Opinião

Como foi 2022

Juliana Evangelista Ferraz |*

Estamos em Dezembro, e o mundo foi marcado por acontecimentos que afectaram as várias economias em termos políticos, económicos e sociais, em destaque, a persistência da pandemia da Covid-19; Conflito entre Rússia e a Ucrânia; Valorização e desvalorização do dólar face ao Euro; Oscilação do preço do barril do petróleo; Conferência da COP 27 que tratou sobre as preocupações com clima.

06/12/2022  Última atualização 06H50

A moeda americana apresentou sinais de fortalecimento face ao Euro, e pela primeira vez em vinte anos o Euro teve uma cotação inferior ao dólar, sendo que vários analistas apontaram como uma das principais causas desta valorização do dólar, o conflito entre a Rússia e a Ucrânia que persiste e está a impactar negativamente diversos sectores da vida económica e social de vários países do mundo. Assim, é também importante reforçar a análise do efeito da guerra sobre um conjunto de sectores, como por exemplo, saber a influência da crise política no preço dos alimentos, a destacar o preço do trigo e seus derivados, situação esta que, segundo analistas, criou consequências no custo dos alimentos à escala global.

Esta situação de aceleração do preço do trigo suscitou a alteração de outras commodities, nomeadamente (cereais, soja e milho) também muito influenciadas pela crise alimentar verificada um pouco por todo o mundo decorrente da pandemia da Covid-19. Para além das questões ligadas à produção e distribuição desta commodity, há um conjunto de variáveis que podem pôr em causa o crescimento económico mundial, em consequência da subida do preço do brent, e aumento da inflação. Esta posição mobilizou vários Estados a tomarem decisões políticas e medidas para estabilizar a inflação e a espiral de preços nos alimentos, medidas consubstanciadas num controlo mais rigoroso sobre a subida dos preços.

O Dólar e o Euro fazem parte do raking das moedas mais valorizadas a nível mundial, portanto, os aspectos nefastos que têm causado a desvalorização competitiva das moedas à custa das restantes economias. Nas relações económicas entre a China e o velho continente; A defesa do Euro; é importante para que se mantenha a valorização do Yuan, para que as condições de comércio internacional possam beneficiar as diversas economias. Sublinha-se, por outro lado, as políticas de desvalorizações artificiais e competitivas de moedas, para tornarem os seus produtos mais competitivos, o que em nada abona para o comércio.

Ainda num clima de prosperidade, o petróleo voltou a ser notícia depois do preço do barril do Brent ter registado uma desaceleração e, situou-se muito próximo dos 84,39 USD nos primeiros dias do mês de Dezembro, sendo que em Novembro o preço situou-se perto dos 94,43 USD nos mercados internacionais. Apesar da ligeira queda do preço, existe a tendência da procura do petróleo a escala global. Portanto, a procura aumentou a uma velocidade maior do que a oferta, o que fez com que um pequeno aumento ou redução ligeira da produção tivesse um impacto considerável no preço final, daí a volatilidade do preço desta commodity.

A retoma das actividades por parte de muitos países a um ritmo maior que o esperado elevou substancialmente o consumo de gás natural, sem que a oferta acompanhasse a mesma velocidade, o que se traduz que os países têm conseguido implementar os seus programas com acções de recuperação previstos no período pós pandemia.

Na interdependência dos problemas que afectam o mundo concorre também a crise climática global, que mereceu destaque na Conferência da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP27) num contexto geopolítico particularmente tenso, em que a conferência se centrou nas principais reivindicações do continente africano e dos países mais vulneráveis aos impactos climáticos que querem ver tratados, temas que vão do financiamento, adaptação e perdas e danos.

As discussões foram dedicadas à aplicação do Acordo de Paris, assinado no final da COP21, em 2015, e em particular à questão do financiamento dos países ricos aos países pobres, necessário para que estes se adaptem ao aquecimento global, financiamento esse, ainda não alcançando, ou seja os 100 bilhões de dólares prometidos em 2009 não foram realizados.

Dadas as actuais tensões geopolíticas, os observadores referem  que não basta assinar o acordo de Paris para resolver o problema do aquecimento global. De facto, o acordo apenas obriga os Estados a publicar sua política climática, mas não que seja suficiente ou mesmo implementada. O mesmo vale para os múltiplos compromissos com a neutralidade de carbono, que não são objecto de um tratado juridicamente vinculante e carecem de credibilidade.

 

Juliana Ferraz * Economista

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