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Comunal do Cuale: Postal da aldeia do Cassefu

Francisco Curihingana | Malanje

Jornalista

Engana-se quem pensa que viver numa aldeia rural representa o fim de tudo. Apesar de algumas limitações que têm a ver com a energia eléctrica, água potável, dentre outras, a verdade é que os aldeões depois das tarefas do campo têm como ocupar o seu tempo livre.

28/08/2022  Última atualização 12H26
© Fotografia por: Francisco Curihingana | Edições Novembro | Malanje

É o caso de Manuel da Costa Luamba. Encontrámo-lo no bairro Cassefu, a pouco menos de 10 quilómetros da sede comunal do Cuale, município de Calandula.

Foi numa tarde de domingo. Os jovens da aldeia encontravam-se perfilados no campo de futebol. A anteceder a partida amigável entre a formação do bairro vizinho, Canda, e a equipa local, houve animação com música e dança.

A dança entretém a assistência e é motivo para atrair mais assistentes da aldeia e vizinhos.

"Já foram para se equipar. Daqui a nada já vão chegar no campo para o futebol”, disse Manuel da Costa, o nosso primeiro interlocutor.

O jovem Manuel Luamba logo que nos viu a estacionar a viatura, idos do vizinho município de Massango, apresentou-nos o seu sorriso como cartão de visita e tão logo começou por nos prestar informações sobre a aldeia.

Vimos a azáfama de gente que aguardava pela partida de futebol. Curiosos, achamos por bem aguardar.

De repente, aparece o capitão da equipa visitante. Chama-se Joca. Confirmou à nossa reportagem a vontade dos jovens fazerem mais, só que, segundo disse, "faltam meios como bolas, equipamento e outros materiais necessários, que nos impedem de desenvolver”.

Joca acrescentou que a sua equipa tem muitos talentos, "só mesmo a falta de apoios é que nos limita. Por exemplo, lá no nosso bairro Canda tem uma grande empresa, a Unicanda, mas não aposta em nós. Se eles apostarem, pode crer, nós iremos longe”.

Manuel Agostinho Cadiango Dala quer que as autoridades administrativas dêem solução à questão ligada aos transportes.

"Cada um aqui tem a sua lavra. Trabalhamos, mas a nossa produção por vezes se estraga nas lavras por falta de transportes. Estamos a pedir ao Governo para nos ajudar com meio de transporte, porque assim, poderemos nos deslocar à cidade para vender a nossa produção e comprarmos o essencial”, disse.

Filipe Samuel Dala conta  27 anos de idade. Aponta a falta de água potável como a principal preocupação. "As mulheres aqui sofrem muito. Para acarretar a água têm de se deslocar para mais de 5 quilómetros, no rio. Também não temos energia eléctrica. Tudo isso contribui para o nosso atraso”, salientou Filipe, que considerou ter conquistado bons resultados na produção agrícola.

"Temos muita produção, mas, para sairmos daqui o problema é a alta dos preços cobrados pelos taxistas que fazem esta via. Isso nos complica”, disse.

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