Economia

Consultora recomenda a criação de uma área de auditoria interna na ZEE

A consultora Assurance and Advisory recomendou ao Conselho de Administração da Zona Económica Especial (ZEE) Luanda-Bengo a implementação de uma área de auditoria interna que reporte, trimestralmente, a análise de gestão de risco e relatório de compliance (anual) e o relatório sobre o controlo do sistema de controlo interno, com vista a assegurar a condução eficiente do negócio da empresa.

25/08/2020  Última atualização 07H00
Santos Pedro| Edições Novembro © Fotografia por: Em cada kwanza de serviço prestado a empresa gestora gerou 28,39 por cento de resultado

Nas suas recomendações sobre o relatório e contas da empresa no exercício económico de 2019, a consultora enfatiza que, à data da apreciação do documento, os auditores não obtiveram respostas das diversas entidades aos pedidos de confirmação dos saldos e outras informações, revelando-se inconclusivos os procedimentos da auditoria realizada.

Para algumas respostas recebidas, segundo a consultora, não foi obtida informação suficiente que lhes permitisse concluir quanto a diferença apurada entre os saldos constantes nos registos contabilísticos. Quanto a amortizações, foram identificadas amortizações excessivas no montante de 43,1 milhões de kwanzas, não acrescidas à matéria colectável para o pagamento do Imposto Industrial, “pelo que, recomendamos a devida regularização no exercício de 2020”.

Segundo os auditores, verificou-se também que estão ainda por pagar o Imposto de Consumo (IC) e de Selo (IS) referentes a facturas emitidas a clientes. Por isso, recomendou-se que sejam adoptados procedimentos adequados ao controlo daquelas rubricas de impostos, a fim de a ZEE não entrar em incumprimento perante a Administração Geral Tributária (AGT).


Desempenho financeiro

No que toca às demonstrações financeiras, em 2019 verificou-se um aumento dos activos em cerca de 0,04 por cento face a 2018. Em relação ao passivo, verificou-se uma redução de 0,30 por cento e, nos capitais próprios, um ligeiro aumento de 0,04 por cento, que resultam do exercício positivo.

Quanto aos resultados, verificou-se um aumento nos fluxos financeiros, derivado do aumento das taxas de câmbio, fruto das mudanças a nível das políticas no mercado cambial.

Nos proveitos registou-se igualmente um aumento em cerca de 189 por cento na prestação de serviço e uma redução de 82 por cento na venda de inertes. Em termos gerais, considera-se salutar o resultado financeiro, dado o aumento em proveitos em cerca de 69 por cento face ao ano de 2018, o que demonstra uma melhoria.

Ao longo de três anos, a ZEE mantém autonomia financeira acima de 95 por cento. Em 2019 não se verificou alteração face a 2018, situando-se em 98 por cento, o que demonstra que as fontes de financiamento são sobretudo o capital próprio.

Por isso, o endividamento foi de 2,00 por cento, o que demonstra poucos recursos e capitais alheios para financiar a actividade. Esse indicador, segundo o Conselho de Administração da ZEE, permite que a empresa tenha maior capacidade para recorrer a financiamento externo, apesar de se verificar uma redução na capacidade de endividamento ao longo dos anos.

A liquidez imediata é de 36 por cento, verificando-se um aumento de 12 por cento face ao exercício anterior. Sendo a liquidez um rácio de curto prazo e que mede a capacidade da empresa em solver os compromissos com parceiros a curto prazo (fornecedor, Estado, pessoal), este rácio ainda está abaixo dos parâmetros considerados como “saudáveis”.

Assim sendo, é necessário envidar esforços no sentido de melhorar a política de concessão de crédito, para que possa reduzir os prazos médios de rendimento, bem como a política de cobrança, para aumento da liquidez.

A rentabilidade das vendas atingiu 28,39 por cento e isto significa que em cada kwanza de serviço prestado a empresa gerou 28,39 por cento de resultado.


Investimentos de nacionais e estrangeiros estão em progressão

A Zona Económica Especial (ZEE) Luanda-Bengo, criada em 2009, tem como missão a atracção de investimentos internos e externos, nacionais e estrangeiros, incentivar o desenvolvimento e a diversificação da economia por via do aumento da produção, crescimento das exportações e redução das importações. A ZEE é gerida pela Sociedade de Desenvolvimento da Zona Económica Especial Luanda-Bengo, que é uma empresa pública.

Com mais de uma centena de unidades no seu portefólio e mais de 4 mil postos de trabalho actualmente, a ZEE apresenta-se como uma grande alavanca para o desenvolvimento industrial e produtivo do país, com elevado potencial de crescimento para se tornar uma referência na região e um centro de atracção de investimentos privados nacionais e internacionais focados na produção com qualidade e em quantidade de uma variedade de produtos. Destas, estão operacionais 67 unidades.

No âmbito da atracção de novos investimentos, em 2019 deram entrada na ZEE 45 novos projectos de investimento em diversos sectores, nomeadamente indústria transformadora, hotelaria e turismo, saúde, alimentação, agro-indústria e serviço e comércio, avaliados em 251.401.733,28 dólares, cuja implementação deve criar 4.076 postos de trabalho directos.

Destes projectos, 15 estão já em fase de implementação e devem dar uma nova dinâmica no cumprimento da missão produtiva da ZEE, dentro dos próximos 12 meses.

Em relação à gestão da ZEE, importa realçar os novos momentos que a empresa vive, com a nomeação do seu mais recente corpo directivo, marcado por grandes desafios de ordem económica, em função das incertezas do mercado, das dificuldades macroeconómicas e demais contrariedades, algumas de difícil previsão, tais como a volatilidade do preço do petróleo que obriga a em-presa a ajustar o seu modelo de negócio a uma profunda reestruturação interna.

Para isso, foi necessária a alteração de procedimentos, a reavaliação das projecções e o impulsionamento de um conjunto de métodos e programas focados na captação de novos projectos, com a dinamização do processo de atractividade e fomento de uma política comercial e de marketing mais voltada para o promotor.

Esta abordagem permitiu que os resultados dos exercícios 2018 e 2019 fossem ambos positivos, isto é de 192.236.091 kwanzas, em 2018, e de 532.713.493 kwanzas, em 2019, permitindo assim que, pela primeira vez desde a criação da ZEE, fosse possível a entrega de dividendos ao seu accionista Estado, no valor nominal de 10 por cento dos resultados líquidos obtidos.

Já em 2018, esta entrega não foi possível ser efectuada, já que houve necessidade de se cobrir os resultados negativos dos anos anteriores. Importa também realçar que existe um permanente ajustamento de toda a actuação aos programas do Executivo, designadamente o Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) e o PRODESI, seus verdadeiros barómetros.

Todas as políticas, conjuntamente avaliadas, só foram possíveis realizar com o apoio e empenho de todos os integrantes da empresa, com melhoria das condições de trabalho e sociais dos trabalhadores e, consequentemente, uma melhor satisfação das expectativas dos promotores presentes na ZEE, numa relação de ganhos recíprocos.

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