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Comissão de inquérito à invasão do Capitólio iniciou hoje audiências

A comissão de inquérito ao ataque ao Capitólio dos EUA iniciou hoje as audiências, centrando-se nas acções de violência contra os polícias atacados e nas críticas aos congressistas que tentaram evitar esta investigação.

27/07/2021  Última atualização 17H13
© Fotografia por: DR

"Nenhum congressista deve tentar defender os impedimentos indesculpáveis a esta investigação, nem reescrever o que aconteceu naquele dia", disse Liz Cheney, republicana da Câmara de Representantes, numa posição isolada do seu partido, mas acompanhada pelos congressistas democratas.

A bancada democrata não poupou acusações ao Partido Republicano e aos argumentos para tentar evitar a nomeação da comissão de inquérito que vai investigar os acontecimentos de 06 de Janeiro, quando apoiantes do ex-Presidente Donald Trump invadiram o Capitólio, procurando obstaculizar a contagem de votos do Colégio Eleitoral das eleições presidenciais de 2020.

"Vamos contar essa história desde o início", disse o membro democrata por Maryland Jamie Raskin, que integra esta comissão, pedindo para que sejam averiguadas particularmente as acções criminosas contra os polícias do Capitólio que foram vítimas dos atacantes.

Harry Dun, um dos polícias do Capitólio que já depôs em outras investigações à invasão à sede do Congresso, lembrou que os agressores gritaram insultos racistas e atacaram-no em combate corpo-a-corpo, enquanto alguém o segurava.

A primeira audiência da comissão ocorre quando as tensões entre os dois partidos aumentam de tom, com os democratas a invocar a necessidade de apurar todas as responsabilidades, nomeadamente políticas, para além dos inquéritos judicias que estão em curso.

"O que realmente queremos tentar comunicar durante a audiência é como foi estar na linha de frente para esses bravos polícias", disse o presidente do Comité de Inteligência da Câmara, Adam Schiff, um dos membros da comissão.

O presidente da comissão de inquérito, Bennie Thompson do Mississippi, disse que a audiência "definirá o tom" da investigação, que examinará não apenas o papel de Trump na insurreição, mas também os grupos de direita envolvidos na coordenação antes do ataque, incluindo os supremacistas brancos.

A comissão também analisará as falhas de segurança que permitiram que centenas de pessoas violassem o Capitólio e ameaçassem a vida dos congressistas e até do ex-vice-Presidente, Mike Pence, que se encontrava na sede do Congresso.

A criação da comissão esteve mesmo em risco, quando o líder da minoria republicana na Câmara de Representantes, Kevin McCarthy, que se manteve próximo de Donald Trump desde a invasão do Capitólio, ameaçou negar a participação de qualquer membro do seu partido.

No início da audiência de hoje, McCarthy voltou a classificar esta comissão como uma "farsa" e disse que a líder da maioria democrata, Nancy Pelosi, só quer que sejam aceites as perguntas que "ela quer que sejam feitas".

Ainda hoje, um grupo de congressistas republicanos tenciona dar uma conferência de imprensa para denunciar a forma como alguns dos invasores do Capitólio foram detidos, considerando-os "prisioneiros".

 

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