros durante a viagem.
António Congo referiu que, para estes dois dias, a agência está dar prioridade aos passageiros que compraram os bilhetes de passagem antes de ser decretado o Estado de Emergência. Estão nesta condição 200 passageiros. Ontem, até ao final da reportagem, tinham sido transportadas 70 pessoas.
A empresa AFC Cris tem disponível por dia 13 autocarros, sendo o início das viagens às duas horas da manhã e término às 22horas. Os serviços são programados em função da procura dos passageiros. “Os passageiros com bilhetes pagos têm prioridade, mas, se não comparecerem, é transportado quem paga na hora. Achamos que dois dias são poucos para a livre circulação, atendendo à procura”, considerou.
Sonhos desfeitos
Domingas Gama, viajante, pretendia regressar a Malanje com os cinco filhos, depois de ter visitado os pais em Luanda, onde permanece desde o dia 2 de Março. Mas não conseguiu voltar antes, por causa do Estado de Emergência.
Na tentativa de aproveitar o período de livre circulação, a mulher acabou surpreendida com a alteração dos preços. Tinha de pagar 7.500 Kwanzas para cada uma das seis pessoas, o que totalizava 45.000 Kwanzas.
“Já não aguento mais essa situação, porque está a criar muitos transtornos à minha vida, principalmente, na relação com o meu marido, que está a passar o período de isolamento sozinho. Desta forma, terei de reunir mais dinheiro para tentar regressar amanhã (hoje)”, desabafou.
Estêvão Soares, 22 anos, está em Luanda desde Setembro do ano passado. Veio para tratar uma fractura na perna direita, consequência de um acidente de mota no Cuanza-Norte, província onde vive.
Encontramos o jovem na paragem do Ti Show, em Viana, por voltas das 10 horas, a tentar apanhar o táxi desde às 7 horas. A dificuldade que tinha em concretizar a viagem devia-se à especulação de preços.
Para chegar até Maria Teresa, a passagem custava 7.500, sendo que anteriormente pagava 3.500.
“Hoje está tudo difícil. Não sei se vou conseguir lugar a um preço mais baixo. Preciso de regressar a casa. Nunca mais vi a minha mãe”, lamentou o jovem.
Emília Domingos, de 38 anos, veio a Luanda acompanhar a filha, que estava doente e teve de ser operada. Há um mês na capital, precisa de regressar o mais urgente possível para casa e retomar a sua vida.
“Consegui despachar a minha filha até ao Dondo, mas o destino é Ndalatando. Eles estão a fazer linhas curtas a 3.500 kwanzas. Tive de ficar, porque já não havia espaço no autocarro, para mim e para as crianças”, desabafou.
De 23 anos, Branca Pulo está de passeio em Luanda, desde Janeiro. Na altura de regressar á província de Malanje, foi decretado o Estado de Emergência.
“Já estive na paragem mais cedo, mas regressei à casa da minha irmã, para aumentar o dinheiro da passagem. A esta hora, não encontro mais transporte. Alguns carros estão a cobrar dez mil kwanzas e outros 15 mil, para uma viagem que antes custava 3.500”, comparou.
A nossa reportagem procurou alguns motoristas. Alguns deles desviam-se do assunto ou mentiam sobre os preços e as rotas que praticavam.
O motorista Francisco Salvador disse que fazia a rota para Ndalatando, a preço de 3.500. Na verdade, seguia para o Huambo.
Dentro do autocarro, falámos com passageiros. Disseram que o motorista cobrava pela viagem 15 mil kwanzas e que iam 34 passageiros. Mas só podia transportar 25.
José Sardinha estava no mesmo autocarro e seguia viagem para o Waku Kungo, de onde pretende regressar ainda hoje. Alegou que vai à busca de uma carga de bombó. A viagem de ida e volta que custou-lhe 30 mil kwanzas. O jovem vive em Luanda, no Projecto Nova Vida, e não mediu custos para concretizar o seu objectivo.
Depois de passar uma temporada em casa da sogra, em Luanda, Esperança regressou, ontem, ao Huambo. Viajava com uma filha ao colo.
Contou que pagou muito alto pela passagem e pede ao Governo que vele por essa situação, porque, nesta altura, nem todos têm condições para pagar por esses preços.
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