Economia

Corte de consumo da Prodel reduz venda de combustíveis

A queda do consumo pela Empresa de Produção de Electricidade (Prodel) influenciou a redução dos índices de importação, produção interna e comercialização de derivados de petróleo no mercado nacional durante o quarto trimestre de 2019.

01/02/2020  Última atualização 11H32
VIGAS DA PURIFICAÇÃO | EDIÇÕES NOVEMBRO © Fotografia por: Director-geral do IRDP na apresentação das perspectivas do sector

A informação, avançada ontem, em Luanda, pelo director-geral do Instituto Regulador dos Derivados do Petróleo (IRDP), Albino Ferreira, numa conferência de imprensa de apresentação das perspectivas do sector da distribuição, significa a estabilização da produção de electricidade por fontes hídricas e renováveis, em substituição das fontes térmicas, alimentadas a gasóleo e outros combustíveis.
No último trimestre de 2019, prosseguiu Albino Ferreira, a comercialização de combustíveis situou em 882.837 toneladas métricas, correspondentes a quantia monetária de pouco mais de 154 mil milhões de kwanzas.
Vinte e nove por cento do volume de combustível comercializado era proveniente da refinaria de Luanda, 2,00 por cento das instalações da subsidiária da Chevron Cabgoc, a Topping de Cabinda, e 69 por cento da importação, em quantidades que representam um decréscimo de 25,8 por cento em relação ao trimestre anterior, além de uma descida de 13,5 por cento em relação ao período homólogo.
Albino Ferreira revelou que o plano de aquisições do período em análise teve como principal indicador a “retracção do consumo”, em parte, motivada pela redução da utilização do gasóleo pela Empresa de Distribuição de Energia Electrica, Prodel, para fins de geração de energia eléctrica.

Liderança do mercado

O país continua a contar com uma capacidade de armazenagem de combustíveis líquidos em terra de 676.085 metros cúbicos, em que 358.511 (52,45 por cento) são da responsabilidade da Sonangol Logística e 321.500 metros cúbicos (47,55 por cento) são controlados pela Pumangol.
Naquele período, o mercado tinha registados 971 postos de abastecimento operacionais, mais três que no trimestre anterior.
Sonangol Distribuidora detém 393, ou 40 por cento do total, a Pumangol 78 postos ( 8,00 por cento), a Sonangalp 54 (6,00 por cento), enquanto 446 postos sob alçada da bandeira branca (sem filiação às grandes marcas) configuram 46 por cento.
A quota do mercado é liderada pela Sonangol, detentora cerca de 69 por cento das vendas, seguida pela Pumangol (23 por cento) e a Sonangalp responsável pelos restantes 8,00 por cento.
Luanda absorve 49 por cento do consumo, liderando o restrito grupo de cinco províncias com maior índice de necessidade de derivados, seguida de Cabinda com 6,6 por cento, Zaíre (6,1), Benguela (5,9) e Huíla (5,8).
Foram introduzidas no mercado interno 85.281 toneladas métricas de gás de cozinha, 88 por cento das quais provenientes da Angola LNG, 9,00 por cento da Refinaria de Luanda e 3,00 por cento do Topping de Cabinda.
O mercado interno regista-se um decréscimo de 11 por cento na aquisição de GPL durante o trimestre anterior, motivado pela paragem programada para fins de manutenção da Angola LNG no mês de Novembro.
O volume de lubrificantes comercializados pelas principais empresas situaram-se em 3.629 toneladas métricas, 5,00 por cento a menos que no trimestre anterior e menos 3,00 que no pe-ríodo homólogo.
A Pumangol liderou o mercado, ao vender 34 por cento do produto, seguida da Sonangol Distribuidora com 28 por cento, a Cosal (15), Jambo (11), Sonangalp (9,00), Lubáfrica (2,00) e a Imóleos (1,00).

Nove propostas seleccionadas para a refinaria do Soyo

O Ministério dos Recursos Minerais e Petróleos (Mirempet) seleccionou ontem, em Luanda, nove das 31 propostas submetidas por concorrentes ao concurso público para a construção da refinaria do Soyo.
O anúncio foi feito depois da abertura das propostas, do que saíram pré-seleccionadas as empresas e consórcios SDRC, Jiangsu Sinochem Construction, Co, Quantem Consortium, CMEC, AIDA E VSF, Tobaka Investiment Group, Atis Nebest - Angola, Satarem, Gemcorp Capital e CPP.
O secretário de Estado para os Petróleos, José Barroso, que anunciou os resultados, revelou que todas propostas vêm com uma capacidade de refinar 100 mil barris de petróleo por dia, com a excepção da SDRC, que tem uma capacidade que vai até 120 mil barris por dia (bpd).
As nove propostas avançam prazos de implementação de 16 a 40 meses, períodos tão díspares como os tipos de refinarias apresentados pelo concorrentes, que são de conversão profunda, modular, uma unidade atmosférica, nano cracking, processamento convencional moderna e conversão total.
Nos dias 5e 6 de Março será feita a análise das propostas e no dia 31 de Março de 2020 será conhecido o vencedor, anunciou o secretário de Estado.
O fim do prazo da submissão das propostas estava inicialmente previsto para 18 de Dezembro de 2019, mas foi estendido para 30 de Janeiro, tendo em conta os pedidos de um número considerável de participantes.
A construção da Refinaria do Soyo é parte de um programa que prevê, também, a edificação de instalações do género em Cabinda, com capacidade de processamento de 60 mil bpd, e no Lobito (200 mil bpd), além da reabilitação e modernização da de Luanda, que quadruplicará a sua capacidade de 300 para 1.200 toneladas por ano.
Apesar de ser o segundo maior produtor de petróleo da África Subsaariana, com uma média diária de 1,4 milhões de bpd, Angola importa 80 por cento dos derivados, de onde surge a aposta na construção de três novas refinarias e a ampliação da de Luanda.

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