Cultura

Conjunto Angola 70 reaparece na “reabertura” do Cine São Paulo

Gil Vieira

Jornalista

A noite de sábado teve um sabor nostálgico e diferente para os moradores dos bairros São Paulo, Operário, Rangel, Marçal, Sambizanga e outros adjacentes, que se dirigiram ao Cine São Paulo para presenciar, de perto, a reabertura de actividades culturais daquele espaço, que já proporcionou momentos inolvidáveis de alegria aos habitantes daquela zona e não só.

17/06/2024  Última atualização 08H23
© Fotografia por: Arsénio Bravo| Edições Novembro

O evento, que protagonizou esta nova fase, foi a inauguração do festival de cinema, dança e música "O Futuro já era", promovido pelo instituto alemão Goethe.

A actividade vai decorrer até 28 de Julho, em alusão ao 15º aniversário do Instituto Goethe em Angola. As "hostilidades sonoras"  da histórica casa de entretenimento foram abertas pelo Conjunto "Angola 70”, que transportou as cerca de mil pessoas presentes a uma viagem nostálgica ao século XX, através da música popular urbana.

Durante uma actuação de 1h30, o público queria mais, ao cantar, gritar e aplaudir fortemente após a interpretação de cada música.

O reavivado Conjunto Angola 70, integrado por Teddy Nsingi (viola solo),  Raúl Tolingas, Joãozinho, Botto Trindade (também viola solo), Dulce Trindade (viola ritmo), Mias Galhetas (viola baixo), Bucho Martins (bongós) e Legalize (vocalista) revisitaram temas de grandes referências da música popular urbana angolana. Brando foi convidado para participar e dedilhar "Agarrem" e "Pica o dedo".

No concerto, os temas instrumentais estiveram em destaque, com Teddy Nsingi e Botto Trindade a repartirem as músicas, grande parte das quais obras com as malhas sonoras de Marito e Zé Keno, com o segundo a executar as autorais "Tapioca" e "Benguela Libertada".

Legalize interpretou David Zé, Os Kiezos, Urbano de Castro e Óscar Neves em "Sofredora", "Ché ché mãe", "Semba Avô", "Avenida Brasil" e outros sucessos, que foram aplaudidos pelo público durante todo o concerto.

A abertura do festival contou, igualmente, com a inauguração de uma exposição fotográfica, do artista angolano Walter Fernandes, que apresentou mais de 30 retratos de salas de cinemas de Angola, localizadas em várias províncias do país.

A directora do instituto alemão Goethe, Julia Schreiner,  reiterou que há 70 anos a instituição tem como missão a promoção do diálogo entre os mais diversos povos do mundo, através das artes.  A responsável afirmou que, por isso, é fundamental a comemoração dos 15 anos de parceria com Angola, com a junção de artistas nacionais e alemães.

Por outro lado, a directora do Gabinete Provincial da Cultura, Teresa Tatiana Mbuta, em representação do governador de Luanda, Manuel Homem, disse que o festival "O Futuro já era" representa a celebração da diversidade cultural e torna-se num espaço de intercâmbio entre várias entidades culturais, de partilha de ideias e fortalecimento do diálogo, de forma a se encontrarem as melhores soluções para os problemas diários.

Teresa Tatiana Mbuta reafirmou o compromisso do Governo Provincial de Luanda (GPL) no sentido de prestar apoio ao desenvolvimento da cultura na província, agradecendo, de seguida, ao Instituto Goethe por escolher Angola para a expansão do projecto.

À saída do encontro, o músico Legalize, após a actuação com o Conjunto Angola 70, declarou que a reabertura do Cine São Paulo foi um momento muito importante, por conta da escassez de espaços para os artistas se apresentarem.

Para Legalize, é fundamental que a casa seja reaberta oficialmente, de forma a cumprir com o objectivo pelo qual foi criado, que é o de promover as disciplinas artísticas, sobretudo o Cinema. O artista felicitou, também, o Instituto Goethe pelo aniversário e pelo empenho na união dos povos através das artes.

A inauguração do festival "O Futuro já era", promovido pelo Instituto Goethe, contou com a participação do público, entre angolanos, cidadãos alemães e de muitas outras nacionalidades, que deram uma nota positiva ao evento, sobretudo por proporcionar um momento gratuito de intercâmbio cultural.

Na agenda consta  mais de 60 actividades, onde vão participar vários artistas nacionais e alemães.

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