Sociedade

Corpo de Avô Kitoco já repousa no Santa Ana

Carla Bumba

Jornalista

Figuras públicas, colegas e familiares acompanharam, ontem, num ambiente de consternação e inconformismo, o funeral do terapeuta tradicional Avô kitoco, cujo corpo repousa no cemitério da Santa Ana, em Luanda.

21/09/2022  Última atualização 06H55
Familiares e amigos no último adeus ao terapeuta tradicional © Fotografia por: Dr

Na hora do adeus, foram enaltecidas as qualidades do malogrado, cujo percurso, como terapeuta tradicional, ficou marcado, com base nos relatos, pela honestidade e dedicação à família.

O secretário de Estado para Saúde Pública, Franco Mufinda, que acompanhou o funeral, considerou o malogrado uma figura chave na medicina tradicional angolana, cujos trabalhos tiveram e ainda têm repercussões sociais significativas.

Avô Kitoco, adiantou, trabalhou muito e foi um dos mentores do surgimento da política nacional de medicamentos, hoje uma realidade que permitiu criar um departamento específico, no Instituto Nacional para Investigação e Saúde, em Medicina Tradicional.

Para Franco Mufinda, só foi possível criar este departamento graças ao trabalho que o Avô Kitoco fez ao longo da vida, que permitiu tratar muitos doentes mentais e ajudou, ainda, a ter uma nova ideia sobre a saúde mental. "Esse legado ficará para sempre gravado nas memórias dos angolanos. Agora é preciso criar métodos de o perpetuar”.

O sonho do Avô Kitoco, salientou, era a inclusão da medicina tradicional nos hospitais. "É um desejo que esperámos, com o apoio de todos, em especial do Departamento de Medicina Tradicional, do Instituto Nacional para Investigação e Saúde, tornar, um dia, realidade”.

O malogrado, continuou, trabalhou muito em aspectos como a formação e fiscalização, que permitiram ao Ministério da Saúde ter um cadastro de dois mil terapeutas tradicionais. "Ele também apoiou o processo de inclusão da medicina tradicional nos hospitais”.

O vice-presidente do Fórum dos Médicos Terapeutas de Angola (Fomera), Vicente Santos, disse que Avô Kitoko (até então presidente da instituição) foi um defensor incansável de valores, como a família, assim como para a afirmação da medicina tradicional.

"As parteiras tradicionais, as vendedoras de remédios tradicionais em todo o país com certeza reconhecem o papel que ele teve na sociedade”, afirmou, acrescentando que o malogrado nunca desistiu dos seus sonhos. "Temos muito orgulho dele, enquanto líder, patriota, irmão, conselheiro, colega e camarada”.

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