Economia

Comboio de Moçâmedes impulsiona crescimento

Domingos Mucuta | Lubango

Jornalista

A reabilitação e modernização da linha férrea, bem como das estações e dos sistemas de comunicação conferiram à empresa Caminhos-de-Ferro de Moçâmedes (CFM) pujança necessária para desempenhar a missão de transportar pessoas e mercadorias, e impulsionar o desenvolvimento económico da Região Sul, considerou, no sábado, no Lubango, capital da Huíla, o presidente do Conselho de Administração.

23/11/2020  Última atualização 05H25
Foram até aqui construídas 57 estações novas na ligação entre o Namibe e Cuando Cubango © Fotografia por: Estanislau Costa | Edições Novembro| Moçamedes
Daniel Quipaxe, que falava em exclusivo ao Jornal de Angola, sobre os avanços dos Caminhos-de-Ferro de Moçâmedes, no âmbito dos festejos de 44 anos de existência do Ministério dos Transportes, que hoje se assinala, reconheceu ainda como marca do percurso da empresa ferroviária o reforço pleno da frota de comboios com locomotivas modernas.

"Tivemos muitos avanços e, nos últimos meses, alguns recuos. Hoje, temos uma linha, totalmente, renovada e dentro dos padrões internacionais. Foram construídas 57 estações novas do Namibe a Menongue e a empresa dispõe já de 11 das 37 novas locomotivas previstas, enquanto aguarda pelas restantes”, disse.

O gestor destacou também a construção de residências ao longo da linha férrea, sobretudo nas imediações das estações ferroviárias, factor que favorece a acomodação de funcionários.
Segundo Daniel Quipaxe, a empresa foi apetrechada com novos equipamentos para as oficinas, aumentando assim a capacidade técnica de asseguramento das manutenções e reparação das locomotivas, além de responder à demanda do mercado de acessórios.


Efeitos da Pandemia

O presidente do Conselho de Administração dos Caminhos-de-Ferro de Moçâmedes explicou ter sido a empresa bastante afectada pela pandemia e como consequência viu-se reduzida a capacidade operacional em termos de transportação e passageiros.

Conforme precisou, o volume de receitas, no primeiro semestre, baixou em cerca de 108 milhões de kwanzas, pois dos 412,1 milhões apurados nos primeiros seis meses de 2019, este ano, há um registo inferior de 313,1 milhões.
Esta facturação resulta de 781 comboios realizados, contra os 2.817 do mesmo período do ano passado. O número de passageiros, transportados no período em análise, diminuiu de 700.202, em 2019, para 236.855 viajantes, em 2020.

"Está a ser prejudicial para a empresa. Estamos com restrições e, como consequência, as receitas diminuíram drasticamente, o que travou o ritmo positivo em que estava a empresa até Fevereiro deste ano, altura em que realizávamos quatro comboios semanais no troco Lubango-Menongue”, detalhou.

O PCA sublinhou que, apesar da redução de número de passageiros por conta das medidas restritivas, decretadas para travar a Covid-19, a quantidade de mercadorias transportadas, no primeiro semestre, registou, subiu para 103.603 toneladas, em 2020, contra as 72.706, em 2019.
 Autocarros entram na rota de passageiros

A entrada de 29 autocarros de transporte de passageiros nas rotas interurbanas da cidade do Lubango, província da Huíla, nos últimos meses, geraram mais de 100 postos de trabalho directos, além de uma mobilidade mais rápida e menos pressionada.

Os autocarros estão a ser operados por três operadores privados, cuja capacidade no segmento de transportação de pessoas e bens foi devidamente certificada. A iniciativa é supervisionada pelo Gabinete Provincial dos Transportes, Tráfego e Mobilidade Urbana.

Para a directora provincial do Gabinete Provincial dos Transportes, Tráfego e Mobilidade Urbana, Gracinda Gonçalves, o Sistema de Transportes Públicos Urbano da Huíla é funcional e a implementação com êxito do projecto experimental é determinante para a extensão do sistema a outras localidades da província e da Região Sul.

Gracinda Gonçalves referiu que o sistema trouxe novas exigências na gestão de transportes públicos como a definição e sinalização de paragens e horários, sobretudo no casco urbano.
A directora disse que este desafio obrigou a instalação de um sistema informático inovador, no gabinete provincial, para ajudar a controlar o tráfego das três operadoras.

"Este sistema é o primeiro passo para a evolução para um outro, que vai culminar com a digitalização do bilhete e permitir a sua integração com a das três existentes, nomeadamente a rodoviária, ferroviária e aérea.
A cidade do Lubango tem uma população estimada de mais de um milhão de habitantes e foi escolhida para implementar o Sistema de Transportes Públicos Urbano de Passageiros.

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