Economia

Colheita de cinco toneladas de cacau esperada no Amboim

Uma colheita de cinco toneladas da cacau é esperada, em 2023, na região da Nova Ereira, no Amboim, Cuanza-Sul, no desfecho de uma operação iniciada em 2019 pela empresa de capitais privados Mafecon, de acordo com informações obtidas da companhia pelo Jornal de Angola.

16/09/2022  Última atualização 07H25
Paulo Nunes no terreno da Nova Ereira em que estão plantados 22 mil pés de cacau © Fotografia por: DR
O responsável de Produção da Mafecon, Paulo Nunes, disse à nossa reportagem que as operações, projectadas para o relançamento da produção de cacau na Nova Ereira, ocorrem numa área de 200 hectares, dos 500 detidos pela companhia naquela região.

Segundo Paulo Nunes, foram plantadas 22 mil mudas de cacau, estando 15 mil em processo de crescimento. "Desde 2019, quando iniciámos o projecto, plantámos um total de 22 plantas numa área de 25 hectares, mas sete mil não resistiram a vários factores climatéricos e vamos repondo à medida que o tempo passa”, disse.

Para garantir a expansão, de acordo com Paulo Nunes, a fazenda tem um viveiro com 48 mil mudas de cacau, o que vai permitir ao plantio noutros 25 hectares, na segunda fase. "Estamos apostados na multiplicação de mudas para podermos alcançar as metas previstas, de 200 hectares, e já temos preparados o terreno e plantas”, garantiu.

As previsões apontam, agora, para que, depois das cinco toneladas iniciais, a produção aumente a cada época da execução do projecto. "A área plantada e em franco crescimento,  dá-nos garantias de, até finais do próximo ano, possamos ter as primeiras colheitas e isso nos anima bastante”, disse, considerando com base nessa experiência que "o difícil é começar, mas a realidade actual garante que estamos no caminho certo”.

A fazenda Mafecon, implantada numa área que alojou o antigo Centro de Instrução Revolucionária (CIR) "Comandante Raúl Diaz Arguelles”, conta com 110  trabalhadores, 70 dos quais são efectivos e orientados tecnicamente por dois agrónomos de nacionalidade indiana.

Paulo Nunes considerou o projecto como sendo o garante de empregos na região, declarando sentir-se "orgulhoso” por fazer parte dos esforços do Executivo para a provisão de emprego, principalmente dos jovens locais.

"Temos um plano ambicioso para as comunidades, sobretudo, no domínio da criação de empregos que geram rendimentos no seio das famílias, como é o preconizado pelo Executivo angolano”, frisou.

Paulo Nunes garantiu que, além do projecto de abastecer o mercado interno, os desafios da empresa passam pelo aumento da produção para, noutras etapas, criarem-se as condições de exportar o produto, como premissa para diversificar as fontes de receitas da economia nacional.

O responsável pela produção da fazenda Mafecon adiantou que as condições climáticas da região da Nova Ereira e do Amboim, em geral, são propícias para a produção de cacau, lançando um apelo às autoridades para apoiarem as  iniciativas que concorram para revitalização do cultivo de produtos de alto rendimento no mercado nacional.

"É o primeiro ensaio de produção de cacau em grande escala ao nível da província do Cuanza-Sul e apelo ao Executivo no sentido de apoiar também os agricultores familiares que apostam na produção do cacau”, concluiu.

 

Estratégia institucional

O projecto de revitalização da produção de cacau enquadra-se num projecto do Executivo que, por intermédio do Instituto Nacional do Café (INCA), lidera um Plano Estratégico de relançamento das culturas do café, cacau e palmar.

De acordo com informações disponíveis, as primeiras abordagens sobre a componente do Cuanza-Sul relativa a esse plano ocorreram num encontro técnico realizado na cidade da Gabela, em 2018, entre  responsáveis do sector agrícola, tendo em vista a arrecadação de receitas para o país.

 De acordo com estudos realizados, Angola possui condições climáticas favoráveis para o relançamento da cultura do cacau, sobretudo nas províncias do Cuanza-Sul, Cabinda, Uíge, Zaire, Bengo e Cuanza-Norte.

O plano do INCA, na altura estimado em 8.181 milhões de kwanzas, com um investimento público de 2.223 milhões (com restante seria suportado pelo sector privado na base de créditos bancários aos produtores a envolver), previa o relançamento da produção de cacau no período entre 2018 e 2022.

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