Sociedade

Covid-19: 578 cidadãos concluem quarentena sem casos em Saurimo

A comissão multissectorial para a prevenção e combate à Covid-19 na Lunda-Sul liberou, segunda-feira, sem notificar caso positivo, 578 cidadãos que nos últimos 15 dias cumpriram quarentena domiciliar como medida preventiva, por conta da sua deslocação da cidade de Luanda para Saurimo, onde têm a residência fixada.

28/04/2020  Última atualização 22H53
Adão Diogo | Edições Novembro

O porta-voz da comissão considera a situação da pandemia na província "estável" e realça que despontam os sinais de regresso à normalidade, sobretudo na retomada circulação, aumento de horas de serviço e melhoramento de critérios para o exercício de várias actividades. Notou que a suavização de medidas pelo Decreto Presidencial, em 17 províncias, "não deve levar a população a banalizar o cumprimento de regras de higiene, uso de equipamentos de biossegurança e distanciamento entre pessoas para evitar o caos".
Viegas de Almeida insistiu na necessidade das instâncias competentes manterem uma vigilância apertada nos postos de controlo montados em Cacolo, principal porta de entrada para a província da Lunda-Sul, na comuna de Cassai-Sul e Muriége, município de Muconda, Biúla no Dala e na entrada de Lwô, adstrito à Lunda-Norte, onde a circulação desponta, na sequência do levantamento da cerca sanitária.
Segundo o porta-voz, a província reúne condições para intervir nesta fase do estado de emergência em caso de eventual alteração do quadro da Covid-19, contando com a prestação do centro médico de Mulombe , que está equipado, entre outros meios, com médicos, 22 ventiladores mecânicos, 26 outros na sede municipal Cacolo, e uma reserva aceitável em medicamentos.

Levantamento
da cerca sanitária
O movimento nas ruas aumentou, sem indícios de comportamentos anómalos, excepto no que ao distanciamento de pessoas respeita. O patrulhamento da Polícia prossegue, sem as anteriores barreiras criadas pela presença de separadores e destacamento de equipas mistas em vários troços das ruas. Lojas, cantinas, talhos, zungueiras e afins realizaram as suas actividades, respeitando os requisitos definidos, satisfeitos com o aumento do número de horas para exercerem actividade.
Dois autocarros de médio porte e cinco outras viaturas ligeiras imobilizadas, por falta de passageiros no interior do Parque adstrito à empresa Txipeza Weza, no bairro Txicumina, confirmavam o começo de "um dia sem lucros," por falta de clientes. O balde com água, quadra de sabão junto ao portão de entrada ao alcance de qualquer olho, apelam ao dever inquestionável de lavagem de mãos, sob o olhar atento do fiscal António dos Santos, cujo vermelho no colete de identificação atesta o cumprimento da sua jornada laboral.

Fraca adesão
de passageiros
Numa breve conversa o fiscal registou no seu livro de controlo de tráfego a saída de duas viaturas de marca Hiace, transportando seis passageiros cada, contra os 12 previstos na lotação, com destino à sede municipal de Lucapa, província da Lunda-Norte. O custo do transporte no percurso de 300 quilómetros, normalmente coberto em duas horas,é de três mil kwanzas.
Entre as causas da fraca presença de viajantes, Santos aponta o facto de o primeiro dia do reatamento de circulação ocorrer num domingo, alguns receios e também a falta de conhecimento das alterações pontuais introduzidas nesta segunda prorrogação do estado de emergência.
A escassos metros dois condutores de autocarros sentados pareciam reflectir sobre “as causas da sorte madrasta, num momento em que precisam de facturar”, enquanto o seu homólogo, Inocêncio Ngoeji, deitado no banco do ajudante, da viatura Toyota Land Cruiser, de cor branca, caixa fechada, mantém o optimismo para concretizar a viagem a Lucapa, com seis passageiros, que correspondem à metade da capacidade de lotação.
O proprietário do parque, que acompanha à distância o movimento do dia, enaltece o Executivo por ter suavizado” o sufoco experimentado, afim de contrapor o perigo de invasão da pandemia." Antevê, com a reabertura de mercados e da circulação, em 17 províncias, a retoma da actividade económica, com a oferta de bens, sobretudo alimentares, cuja procura justificou a “presença proibida de muitas pessoas na via pública”.
Carlos Martins, ou simplesmente Ti Calí, considerou que o analfabetismo, a socialização que tipifica os africanos, favoreceram a “resistência contra o isolamento social e até cuidados de higiene. A população não tem o hábito frequente de lavar as mãos”, referiu.Defende esforços na acção pedagógica, porque “enquanto não houver vacina, o coronavírus é um inimigo contra o homem”.
No parque do bairro Candembe, separado pelo maior mercado com o mesmo nome, pela estrada nacional 230, nos arredores da cidade de Saurimo, o fiscal Domingos dos Santos controlou, desde a madrugada, a partida de dois Hiaces com destino a Xá-Muteba, província da Lunda-Norte, passando por Cacolo e Xamiquelegue, território da Lunda-Sul. Os preços de passagem correspondentes às duas primeiras localidades passaram, na mesma ordem, para Akz.2.000 e 2.500, contra 1.500 e 2.000, respectivamente, cobrados antes da entrada em vigor do estado de emergência.


Mercados a meio gás
A presença de vendedores e compradores, no primeiro dia da reabertura parcial dos mercados de 14 e Txicumina, nas periferias da urbe, alterou desde as primeiras horas de sábado o cenário de abandono, forçado pela necessidade de isolamento social.
A administradora adjunta de Saurimo, Francisca Cuzanga, acompanhada de alguns fiscais, apelava, de forma reiterada,à lavagem das mãos a todos que acorriam ao mercado. O perigo da Covid-19 é,surpreendentemente, ainda largamente ignorado por vários munícipes.
Durante a reportagem no 14, uma cidadã resistiu ao convite para lavar as mãos, alegando que “já fiz isso antes de vir aqui". O tom alto na voz, dureza no rosto, antevia uma discussão sem desfecho, mas o apoio de outros populares a favor da atitude dos fiscais valeu a "resignação"e a petulância foi vencida.
De uma maneira geral o reinício das actividades em dois mercados é, para vários clientes, como a jovem Joaquina Paciência,"uma janela de oportunidade" para comprar,à medida das necessidades, o indispensável para dois dias, sem o sentimento de insegurança de permanência em "mercados que funcionavam no interior de bairros, na fase anterior ao levantamento da cerca sanitária, em grande parte do país.

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