Economia

Clientes do BCI aguardam pela retoma de créditos

O Banco de Comércio e Indústria (BCI) suspendeu, a caminho já de dois meses, a cedência de créditos, sem que alguns clientes tivessem tomado nota da medida da administração do banco liderada pela jurista Zenaida Gestrudes Zumbi.

10/07/2020  Última atualização 08H25
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O banco público, que está em vias de ser privatizado, lançou vários produtos e serviços entre os quais o “Crédito Salário”, o chamado Adiantamento, “Cria Condições”, “Crédito Automóvel”e de “Seguro Automóvel”. A propósito, alguns clientes ouvidos pelo Jornal de Angola, com os salários domiciliados na instituição, não entendem a medida da suspensão creditícia, uma vez que a privatização em curso não pode afectar os interesses dos clientes e nem fazer com que o banco deixe de exercer o seu papel ao qual foi criado.

Pedro Vidal reforça que a privatização não pode comprometer a principal função da banca, visto que os clientes (particulares e empresas) têm projectos que devem ser concretizados, recorrendo ao empréstimo bancário.  Por exemplo, apontou o “Crédito Salário”, como produto que tem desafogado quando há uma situação de extrema para solucionar. “Não entendo certas medidas dos nossos gestores bancários. Estou perplexo e revoltado ao mesmo tempo”, desabafou Pedro Vidal.

Já Carla Valente, a decisão deveria ser bem ponderada e comunicada directamente aos interessados com vista a manter a confiança entre o banco e os clientes, quer pequenos, quer os grandes.  “O mais inquietante é o facto de não sabermos para quando a retoma dos créditos no BCI”, indaga Carla Valente.

O Jornal de Angola contactou a Administração do BCI, mas até ao fecho da edição não se pronunciou sobre a matéria. No entanto, fontes ligadas ainda ao banco público, disseram, sem avançar mais elementos, que decorre a nível interno uma reestruturação da carteira de crédito para ajustá-la às novas exigências do regulador, neste caso, o Banco Nacional de Angola (BNA).

Questionado sobre a data provável da retoma dos créditos BCI, escusou-se a comentar por falta de mais informações (dados mais concretos). Entretanto, numa nota tornada pública em finais de Abril, o Conselho de Administração do BCI anunciou um conjunto de medidas entre as quais a implementação da Norma Internacional de Relatório Financeiro 9 (IFR9) ao qual implicaria a reexpressão das demonstrações financeiras do exercício de 2018, bem como o incremento das imparidades do crédito e outros activos de 2019.

Em consequência e em cumprimento das medidas do Regulador (BNA), o Conselho de Administração adoptou um conjunto de medidas restritivas nas rubricas de crédito e investimento, para o reforço do compromisso da defesa dos interesses dos accionistas, demais stakeholders e a sustentabilidade da própria instituição.

Deu nota ainda que, concluído o diagnóstico financeiro e do ambiente de controlo do banco no primeiro trimestre de 2020, foram lançadas as bases do plano estratégico para o período de 2020-2023, bem como a definição e implementação de um programa de curto prazo para o saneamento, com destaque para a revisão dos orçamentos de contratos de prestação de serviço, a execução de uma estratégia de recuperação de crédito e regularização de outros activos, reposicionamento do negócio e a manutenção do capital humano.

No relatório de fundamentação da proposta de revisão do OGE 2020, que será aprovada na generalidade no próximo dia 14 do corrente, salienta que os bancos públicos BPC (Banco de Poupança e Crédito) e BCI (Banco de Comércio e Indústria) foram recapitalizados com uma verba de aproximadamente 1.013.118 milhões de kwanzas.

A recapitalização do BCI vai obedecer a duas fases, sendo a primeira até 30 de Junho de 2020, no montante de Kz 30 mil milhões, e a segunda, até Dezembro de 2020, no valor de Kz 27 mil milhões, tal como orientação do Decreto Executivo do Ministério das Finanças nº 164/20 de 08 de Maio.

Alternativas pragmáticas

Em reacção, o bancário, mestre em finanças públicas, Fernando Lucanga, criticou a cerca da recapitalização dos bancos públicos em falência, pois, teriam que criar alternativas mais pragmáticas para a solvência financeira.  Quanto à privatização do Banco de Comércio e Indústria (BCI) se houve ou não alguma precipitação do Governo, Fernando Lucanga, defende que já se devia ter sido feita há bastante tempo.

Aliás, como disse, o Estado deve ter um braço bancário em boas condições. “E assim que ver que o braço está infectado ou a minguar por falta de músculo deve treinar para fortalecê-lo até onde der e assim que estiver musculado, entrega ao sector privado, com mais-valias significativas e parte para outra iniciativa bancária”.

“Como sabemos, os fundadores do BCI são os melhores quadros da banca angolana (primeiro Conselho de Administração). Por isso, o BCI foi uma grande escola da banca”, conclui.

 

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