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Construções anárquicas aumentam em Ndalatando

André Brandão| Ndalatando

A construção anárquica de casas e estabelecimentos comerciais, em vários locais, da rua principal de Ndalatando, que faz a ligação com a Estrada Nacional 230, bem como em muitos outros bairros do Cuanza-Norte, tem sido muito regular nos últimos meses, lamentou, ontem, o administrador adjunto para Área Técnica e Serviços Comunitário de Cazengo.

17/09/2022  Última atualização 07H35
Cidade tem várias localidades perigosas, algumas das quais o terreno pode ceder com a chuva © Fotografia por: Edições Novembro

José Lino da Costa Erasmo disse que, nos últimos seis meses, os fiscais têm trabalhado para travar este crescimento anárquico. "Neste período conseguimos demolir, em diferentes bairros, 15 estruturas, entre residências e estabelecimentos comerciais, por estarem em zonas não autorizadas, ou em lugares impróprios, pondo em perigo a vida dos próprios munícipes. Mas mesmo assim, o quadro permanece”, criticou.

As construções anárquicas em zonas de riscos, aconselhou, devem ser evitadas, "pois em Ndalatando existem várias zonas de risco, algumas das quais localizadas próximo aos rios Muembes e Catende, nos bairros Sambinzanga e Camundai”. "Claro que também temos estado a alertar as pessoas para não construírem próximo as bombas de combustíveis, ou em locais cujo terreno pode ceder com a chuva. Porém, alguns insistem”, reprovou. Alguns proprietários, que insistem em construir ilegalmente, acrescentou, têm recebido uma notificação da administração, para responder judicialmente. "Temos registados, até ao momento, dez casos do género”, adiantou.

A fiscalização, continuou, tem trabalhado com a Polícia Nacional para banir e reduzir tal situação, que já vem se registando em diferentes bairros de Ndalatando. "Pedimos às pessoas, para evitarem construir, principalmente, ao longo da Estrada Nacional 230, por ser a ligação principal ao troço Luanda/Malanje”.

Com a aproximação da época de chuva, alertou, o perigo é ainda maior e as consequências podem ser muito piores. "Quem pretende construir deve, primeiro, dirigir-se até à administração municipal, com os devidos documentos, e solicitar uma parcela de terreno no quilómetro 11, a única área disponível para a auto-construção dirigida”, explicou.

O alerta, informou, não é só para os construtores anárquicos, mas também aos vendedores, que exercem a actividade ao longo da rua principal de Ndalatando, ou defronte as antigas instalações do Banco Nacional de Angola.

"Criamos condições para, em breve, os alojar num espaço, junto da área da Pro-Café, arredores do bairro Vieta, assim como na antiga Feira Popular, no centro da cidade”, revelou.

 

Justificativas

A equipa de reportagem procurou ouvir algumas pessoas que têm construído nestes espaços. Joaquim Morais, de 38 anos, residente no bairro Camundai, uma destas pessoas, disse ao Jornal de Angola que está a construir um salão de beleza à beira da Estrada Nacional 230, por ser um terreno deixado pelos pais e já não tem outro lugar para erguer tal empreendimento.

Apesar de ter noção da infracção, insiste em continuar com a obra, mas está consciente que, a qualquer altura, pode ser demolida pelos fiscais da administração municipal.

Felipe da Costa Andrade, de 47 anos, é outro destes construtores anárquicos, que está a edificar uma casa no bairro Kilamba Kiaxi, mas sem licença de construção. A justificação é que conseguir a autorização da administração municipal é um processo de muitos transtornos e por isso decidiu iniciar já a obra. "Depois faço a legalização”, disse, acrescentando que os fiscais da administração municipal já haviam embargado antes a obra.

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