Opinião

“Coragem para fazer desporto”

Silva Cacuti

Jornalista

Acabamos de viver o 23 de Janeiro, Dia Nacional do Desporto. Muitas actividades marcaram a efeméride e o programa comemorativo prossegue. Activismo. Tem sido assim. Nada mais!

24/01/2023  Última atualização 06H00
Daqui a pouco, a febre passa e caímos na nossa realidade que, não quero adjectivar. 

Não adjectivar, não impede que façamos reflexões sobre como estão as "coisas”. Falar, por exemplo, de não sabermos de políticas ou programas concretos virados para o fomento da prática desportiva; para a formação de quadros; para a criação e gestão das infra-estruturas; para a alta competição. Entre outras macas mais! 

O "Dia do Desporto” é igual a outros. Passa. Já é passado. O programa festivo pode proporcionar palestras, fóruns e outros cenários, cujo saldo, em termos de captação de conhecimentos para execução prática, vai, no fim do dia, revelar-se nulo. 

No próximo ano, temos a efeméride de volta, com novos atavios. 

Estou, cada vez mais convencido, de que há uma ausência de coragem para "fazer desporto”. E este "fazer desporto” pode entender-se em todos os sentidos polissémicos possíveis. Ao ouvir qualquer especialista hoje, facilmente percebemos que fazemos mal o nosso desporto. 

As vozes de preocupação das entidades governativas que, ao constatar o descaso da gestão de infra-estruturas, manifestaram preocupação, deixam-me curioso e quase confuso. Deviam eles saber que a preocupação é antes dos agentes desportivos, dos praticantes que assistem às opções governativas, sem poder delas recorrer. 

Foi anunciada, recentemente a realização de "trabalhos paliativos”, no lugar onde devia haver uma pista de atletismo no Estádio da Tundavala. Temos pressa de abrir o recinto para o futebol. Já tivemos pressa na hora da construção. A pressa voltou e levou-nos a estabelecer recordes olímpicos de degradação e, agora, vamos improvisar, ao invés de termos calma para a reabilitação, e reabertura de um "Tundavala” eclético, nos serviços capaz de oferecer. 

E quem fala de Tundavala, é só para citar um! 

Será dinheiro ou mesmo coragem que temos em falta? Devíamos aproveitar a ocasião para, com cerca de USD, cinco milhões, mais para cima ou para baixo, colocarmos uma pista olímpica no Tundavala. Os governantes precisam saber que as infra-estruturas devem responder à demanda da sociedade, para que não sejam elefantes brancos. A sociedade grita por pistas de atletismo! 

Precisávamos encontrar a coragem para colocar, pelo menos, duas pistas uma oficial e outra de apoio,  na Huíla, Luanda e Cabinda, numa primeira fase. Gastaríamos tostões de uma vez. As empreitadas para paliativos fazem-nos gastar, os mesmos tostões, muitas vezes, para pouco proveito. 

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