Desporto

Colossos acordam empate justo em clássico equilibrado

Paulo Caculo

Jornalista

A divisão de pontos no clássico entre 1º de Agosto e Petro de Luanda, fruto do empate (2-2), quarta-feira (20), no Estádio 11 de Novembro, ajusta-se, perfeitamente, ao equilíbrio do jogo e ao labor patenteado pelos dois contendores durante os 90 minutos regulamentares.

21/10/2021  Última atualização 06H15
Bito e Bonifácio, pelos militares, Kinito e Erico, pelo lado dos petrolíferos marcaram os golos © Fotografia por: kindala Manuel | Edições Novembro
Os tricolores entraram melhor no jogo e muito cedo tomaram a iniciativa do ataque. Fruto desta atitude, acabou por ser com alguma naturalidade que o Petro criou maior volume ofensivo, beneficiou da totalidade de pontapés de canto e dispôs das melhores ocasiões de golo.

A primeira grande situação de perigo dos tricolores surgiu aos quatro minutos, na sequência de um passe magistral de Gleison, que deixou Eddie Afonso na área e em situação privilegiada para visar a baliza de Neblu, não fosse o lateral do Petro decidido a fazer um passe interior, que encontrou o corte providencial de Jó Vidal. Na jogada, os tricolores ainda ficaram a pedir penaltie, por alegada mão na bola do central do 1º de Agosto.

Umas vezes jogado com intensidade, outras tantas com a bola constantemente parada, em virtude do jogo musculado e pouco atractivo das equipas, o clássico não foi capaz de produzir, na primeira parte, a emoção que se esperava. E, para tal, contribuiu o permanente jogo de contacto físico, com muitas faltas, o que obrigou Bernardo Nangala a recorrer à cartolina amarela para serenar os ânimos.

Apesar da maior posse de bola nos instantes iniciais, os tricolores foram pouco esclarecedores nesse período, pois davam a ideia de falta de arte e engenho nas jogadas colectivas, para, na hora H, traduzirem em golo as oportunidades. E, como quem não marca sofre, diz o velho adágio desportivo, aos 25 minutos, o 1º de Agosto chega ao golo, por intermédio de Bito, na primeira grande situação de perigo. No lance, mérito total para Zine Salvador, a descobrir o colega no "coração da área”.

Os tricolores reagiram rapidamente ao golo sofrido. Inconformados, correram "atrás do prejuízo”. E nesse período, o conjunto do Eixo Viário foi à busca da identidade de jogo, procurou acrescentar "régua e esquadro” às jogadas para corrigir o alvo, obrigando os militares a recuarem e ficarem entrincheirados na sua defesa. Dada a enorme pressão, a muralha defensiva militar desmoronou ao cair da primeira parte (45+4), perante o cabeceamento de Kinito, na sequência de um lançamento lateral, muito bem executado por Pedro. Estava reposta a justiça no resultado.

A segunda parte viria a ser um paradigma da história registada pelo clássico na etapa inicial, com a diferença de ter-se assistido a melhor qualidade de futebol. Ou seja, voltou a pertencer ao Petro a iniciativa de jogo. Numa pressão alta sobre a bola e dinâmica de jogo feito "coletes de força” contra a resistência militar, os tricolores protagonizaram a reviravolta no resultado. O golo de Erico, aos 48 minutos, foi cópia do primeiro, com a diferença de ter sido Kinito a fazer o lançamento lateral. E que lançamento!

Com 1-2 no resultado, o clássico ganhou emoção nas bancadas e maior interesse. A alternância na posse de bola e na disposição de oportunidades de golo continuou a ser a nota predominante. Quer Alexandre Santos, quer Srdjan Vasiljevic foram "obrigados” a fazer mexidas para repensar o ataque. E, diga-se, nesse particular, o treinador do 1º de Agosto teve melhor sorte nas substituições, pois viria a sair do banco Bonifácio, autor do golo da igualdade, aos 82 minutos.

Os minutos derradeiros foram dramáticos, com a indefinição no desfecho da partida a ser evidente, dada a intensidade imprimida por ambos os conjuntos às respectivas jogadas. O jogo acabou com as duas equipas a espreitarem constantemente as balizas.


  DECLARAÇÕES

Filipe Nzanza
"Resultado  foi justo"

O treinador-adjunto do 1º de Agosto, Filipe Nzanza, considerou o empate diante do Petro de Luanda, um resultado justo, sobretudo pelo facto da procissão ainda ir no adro, pois o Campeonato Nacional de Futebol da I Divisão vai apenas na terceira jornada.
"Valeu a entrega e dedicação dos jogadores, e considero, pelo que as duas equipas fizeram, o empate, um resultado justo", disse.
Prosseguindo, o imediato do técnico principal Srdjan Vasiljevic, que ontem se estreou em clássicos, lamentou o facto de alguns atletas militares estarem lesionados: "não podemos contar com o Paizo, Isaac e outros jogadores. Mas estamos no bom caminho".


Job

"Lamenta igualdade"

Por sua vez, o médio ofensivo e capitão do Petro de Luanda, Job, lamentou a igualdade e deixou algumas evasivas.
"Sabíamos que teríamos pela frente um adversário difícil, mas infelizmente não nos deixaram ganhar, por que podiam haver duas expulsões claras. Não tendo sido assim, o 1º de Agosto cresceu", concluiu. 

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