Cultura

Construção do novo museu atrasa recuperação de peças

Fernando Neto | Mbanza Kongo

Jornalista

O atraso na construção de um novo Museu dos Reis do Kongo, em Mbanza Kongo, Zaire, está a impedir o início do processo de recuperação de 20 mil peças arqueológicas, pertencentes à cultura Kongo, espalhadas por vários países da Europa, informou, esta segunda-feira, o director ajuntou da instituição.

19/04/2022  Última atualização 09H15
© Fotografia por: Garcia Mayatoko | edições novembro | Mbanza Kongo

Garcia Katendi disse que além das 45 peças museológicas expostas no museu, existem outras 50 que foram recuperadas a nível local e actualmente estão guardadas no Centro histórico de Mbanza Kongo, por falta de espaço no actual Museu dos Reis do Kongo.

"O Museu dos Reis do Kongo tem ainda muitas peças dispersas pela província e além fronteiras. Aguardamos que se cumpra a promessa de construção de um novo museu, para começar a recuperar as 20 mil peças espalhadas além-fronteiras e também expor os artefactos recuperados dos populares”, disse.

As peças que estão no exterior, adiantou,  já foram localizadas em vários países da Europa, entre os quais Portugal, Espanha, França e Itália. "Já foram feitas as negociações com os governos destes países, mas a UNESCO aconselhou o governo angolano a aguardar pela construção do novo museu, para as albergar", contou.

Quanto as demais peças em posse de cidadãos nacionais, Garcia Katendi sugere a criação de uma política de estímulo, capaz de levar estes a entregarem os artefactos. "Muitas peças arqueológicas ainda estão em casas de diversos cidadãos, mesmo que alguns os tenham entregues de forma voluntária”, avançou.

 Monumentos e sítios

Em relação ao estado actual dos 46 monumentos e sítios do Zaire, o Jornal de Angola soube que 32 carecem de um trabalho profundo para a requalificação e preservação.

A lista de monumentos que merecem a atenção urgente destacam-se a Ponta do Padrão, onde aportaram as caravelas em 1482, com os primeiros colonos portugueses, os Portos Rico e do Mpinda, no município do Soyo, e as 12 fontes de água, em  Mbanza Kongo.

A directora do gabinete provincial da Cultura, Turismo, Juventude e Desportos do Zaire, Nzuzi Makiese Kadi, assegurou que existem alguns projectos para a requalificação destes monumentos e sítios, entre os quais está também incluído as quedas do rio Mbridge (no município do Kuimba).

Os 14 monumentos do Centro Histórico de Mbanza Kongo, elevado a Património Mundial da Humanidade, foram alvo de requalificação em 2017, com realce para as ruínas do Kulumbimbi, o cemitério dos Reis do Kongo e de Álvaro Buta e o Fortim (antiga prisão colonial).

Sobre as fissuras que ameaçam a estrutura do Kulumbimbi, Nzuzi Makiese Kadi informou que o processo está em estudo e pode ter uma intervenção profunda no futuro, mas falta consenso entre os especialistas. "Falta apenas os especialistas chegarem  a acordo sobre os critérios de intervenção, uma vez que uns defendem a requalificação total da estrutura e outros discordam”, avançou.

 

Divulgação e rentabilização  

O chefe da área de Conservação e Investigação Científica do Comité de Gestão Participativa do Centro Histórico de Mbanza Kongo, Avelino Manzuete, reconhece que desde a elevação da região a Património da Humanidade o processo de divulgação e rentabilização dos diversos monumentos e sítios está parado.

Para Avelino Manzuete, a crise financeira mundial e a pandemia da Covid-19 foram os principais entraves, apesar de terem sido já formados 40 guias turísticos em 2019, realizados programas radiofónicos para a divulgação do referido Centro Histórico de Mbanza Kongo.

"Os colóquios, palestras e debates radiofónicos realizados, bem como as visitas às escolas e igrejas, não têm sido o suficiente para a divulgação e promoção dos monumentos e sítios entre a população”, disse, acrescentando que é preciso um trabalho mais profundo junto de instituições da sociedade civil.

"Precisamos trabalhar com a população sobre a importância da preservação e valorização dos sítios históricos, visando, depois da requalificação de alguns, a arrecadação de receitas através do turismo”, acrescentou.

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