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Comboio turístico a caminho do Lobito

"Esta viagem pelo Corredor do Lobito é oportuna, porque vai permitir identificar o potencial turístico, ambiental e cultural da região. É óptimo ter oportunidade de receber na nossa cidade este safari de comboio trans-africano", disse ao Jornal de Angola o agente de turismo Mário Brás.

27/07/2019  Última atualização 00:00
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O interlocutor destacou a ligação da actividade turística a diversas atracções que a província de Benguela pode proporcionar aos visitantes, com realce para a área cultural e o seu impacto directo no consumo.
“Esta é uma nova era que se abre para a nossa cidade que é bastante acolhedora”, garantiu.
Na óptica do operador turístico, a digressão pode resultar em pesquisa do potencial da região, tendo em conta que a diversidade estimula a criatividade dos empresários. Mário Brás acredita que, na sequência de actividades semelhantes, abre-se a possibilidade de empresários instalarem os negócios ao longo do Corredor do Lobito.
Com vasta tradição como destino turístico, Lobito tem recebido vários navios de cruzeiros, preparando-se agora para acolher o Comboio Turístico de Luxo, cujos 50 ocupantes de várias nacionalidades vão tomar contacto directo com a cultura local.
Para o lazer dos visitantes, os lobitangas fazem questão de mostrar os Flamingos que ocupam lugar de destaque na fauna animal da localidade. Estão, igualmente, previstas visitas a locais históricos, actividades de entretenimento, jantar com frutos do mar, dança e momentos de moda, segundo revelou Mário Brás.
A também designada sala de visitas da província de Benguela é hoje uma cidade que beneficia de melhorias substanciais nos seus jardins e serviços básicos. Foram colocados novos cabos eléctricos para melhorar a qualidade de distribuição da energia e serviços afins. A urbe tem, em pleno funcionamento, os principais serviços, como restaurantes, centros comerciais, supermercados, livrarias, bancos lavandarias e ginásios.
O professor universitário José Bocassa valoriza a possibilidade dos turistas tomarem contacto com o potencial económico da região e perceberem que a partir do Porto Lobito (que é banhado pelo Oceano Atlântico) podem exportar ou importar mercadoria para qualquer parte do mundo.
O docente considera que "o CFB representa estrategicamente uma mais valia na interligação com várias regiões do continente, devido ao potencial de desenvolvimento do Corredor do Lobito, que envolve o porto local e o Aeroporto Internacional da Catumbela".
À guisa de incentivo, o académico lançou o repto ao empresariado local, no sentido de agarrar as oportunidades.
"O futuro de Angola passa pela aposta no turismo. É altura dos pequenos empreendedores começarem a pensar seriamente neste segmento de negócio, que pode ser muito lucrativo se tiverem faro na procura da oportunidade. Empreendimentos nesta área vão retirar milhares de jovens do desemprego e criar empresas que beneficiam as pessoas. Localmente, devemos ter espírito de missão, para tirar o maior proveito possível da passagem desta importante caravana".
As principais infra-estruturas de transporte que integram o Corredor do Lobito são o Porto do Lobito, Caminho-de-Ferro de Benguela e o Aeroporto Internacional da Catumbela. Complementam a importante via de circulação de pessoas e bens os aeródromos provinciais de Benguela, Huambo, Cuito e Luena.
O Corredor do Lobito facilita o acesso ao mar às províncias do Huambo, Bié e Moxico, além das regiões fronteiriças da RDC e da Zâmbia. Constitui o eixo de exportação mais económico para os recursos minerais destes dois países, rumo à Europa e América. No sentido inverso, permite igualmente a importação de mercadorias para a sub-região Litoral da SADC.

História e vantagens do CFB

O Caminho de Ferro de Benguela (CFB) tem mais de 100 anos de história. A sua construção, com origem numa Lei de Agosto de 1899, foi iniciada a 1 de Março de 1903 e concluída a 2 de Fevereiro de 1929.
Com o fim do conflito armado o Governo de Angola, começou a recuperação da infra-estrutura em 2001. A reconstrução foi levada a cabo por uma empresa chinesa e a reabertura oficial aconteceu em 2015, com locomotivas da General Electric e vagões chineses.
O CFB tem uma extensão de cerca 1300 quilómetros, do Lobito ao Luau. A última viagem de comboio para este município foi realizada em 1983, enquanto para a fronteira com a RDC aconteceu pela última vez em 1981. O percurso até ao Luau tem cerca de 67 estações e apeadeiros.
Esta via férrea foi reabilitada com o objectivo de reduzir para metade o tempo de viagem, entre o Porto do Lobito e países como o Congo Democrático e a Zâmbia. Porém, o Corredor do Lobito ainda não surtiu os efeitos económicos esperados, tendo em conta os vários milhões de dólares investidos para a sua operacionalidade.
“O investimento foi feito precisamente para potenciar o CFB em meios e homens, a fim de melhor servir o Corredor do Lobito. É possível que este tipo de viagem turística desperte o interesse dos empresários estrangeiros em fazer uso deste importante veículo”, augurou o professor universitário José Bocassa.
“A viagem de comboio possibilita um contacto mais directo com a realidade, facto que permitirá aos turistas um conhecimento mais profundo da região. Com partida no Porto do Lobito, o Corredor atravessa o território angolano em direcção ao Leste e cruza as regiões mineiras da República Democrática do Congo, na província de Katanga, e a cintura do cobre (copperbelt) na Zâmbia”, elucidou José Bocassa.
A ligação ferroviária entre o Oceano Atlântico e o Leste de Angola pode favorecer vários sectores da economia, sobretudo a agricultura e a indústria de construção. Potencia igualmente a criação de novas empresas, ao longo do trajecto. As famílias que residem ao longo da linha férrea já podem escoar os seus produtos agrícolas, o que contribui para a redução do índice de pobreza no meio rural.
Com a abertura da linha férrea Lobito-Luau, da província de Benguela pode sair com regularidade o peixe e o sal para os consumidores de toda região do Planalto Central e além-fronteiras.
“Nas áreas mais remotas do Leste do país, onde até agora não havia estradas e onde a via-férrea foi reconstruída, as pessoas podem agora encaminhar a produção agrícola, para vender nos municípios e províncias vizinhas. O potencial é enorme. Se houver uma indústria de transformação de alimentos, podem usar a via-férrea para enviar os produtos para as cidades, para a Costa e até para exportação”, concluiu o docente universitário.

 

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