Opinião

Contributos eleitorais

Luciano Rocha

Jornalista

As campanhas eleitorais que se avizinham - até aqui têm sido, na melhor das hipóteses, “aquecimentos de motores” - vão alterar o dia-a-dia angolano, com cruzamentos de sons e cores, elogios e críticas, esgrimir de opiniões.

30/06/2022  Última atualização 06H10

O cenário que se antevê não difere muito de campanhas anteriores, como sucede, mais coisa, menos coisa, em todos os países nos quais vigorem democracias idênticas à nossa. O partido no poder há-de fazer valer a obra feita, mesmo em condições adversas que chegaram a sobrepor-se e justificar o que ficou por fazer pelas mesmas razões. Em contraponto, a oposição - ou parte dela - servir-se-á   dos mesmos argumentos em sentido contrário.

O período destinado às campanhas das diferentes forças políticas concorrentes às eleições de Agosto, que ditarão quem são os próximos Chefe de Estado, composição parlamentar e do Governo durante os próximos cinco anos, são, por todas estas razões, de capital importância para Angola e angolanos. Residam estes dentro ou fora do território nacional, independentemente da cor partidária preferida, mas, igualmente, daqueles que, para já, não a têm, mas podem vir ter consoante o que ouvirem e observarem.

O comportamento das forças políticas participantes nas respectivas campanhas,  que já batem à porta, são, pois, de suma importância para Angola e os angolanos, mas, também, atente-se nisso, para um conjunto de países que têm os olhos postos em nós, tendo em vista interesses próprios de eventuais investimentos. Na mira,  potenciais potencialidades dos nossos solos, subsolos, mares, rios, lagoas, fauna, flora. Outrossim de saúde, segurança, ensino, vias férreas e terrestres, poluição, urbanização, electricidade, água, hotelaria, restauração, diversão. Ninguém nos procura pelos nossos "bonitos olhos”.

O potencial investidor tem de sentir-se atraído pelo país, onde aplica o capital. Caso contrário, visitá-lo-á espaçadamente. Faz-se representar por alguém de confiança com a mesma origem dele que, por sua vez, conta os dias, desde o primeiro, para o início de féria gozadas em locais aprazíveis, seguros, onde nada lhe falta. Com praias asseadas de mares ou rios nas mesmas condições, esplanadas, restaurantes, salas de cinema e teatro, bares, estabelecimentos comercias, na verdadeira acepção da palavra, ruas e alamedas arborizadas, trânsito automóvel disciplinado tal como o de peões, jardins floridos.

Angola não pode, na actual fase, proporcionar a maioria daquelas condições, mas tem de demonstrar que o objectivo é tê-las. Quando? Na totalidade ou próximo dela, somente lá mais para a frente. Para já, a obrigação é mostrar que trabalha nesse sentido e parte dessa meta para ser alcançada necessita de investidores sérios, que colaborem na preparação de jovens compatriotas formados, ou não, em várias matérias, de modo que possam, no futuro, ensinar outros. É o clico da vida, ninguém nasce ensinado. Esta é outra forma de combater o nepotismo, dos males maiores que enferma o nosso país, por promover a mediocridade, com todos os inconvenientes que dolorosamente se conhecem.

Todos estes temas devem - têm - de ser falados e debatidos, sem sofismas, no próximo período eleitoral. Pelo partido no poder, mas, também, pelas formações da oposição. Em ambos os casos, com ideias próprias, não decalcadas de outras realidades tão diferentes das nossas. De preferência sem discursos de nada dizerem ou insultos, inimigos da razão. As críticas sem sustentação soam a "crónicas de maldizer”, tal como as soluções irrealistas desfasadas das actuais circunstâncias.

Debates, troca de opiniões, mesmo aparentemente opostas, podem resultar em soluções para problemas que, com frequência, se arrastam em prejuízo do todo nacional.

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