Política

Comandante-Em-Chefe rende homenagem ao general Kamorteiro

Edna Dala

Jornalista

O Presidente da República e Comandante–Em-Chefe das Forças Armadas Angolanas, João Lourenço, ao render, sexta-feira, a última homenagem à memória do malogrado, reafirmou, no livro de condolências, que “o general Kamorteiro fica para sempre indelevelmente ligado ao fim definitivo do conflito militar em Angola, por ter sido, em nome da UNITA, um dos signatários do Acordo de Paz para Angola, a 4 de Abril de 2002”.

03/12/2022  Última atualização 06H10
© Fotografia por: Dombele Bernardo|Edições de Novembro

"General Kamorteiro desenvolveu acção meritória na pacificação e desenvolvimento do país”, escreveu o Presidente da República.

João Lourenço, que se fez acompanhar da Primeira-Dama, Ana Dias Lourenço, depois de cumprimentar a família enlutada, curvou-se diante da urna contendo o corpo do malogrado e depositou uma coroa de flores.

O corpo do general Abreu Muhengo Ukwachitembo "Kamorteiro, que faleceu na última segunda-feira, em Luanda, no Hospital Militar Principal, repousa no cemitério Alto das Cruzes. No velório, que teve lugar no Quartel General do Exército, ex-RI-20, assinaram, igualmente, o livro de condolências a Vice-Presidente da República, Esperança da Costa, a presidente da Assembleia Nacional, Carolina Cerqueira, e altas patentes do sector da Defesa e Segurança.

Familiares, amigos e companheiros de "trincheira”marcaram presença na cerimónia fúnebre assinalada com honras de Estado.

Na mensagem de elogio fúnebre do Estado Maior- General das Forças Armadas Angolanas, o general "Kamorteiro” foi considerado um exímio patriota, cujo contributo pela conquista, preservação da paz e da  reconciliação nacional, o tornaram num ícone de referência obrigatória da história recente de Angola.

O general Kamorteiro, que significa morteiro pequeno, partiu "inesperadamente para eternidade, deixando um exemplo de bravura, coragem e determinação nos interesses superiores da Nação”. Reza a mensagem, sublinhando ser uma partida prematura que interrompeu o seu brilhante percurso de chefe militar talentoso, exigente e motivador, por quem todos nutriam simpatia, respeito e admiração.

Acrescenta que a história diz que "Atrás de um general há sempre um valoroso exército, e que os generais não morrem, apenas descansam”. O general Kamorteiro, prossegue o elogio, era caracterizado no seio castrense como íntegro, de carácter, de fortes relações humanas e solidariedade, dotado de um extraordinário autodomínio, iniciativa e disciplina no cumprimento e dever militar. Era dedicado às suas funções”.

General Kamorteiro, prossegue a mensagem de elogio, foi um homem íntegro e emblemático, que deixou a sua marca como signatário do acto solene que selou a Paz definitiva a 4 de Abril em 2002.

 

Conferencista militar

O antigo chefe do Estado–Maior General das FAA, Geraldo Sachipengo Nunda, destacou, numa mensagem lida no velório, que o malogrado foi um exímio historiador e conferencista militar do mais alto nível que encantava e prendia a atenção de todos os que tivessem a oportunidade de escutar as suas prelecções.

"Com a sua partida, o país perde, de forma prematura, um servidor honesto, culto, dedicado, estudioso da arte militar e da história universal, exigente e amigo de todos”, disse.

Para o actual embaixador no Reino Unido,  todos os militares das Forças Armadas Angolanas conhecem "a fibra, a sabedoria e o trabalho  atento e meticuloso do general Kamorteiro, desde a época em que, ao lado do general na reforma, Francisco Pereira Furtado, lideraram a Comissão Técnico– Militar para o cumprimento das tarefas para a criação das áreas de aquartelamento, transporte dos efectivos, dos equipamentos, da acomodação dos familiares, e de aprovisionamento até ao aquartelamento  completo de todos os militares”.

  Casa Militar garante apoio à família

Em declarações à imprensa, à margem da cerimonia fúnebre, o ministro de Estado e chefe da Casa Militar do Presidente da República, general Francisco Furtado, garantiu apoio contínuo à família do malogrado.

"Agora, vamos abraçar a família e prestar todo o apoio, porque ele era o patriarca de toda a família”, garantiu o general Furtado. "Começamos a receber mensagens de toda a família, desde o primeiro dia da sua morte, e esperamos continuar a apoiá-los e dar atenção”.

O ministro de Estado disse que o chefe do Estado-Maior General adjunto para a Área Operacional de Desenvolvimento das Forças Armadas tinha na forja o lançamento do seu primeiro livro. "A obra já está concluída, e vamos ajudar com a sua divulgação para que a juventude e a sociedade saiba quem foi o general Kamorteiro”, frisou o general Furtado.

"As enciclopédias vivas estão a desaparecer, e o general Kamorteiro era uma dessas enciclopédias. Há necessidade de passarmos essas mensagens através de ciclos de conferências, encontros e fogueiras de combatentes, como era feito antigamente, para que esta geração militar e os jovens, de modo geral, compreendam que este país não começou do nada. E com isto, ensinar a juventude que tem rumo, está em paz e a construir a sua democracia. Esse país tem futuro e tem que ser cativado para os jovens”, sublinhou.

Francisco Pereira Furtado partilhou uma das experiências mais marcantes com o general Kamorteiro, lembrando que os dois tiveram a grande responsabilidade de conduzir  o processo de selecção das 35 áreas de aquartelamento, nas 17 províncias do país, de Março de 2002 a Julho do mesmo ano.

 

Sabedoria de um pai narrada por um dos filhos

No momento reservado à homenagem familiar, um dos filhos do general, Orion Ukwachitembo, em jeito de poema, recordou que um dia antes da sua morte, o pai sentou consigo e pediu-lhe para preparar a tese de doutoramento. Em resposta, "disse-lhe que estava quase concluída”.

Orion Ukwachitembo, passando as palavras que marcaram a última conversa com o pai, disse: "Para coisas que não podem ser mudadas, só nos resta a paciência”. Continuou: "Preferir a derrota prévia e a dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. E tu mereces uma oportunidade de ser um filho melhor, para continuares o meu legado, porque para cada erro há, o perdão, e para cada fracasso há sempre uma chance.”

 

Humildade e simpatia

Para o deputado do Grupo Parlamentar do MPLA, Roberto Leal Monteiro "Ngongo”, Kamorteiro destacava-se, também, pela sua humildade e reconhecimento de que a pátria pertencia aos filhos de Angola.

O deputado da UNITA, Alcides Sakala, disse que o general Kamorteiro foi construtor dos pilares da reconstrução nacional, e será lembrado, desta maneira, na história moderna de Angola pós conflito.

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