Política

Complexo Hospitalar em melhores condições para atender doentes

César Esteves

Jornalista

O Hospital Sanatório de Luanda, durante muitos anos considerado "corredor da morte", dadas as condições precárias de que dispunha na altura, goza, desde terça-feira (30), de melhores condições para um atendimento mais humanizado aos doentes do foro cardiopulmonar, fruto das obras de reabilitação e ampliação.

01/12/2021  Última atualização 09H25
Presidente João Lourenço visitou, ontem, durante quatro horas, os vários compartimentos da nova unidade hospitalar © Fotografia por: KINDALA MANUEL | EDIÇÕES NOVEMBRO
Denominado, agora, Complexo Hospitalar de Doenças Cardiopulmonares Cardeal Dom Alexandre do Nascimento, a unidade sanitária, que viu aumentar o número de camas de 250 para 500, foi inaugurada pelo Presidente da República, João Lourenço, e pelo seu patrono, Cardeal Dom Alexandre do Nascimento.

As obras de reabilitação e ampliação do hospital tiveram início em Março de 2018, depois da visita à unidade, a 15 de Dezembro de 2017, do Presidente da República, pouco depois de ser investido nas funções.

Não tendo gostado do que viu, o Chefe de Estado orientou a imediata reabilitação, ampliação e apetrechamento da unidade sanitária, de modo a dar maior dignidade aos pacientes e aos funcionários.

A unidade hospitalar não beneficiava de obras de reabilitação desde 1972, altura em que foi inaugurada. Após o corte da fita, o Presidente da República efectuou, acompanhado da Primeira-Dama da República, Ana Dias Lourenço, do Vice-Presidente da República, Bornito de Sousa, e de outros membros do Executivo, uma visita guiada a várias áreas da unidade hospitalar, para se inteirar da sua capacidade.

No termo da visita, de cerca de quatro horas, disse ter valido a pena a sua deslocação às antigas instalações do hospital, em Dezembro de 2017.  "Na altura, muitos não entenderam como é que um Chefe de Estado visita um sanatório, pelo tipo de doenças que trata e, pior ainda, um sanatório num estado altamente degradado", destacou.
Disse ter sido a partir dessa visita que nasceu a luz para orientar as obras de reabilitação, ampliação e apetrechamento do hospital. "Ao fim de pouco mais de dois anos, exactamente dois anos e meio, temos este hospital que a todos orgulha, pelas capacidades e serviços que oferece aos angolanos, que, lamentavelmente, ao longo de muitos anos eram encontrados apenas além-fronteiras", realçou, tendo acrescentado que as despesas desses doentes eram suportadas pelo Estado.

Depois do investimento em instalações de hemodiálise, para tratamento de doentes renais, que mais levava pacientes para o exterior do país, o Presidente disse que era altura de prestar, também, atenção ao tratamento de outros órgãos vitais para a vida humana, como o coração e o pulmão.  

"E esta unidade hospitalar vem dar, precisamente, resposta à necessidade de tratarmos, aqui no nosso país, os cidadãos angolanos com patologias ligadas ao coração e ao pulmão", destacou. O Presidente esclareceu que o Complexo Hospitalar de Doenças Cardiopulmonares Cardeal Dom Alexandre do Nascimento faz parte da rede pública de saúde e disse que os doentes que forem transferidos para lá vão ser bem tratados, não só pelas condições de que dispõe, mas, sobretudo, pelo calor humano que vão encontrar da equipa médica.

O corpo médico da instituição é, maioritariamente, composto por jovens formados em Angola, situação que deixou o Presidente maravilhado. A uma pergunta se o novo Hospital Sanatório está à altura de lhe receber como paciente, o Presidente respondeu positivamente. Disse que o nível daquela unidade hospitalar, sem desprimor às outras existentes no país, "dá uma grande segurança".

"Não podemos dizer que antes disso tudo era mau. Isso não é verdade, mas, com certeza, este dá uma grande segurança", realçou.

Indústria farmacêutica

O Presidente reconheceu a necessidade da criação de capacidade técnica e financeira para evitar a falta de consumíveis e gastáveis àquela e outras unidades sanitárias espalhadas pelo país, com nível de consumo muito alto.
"Eu garanto que vamos fazer tudo para não deixar cair o nível destas grandes unidades", prometeu o Presidente, para quem seria uma pena deixar cair o nível de atendimento já conseguido a favor das populações.

Disse que constitui preocupação do Executivo a construção, no país, de uma indústria farmacêutica. Lembrou que Angola já teve um embrião de indústria farmacêutica - referindo-se à Angomédica -, mas disse ter morrido, obrigado que se comece, agora, do zero. "Mas vamos fazê-lo de forma diferente", frisou.

O Presidente disse que o investimento para a construção da indústria farmacêutica não vai ser público, estando, por isso, a atrair investidores privados nacionais ou estrangeiros, para investirem na produção  de medicamentos, vacinas, material gastável e tudo que os serviços de saúde, quer público, quer privado, necessitam no país.
O Presidente da República esclareceu a atribuição do nome do Cardeal Dom Alexandre do Nascimento à unidade sanitária, por ter sido alguém que dedicou parte da sua vida à causa dos angolanos.

Disse que, enquanto líder religioso e presidente da Caritas Angola, dedicou muito tempo da sua vida a cuidar daqueles que mais sofriam e necessitavam de uma mão amiga. "Foi um cidadão patriota dedicado à causa dos angolanos e que dedicou toda a sua vida a procurar minimizar o sofrimento do ser humano", destacou.

OMS felicita Executivo pela reabilitação e ampliação da unidade
A representante  da OMS em Angola, Djamila Khady Cabral, felicitou o Executivo pela reabilitação e ampliação do hospital e disse que o mesmo espelha o lugar que o sector da Saúde ocupa nas atenções do Governo. "Mostra o interesse que o Governo tem em melhorar o sistema de saúde”, ressaltou.     
 
O Hospital Sanatório de Luanda foi inaugurado em 1972 como estabelecimento público de saúde da rede hospitalar de referência nacional integrado no Serviço Nacional de Saúde, para prestar assistência médica, medicamentosa e de enfermagem diferenciada aos pacientes com doenças de natureza cardio-pulmonar infecciosas.

Com a reabilitação e am-pliação, passou a dispor de cinco torres de quatro pisos com serviços variados, estando o edifício antigo, da era colonial, completamente reabilitado e modernizado.

A unidade hospitalar conta com 500 camas, sendo 300 na área de reabilitação e ampliação, das quais 252 com pressão negativa, 48 com pressão positiva e negativa com capacidade de realizar hemodiálise. Conta com um banco de urgência com oito quartos de isolamento, uma sala para emergências médicas, de cirurgia, de Raio X, laboratório de urgência, duas unidades de cuidados intensivos com 36 camas, unidade de cirurgia cardíaca e bloco operatório.
Conta, igualmente, com área de simulação médica, técnica, bem como arranjos externos e vias de acesso. Possui um estacionamento para 450 viaturas. Vai prestar serviços de alta complexidade nas especialidades de cirurgia cardíaca, vascular e toráxica e outras.

A empreitada, a cargo da empresa OMATAPALO, empregou 1.853 trabalhadores, sendo 1766 angolanos e 87 estrangeiros. A unidade vai ser dirigida por Carlos Alberto Masseca.

A ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, disse que o novo Sanatório de Luanda, durante muitos anos chamado de corredor da morte, está agora transformado em um corredor da vida. Referiu que o hospital vai dar dignidade aos pacientes com doenças cardiorespiratórias.



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