A estratégia da Coreia do Sul para controlar o surto de coronavírus acompanha a mesma linha dos casos anteriores, apesar da opinião pública ter pressionado o Governo desde o início do surto na China.
Até ao momento, o país testou mais de 250 mil pessoas e existem mais de 600 locais de teste em todo o país, com capacidade para analisar 20 mil amostras por dia. Os resultados são divulgados, em média, em seis horas, e são enviados por mensagem electrónica ou email. No início de Março - um mês e meio depois do primeiro caso - a Coreia do Sul registou mais recuperações de pacientes do que novas infecções – tudo isto, sem recorrer a cidades fechadas, bloqueios de estradas e restrições de ir e voltar.
Embora grande parte do crédito tenha sido atribuído ao Governo, uma característica igualmente importante da resposta da Coreia do Sul foi a rápida mobilização do pú-blico. A cooperação voluntária permitiu ao Governo evitar medidas mais extremas e manter um delicado equilíbrio entre segurança pública e liberdades civis.
A resposta do Governo sul-coreano foi dividida em quatro partes: testagem, rastreamento, acompanhamento e tratamento. A realização de testes precoces e indiscriminados foi o primeiro passo.
Em 27 de Janeiro - com apenas quatro casos conhecidos no país - as autoridades de saúde sul-coreanas solicitaram o desenvolvimento de um kit de teste para o Covid-19 junto de 20 empresas médicas, com a promessa de rápida aprovação. Apenas uma semana depois, foram aprovados vários testes de diagnóstico. Até ao final de Fevereiro - menos de três semanas desde a autorização - o país tinha efectuado 46.127 testes. Em comparação, no mesmo período, os EUA testaram 426 pessoas. Ambos os países tiveram o primeiro caso confirmado no dia 20 de Janeiro.
Os testes são seguidos por um extenso rastreamento e acompanhamento das pessoas. As autoridades trabalham com os governos locais para pesquisar imagens de câmaras de segurança, dados de telemóvel e registos de cartão de crédito para mapear, ao minuto, os movimentos e contactos anteriores dos pacientes.
Simultaneamente, os doentes são categorizados por risco - assintomáticos, leves, graves ou críticos. Os pacientes de alto risco, incluindo idosos e outros gravemente doentes, são hospitalizados. Por outro lado, pacientes de baixo risco, como os jovens e os que apresentam sintomas moderados a inexistentes, foram enviados para dormitórios emprestados por empresas, como a Samsung ou a LG.
O tipo de tratamento também variou, entre o isolamento total, combinações de agentes antivirais e antibióticos, passando pela monitorização simples. A estratégia de tratamento diferenciado mostrou-se eficaz. No dia 30 de Março, a taxa de mortalidade do país era de 1,5 por cento.
Aquele valor representa um terço da taxa global de mortalidade pelo Covid-19, que foi de 4,6 por cento em 28 de Março, segundo dados da OMS.
Mesmo antes do Governo coordenar as mensagens sobre distanciamento social, os sul-coreanos começaram a adoptar as regras por vontade própria. Em Daegu – o epicentro de coronavírus no país - muitos restaurantes, lojas e cinemas fecharam, não por causa de uma intervenção directa do Governo, mas por causa de um declínio nos negócios. As igrejas também suspenderam os serviços e optaram pela divulgação de sermões online.
Durante o surto da Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS), em 2015, o Governo sul-coreano escondeu informações importantes, incluindo onde os pacientes infectados estavam a ser tratados. Isto foi particularmente problemático, pois quase todas as transmissões conhecidas ocorreram em hospitais.
Com medo, os sul-coreanos permaneceram dentro de casa, embora as evidências sugerissem que o vírus não era facilmente transferível por contactos casuais. "As pessoas entraram em pânico por causa da incerteza", observou Han Sung-joon, da Universidade de Yonsei, da Coreia do Sul. “O acesso à informação é um elemento fundamental na democracia. Quando esse acesso é negado, as pessoas ficam mais confusas e preocupadas”, frisa Han Sung-joon. Hoje, sob a Lei de Controlo e Prevenção de Doenças Infecciosas, o ministro da Saúde sul-coreano tem poder para juntar dados particulares de pacientes. Ao mesmo tempo, a lei concede ao público o “direito de saber”. Também as autoridades estão obrigadas, por lei, a “divulgar as informações prontamente”.
Aprender com os erros
Taiwan registou apenas 329 casos e cinco mortes até ao final de Março, apesar da proximidade com a China. Previa-se que Taiwan, uma ilha de 23 milhões de pessoas na costa da China, tivesse o se-gundo maior "risco de importação" da doença Covid-19 em todo o mundo.
Com mais de 850 mil cidadãos a residir e a trabalhar na China continental, os especialistas esperavam que Taiwan estremecesse com o impacto da infecção, especialmente devido à coincidência com o Ano Novo Chinês, dos períodos mais movimentados do ano no continente asiático.
No entanto, Taiwan apresenta registos surpreendentemente baixos, especialmente se considerarmos a proximidade com a China e a frequência de voos entre os dois territórios. O sucesso de Taiwan foi amplamente creditado à mobilização precoce de estratégias e planos específicos, implementados durante o surto de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), em 2003, segundo uma análise da Universidade de Stanford, nos EUA.
Jason Wang, pediatra e director do Centro de Políticas, Resultados e Prevenção da Universidade de Stanford, começou a recolher os seus próprios dados sobre Taiwan, em Janeiro, quando ouviu falar pela primeira vez do surto de coronavírus.
Após o surto de SARS, Taiwan implementou o Centro Nacional de Comando de Saúde (CEEC), que se concentra em grandes respostas a surtos e actua como um posto de comando central para comunicações directas e transparentes com toda a população.
Assim que as notícias sobre um vírus desconhecido foram divulgadas em Wuhan, na China, a 31 de Dezembro de 2019, as autoridades de Taiwan começaram a restringir voos de e para a região e rastrear os passageiros.
Apenas uma semana de-pois, nos primeiros dias de Janeiro, começaram a colocar em quarentena qualquer pessoa que apresentasse sintomas da doença. Nos últimos dois meses, o CECC implementou cerca de 124 acções específicas para conter o vírus, disse Wang.
As acções incluíram o controlo das fronteiras aéreas e marítimas, a identificação de casos, quarentena de casos suspeitos, gestão e disponibilização de recursos, resumos diários à imprensa, identificação de informações falsas e formulação de políticas económicas para aliviar famílias e empresas.
Muitas destas acções do Governo de Taiwan foram possibilitadas pela integração e análise de grandes quantidades de informação pessoal (big data).
Por exemplo, num único dia, o Governo passou a sincronizar os dados da Agência Nacional de Imigração e da Administração de Seguros de Saúde para identificar o histórico de viagens dos pacientes.
Além disso, com os sistemas de registo de residências e com os cartões de entrada de estrangeiros, os indivíduos de alto risco foram identificados, colocados em quarentena e monitorados através dos telemóveis.
No dia 18 de Fevereiro, o Governo permitiu a todos os hospitais, clínicas e farmácias terem acesso ao histórico de viagens dos pacientes. Através da inteligência artificial, os dados foram aproveitados para a criação de aplicações digitais, que funcionam em tempo real, e alertam os cidadãos sobre as áreas de risco a serem evitadas. Também foi disponibilizado um mapa de fornecedores de máscaras, por exemplo.
Além dos comunicados diários à imprensa, as principais autoridades de saúde do Governo, incluindo o ministro da Saúde, vice-presidente e um proeminente epidemiologista, fazem regularmente anúncios públicos sobre viagens e recomendações de higiene pessoal. Todos os avisos estão acessíveis online. Praticamente todos os shoppings, lojas, restaurantes e escritórios de Taiwan oferecem desinfectantes para as mãos e medem a temperatura das pessoas à entrada.
Questionado sobre se países como os EUA, com uma população 13 vezes maior que Taiwan, podem implementar protocolos semelhantes, Wang respondeu: "claro". "Os EUA têm muita capacidade e mais poder do que Taiwan, se nos juntarmos às grandes empresas de tecnologia, governadores, agências federais, podemos trabalhar juntos na direção certa", disse Wang à ABC News.
As lições de Vo Euganeo
nquanto não houver vacina ou tratamento eficaz contra o Covid-19, as evidências são claras: a realização de testes em massa é a chave para a erradicação do novo coronavírus e também para salvar vidas.
Os casos de coronavírus na Itália atingiram os 105 mil e 792 e mais de 12 mil mortes no dia 1 de Abril. Mas uma pequena cidade italiana afirma ter erradicado as infecções, tendo atingido zero novos casos, após a implementação de um programa de testes em massa, uma tentativa de conter a propagação do vírus. A cidade de Vo Euganeo – com uma população de 3.300 habitantes - localizada no coração da zona mais contaminada do Norte de Itália, assumiu a existência de casos positivos de Covid-19 na terceira se-mana de Fevereiro e registou a primeira morte associada à doença do país no dia 21 de Fevereiro.
Após a primeira morte, toda a cidade entrou em quarentena. Ninguém foi autorizado a entrar ou sair da loca-
lidade, enquanto remédios e alimentos só poderiam chegar se fossem autorizados pelo representante do Governo central em Pádua.
Todos os 3.300 moradores da cidade, incluindo os que não apresentavam sintomas, foram testados a partir de 6 de Março. Isto permitiu colocar em quarentena as pessoas infectadas antes que mostrassem sintomas. Desta forma, conseguiram interromper a propagação adicional do coronavírus.
Em 14 dias, o vírus foi erradicado da comunidade. A realização massiva de testes revelou que cerca de 3 por cento dos residentes estavam infectados naquele momento e, destes, cerca de metade não apresentava sintoma quando testou positivo.
Após duas semanas de um estrito bloqueio e da quarentena de pacientes, apenas 0,25 por cento dos residentes estavam infectados. Vo Euganeo não regista novos casos desde sexta-feira, 13 de Março.
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