Economia

Comerciantes apelam à flexibilidade no crédito

Mateus Cavumbo

Jornalista

Os comerciantes de Luanda almejam obter crédito em montantes mais elevados e não inferiores a 250 mil kwanzas, uma proporção que favorecia os seus negócios, indica os “Inquéritos de Inclusão Financeira nos Mercados Informais de Luanda”, divulgados em finais de Outubro último, pelo Conselho Nacional de Estabilidade Financeira (CNEF).

15/11/2020  Última atualização 12H21
A maioria dos comerciantes não efectua transações on-line © Fotografia por: DR
O estudo refere que os montantes entre 100 e 250 mil kwanzas são os mais almejados pelos comerciantes devedores (18 por cento) e não devedores (19 por cento). Para os comerciantes devedores e não devedores, o banco é o credor mais desejado, mas esse interesse é maior entre os não devedores (66,3 por cento), sendo a segunda fonte credora mais almejada é a pessoal e é também a mais desejada pelos devedores (31,5 por cento).

Os comerciantes que têm dívidas pretendem contrair crédito para investir no seu negócio (70,1 por cento), pagar despesas familiares (10,2 por cento) e despesas de saúde (7,3 por cento) e os que não estão endividados gostariam de obter crédito para investir no seu negócio (77,8 por cento) e pagar despesas de saúde (5,7 por cento).

O estudo constatou que a maioria dos comerciantes não tem interesse em obter crédito. No entanto, aqueles que têm dívidas são mais propensos a fazê-lo (35 por cento) do que os que não estão endividados (28 e 54 por cento dos comerciantes com dívidas e sem dívidas gostariam de obter outro crédito).


Poupança
Os comerciantes que estão endividados (63 por cento) poupam mais do que aqueles que não têm dívidas (56 por cento);
A poupança caseira é o método de poupança mais utilizado por devedores (46,1 por cento) e não devedores (49,9 por cento);
Com o propósito de gerar poupança, os comerciantes que não têm dívidas (32,2 por cento) fazem mais depósitos bancários que os devedores (28,5 por cento) e estes recorrem mais à kixiquila.

Dívida por área
O grau de endividamento é baixo em todas as áreas, não ultrapassando os 35 por cento. As áreas onde mais comerciantes estão endividados são: Animais Vivos (35 por cento), Comércio (31 por cento) e Comes e Bebes (30 por cento). Inversamente, Moagens (5 por cento), Zunga/Roboteiros (8 por cento) e Frescos (12 por cento) são as áreas onde há menos devedores.

O estudo apurou que há mais devedores entre grupos etários de 55-59 (22 por cento), 35-39 (19 por cento), 45-49 (19 por cento) e 25-29 (18 por cento) e há menos devedores entre 60-64 (7 por cento), 15-19 (15 por cento), 30-34 (15 por cento), 40-44 (15 por cento) e 65 (15 por cento).

Dentre os comerciantes devedores, 52,4 por cento solicitaram crédito para investir no seu negócio,  14,7 por cento, para pagar despesas de saúde e 8,7 por cento, para comprar bens alimentares.  
Dentre os comerciantes não devedores, 58,1 por cento solicitaram crédito para investir no seu negócio, 11,1 por cento, para pagar despesas familiares e 10,5 por cento, para pagar despesas de saúde.


Acesso à Internet

Apenas 35 por cento dos inquiridos têm acesso à internet e o telemóvel (84 por cento) é a principal ferramenta de acesso, 95 por cento dos comerciantes não efectuam transacções online.
Daqueles que efectuam operações online, 31 por cento fazem transferências, 18 por cento compram produtos e 13 por cento realizam pagamentos.

O BAI Directo (40 por cento) e o BFA App (36 por cento) são os aplicativos mais utilizados para a realização de transacções online, mas os estudos do CNFE atestam que 28 por cento dos comerciantes almejam vender os seus produtos online.

A taxa de bancarização nos mercados anda à volta de 36,7 por cento e 69 por cento dos comerciantes não bancarizados gostariam de ser titulares de uma conta bancária e 87,2 por cento nunca se sentiram lesados pela banca.
Os que já  se sentiram prejudicados, 48,8 por cento reclamaram e 61,5 por cento consideram que a sua situação não ficou resolvida e 91,5 por cento apresentaram reclamações, 3,7 por cento ao INADEC e 4,9 por cento noutras instituições.

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