Economia

Comércio e distribuição registam quebras de 30% nos negócios

Victorino Joaquim

Jornalista

O sector do Comércio e Distribuição registou, no primeiro semestre deste ano, um volume de negócios acima dos 200 mil milhões de Kwanzas, um decréscimo de 30 por cento comparativamente ao período homólogo do ano passado.

24/07/2020  Última atualização 13H26
DR © Fotografia por: A distribuição desempenha um papel fundamental para o crescimento e desenvolvimento do sector produtivo e industrial

Os dados foram avançados ao Jornal de Angola pelo presidente da Associação de Empresas de Comércio e Distribuição Moderna de Angola (Ecodima), Raul Mateus, que apontou o surgimento da pandemia da Covid-19, como sendo o factor que tem causado o decréscimo do volume de negócios entre os associados.

Em 2016, a Ecodima tinha 30 membros, mas, hoje, o número de associados mais do que duplicou, tendo agora acima de 70 associados inscritos, número que representa mais de 351 estabelecimentos comerciais, mais de 454 mil metros quadros de área de exposição de venda que absorvem cerca de 20 mil trabalhadores.

Segundo o gestor, esses indicadores fazem do sector o segundo maior empregador em Angola e o segundo maior contribuinte fiscal a seguir do sector petrolífero. Para o líder empresarial, o sector da distribuição desempenha um papel fundamental para o crescimento e desenvolvimento do sector produtivo e industrial e, consequentemente, para o crescimento da economia nacional.

Impacto negativo

De acordo com o presidente da Ecodima, tal como em outros sectores da economia, a pandemia da Covid-19 causou um impacto negativo em quase todas as esferas do sector do comércio e distribuição. Na maior parte das empresas destes sectores registou-se o agravamento do desemprego causado pela baixaram dos níveis de produção, consequentemente, baixou os níveis de arrecadação de receitas.

Algumas micros, pequenas e média empresas viram-se obrigadas a fechar às suas portas para evitar o endividamento.As grandes superfícies comerciais deparam-se com a falta de liquidez, de clientes e de produtos. Os níveis de consumo têm vindo cada vez mais a baixar, fruto da perda do poder de compra dos salários.

Por outro lado, as medidas de confinamento e distanciamento social também influenciam negativamente no bom desempenho das empresas. “O impacto da pandemia tem sido tão desastroso que veio agudizar ainda mais a falta de dinheiro que antes ocorria por uma desvalorização da moeda superior a 250 por cento nos últimos anos”, frisou. Para aliviar o impacto negativo da pandemia, Raul Mateus defende a injecção de dinheiro na economia para que haja maior consumo.

“A economia de qualquer país depende muito dos níveis de consumo e conforme ensina a ciência económica, sem liquidez não há consumo, por esta razão, temos de injectar recursos à economia e, consequentemente, nas famílias para que haja geração de riquezas”, salientou Raul Mateus. De acordo com o gestor, o poder de compra caiu pela metade e o desemprego formal aumentou.

“Hoje, a população não consegue manter a mesma qualidade de vida que tinha há poucos anos. Regista-se uma redução de quase 50 por cento do volume de vendas face à retracção do consumo determinada pelo aumento do custo de vida”.

Contributo fiscal

Com 72 empresas angolanas constituídas à luz do Direito Angolano e que actuam em seis ramos de actividades, nomeadamente, distribuição alimentar e não alimentar, farmacêutica, de equipamentos electrónicos e consumíveis, de móveis e decoração, distribuição de têxteis, vestuários e calçados e de materiais de construção, a Ecodima, segundo o seu presidente, apresenta-se como um parceiro credível do Estado.

Propostas de alívio

Por esta razão, acrescenta, a Ecodima apresentou ao Executivo uma série de propostas de elevada profundidade e necessárias para a estabilidade da situação económica que o país atravessa, bem como reduzir consideravelmente o impacto nefasto da actual situação económica na vida dos cidadãos de modo geral e dos consumidores, em particular.

De um pacote de 96 propostas apresentadas, as quais mereceram a atenção do Executivo, destacam-se, entre elas, a do Projecto de Apoio ao Crédito, implementação do IVA, reformas no quadro regulamentar do comércio, lei das facturas e documentos equivalentes e proposta de alívio fiscal. Raul Mateus, que foi reconduzido o ano passado para um segundo mandato como presidente da Ecodima, considera essencial manter o controlo dos custos de produção para que se possa praticar preços baixos.

Relativamente à necessidade de maior consumo de produtos nacionais, visando incentivar a diversificação da economia, o gestor garantiu que existe uma incidência acima de 45 por cento de produtos nacionais em exposição, com maior destaque para produtos agrícolas, pecuários, de higiene e limpeza, pescas, lacticínios e alguma transformação agro-alimentar. “O sector da distribuição vem fazendo bem esse papel. Mas ainda há um longo caminho a percorrer”, finalizou.

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