Economia

Cooperativa artesanal na pesca de profundidade

Manuel Barros| Cacuaco

A Cooperativa de Pesca Artesanal “Corajosos”, do município de Cacuaco, em Luanda, aposta, este ano, na pesca em profundidade para a captura do peixe Atum e Quimbumbo, na sequência da aquisição de três embarcações para aumentar os níveis de produção e atrair outros mercados.

16/01/2022  Última atualização 08H35
Aposta da cooperativa é favorecida por uma aquisição recente de embarcações de pesca © Fotografia por: DR
A informação foi avançada, ontem, ao Jornal de Angola, pelo vice-presidente da cooperativa, José Pedro, que sublinhou que, "com esta nova opção, a organização vai poder sair, em pouco tempo, da pesca de sobrevivência e afirmar-se no mercado como um ente importante a nível do município no fornecimento do pescado”.

Já no final do ano passado, a "Corajosos” conseguiu elevar os níveis de captura de 1,5 para cinco toneladas por mês, mercê de  um financiamento de 30 milhões de kwanzas, obtido do Banco de Desenvolvimento Angolano (BDA), na intermediação do Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações (PRODESI).

"Hoje estamos virados para a captura de quimbumbo e atum. Esta pesca é feita em profundidade, onde os pescadores ficam no mar durante sete dias ancorados em local específico, onde há maior concentração dessas espécies”, esclareceu.
Afirmou ser uma nova técnica praticada pela cooperativa, que é pela primeira vez  praticada em Cacuaco. "É um grande desafio, uma vez que exige recursos humanos específicos, mas estamos prontos para este propósito”, afirmou.

José Pedro salientou que, das três embarcações adquiridas, uma faz a pesca de fundo com redes de malha em várias localidades da província do Zaire, onde a atenção está virada para a captura do carapau, corvina, pungu, caxuxu, bacalhau, garoupa e outras espécies.

De acordo com a fonte, este tipo de pesca precisa entre sete e oito malhas diferentes,  porque cada espécie é capturada numa malha específica e, quanto maior for o valor comercial do peixe no mercado, mais cara é a malha que se utiliza.
 Adiantou, também, que uma outra embarcação continua a fazer a pesca artesanal diária para a captura de lambula, paieta, savelha, sardinha, peixe-agulha, pescada e madionga.

Os maiores compradores destas espécies de peixe são as vendedoras ambulantes e peixeiras que operam em praças dos bairros dos distritos urbanos do município de Cacuaco. "Apostámos em diferentes artes de pesca para podermos capturar distintas variedades de pescado. Hoje, a pesca está mais difícil do que no passado. Então, quem implementar maior número de técnicas, com certeza terá os objectivos alcançados”, considera o líder da  cooperativa que conta com cinco embarcações, 10 associados e 21 trabalhadores.

 
Projectos emperrados

A Cooperativa tem em carteira vários projectos, entre os quais se conta a instalação de  uma pequena fábrica de gelo e a aquisição de câmara frigorífica, decisões que só não foram materializadas porque dependem exclusivamente do fornecimento regular de energia eléctrica.

"O Sistema Pré-Pago encarece muito uma fábrica de gelo. Pensamos que devia haver, para as cooperativas, uma taxa específica de pagamento de energia, por forma a ajudar na conservação do pescado”, considera a fonte.Os materiais usados na pesca, notou, são comercializados a preço muito elevado, pelo que o Governo deve vendê-lo directamente aos pescadores para minimizar as dificuldades no seu trabalho.

"Só para ter uma ideia, uma rede de pesca de três panos para capturar sardinha pode custar cerca de 400 mil kwanzas”, salientou, propondo que o Estado subvencione os materiais de pesca ou regule os preços praticados em muitas lojas privadas.

Estima que, hoje, para uma embarcação pescar em profundidade deve gastar 300 litros de gasolina além da alimentação, porque pesca-se a milhas de distância. "Os pescadores artesanais só têm oportunidades de pescar cada vez mais distante, para não parar, porque barcos chineses estão a arrastar tudo no alto mar, mas os custos são mais altos e também acaba por encarecer o produto ao consumidor final”, lamenta.

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Economia