Cultura

Circuito Internacional de Teatro encerra com balanço positivo

Manuel Albano

Jornalista

A sétima edição do Circuito Internacional de Teatro (CIT), que encerrou, ontem, no Centro Cultural Brasil - An-gola (CCBA), com a realização de uma gala especial, teve um aproveitamento positivo, durante os três meses de duração, afirmou o director do festival.

19/09/2022  Última atualização 10H28
Actores angolanos mostraram talento durante o encerramento do festival que aconteceu no Centro Cultural Brasil-Angola © Fotografia por: Alberto Pedro | Edições Novembro

Adérito Rodrigues "Bi” explicou, no discurso de encerramento, que a realização do CIT, iniciativa do projecto "Cultura para Todos”, teve, este ano, como referência, nos espectáculos, a construção de novos valores sociais.

O director do festival adiantou que a maioria das exibições procurou trazer à análise do público temas didácticos como forma de incentivar os bons costumes e lançar um alerta para os perigos da globalização, em especial aos jovens.

A meta, referiu, foi promover os valores da cultura angolana, por via da exibição de espectáculos que fossem de destacar a identidade nacional, dentro do vasto mosaico artístico e cultural do país.

Os grandes teóricos e filósofos renomados, recordou, descrevem o teatro como o "espelho da cultura, o lugar onde se pode olhar e corrigir as falhas dos homens”, por isso a disciplina artística foi fundamental ao longo das várias exibições.

O CIT, reconheceu, teve, este ano, a colaboração do Secretariado Permanente para a UNESCO em Angola e o apoio de parceiros oficiais, como a Ciry Desaine, Xikote Produções, Tipografia Corimba, Atelier Isabel André, TPA, RNA, CCBA, Elinga Teatro, Guilherme Mampuya, Platinaline,  Jornal de Angola, TV Zimbo, os grupos de teatro, técnicos, produtores, equipa técnica do CIT e do projecto "Cultura para Todos”.

 

Recordar Neto

A Comissão Nacional de Angola para a UNESCO felicitou ontem, em Luanda, numa mensagem lida durante a gala de encerramento do CIT,  a organização do festival pelos vários espectáculos, em particular os que tiveram como tema de fundo a vida e obra do primeiro Presidente de Angola, Agostinho Neto, cujo centenário foi celebrado sábado último.

Na mensagem, a instituição destacou, ainda, o facto de os espectáculos exibidos permitirem perceber mais sobre a importância da figura de António Agostinho Neto na consciencialização para uma cultura de paz social, harmonização e consolidação da ideia de uma angolanidade.

Ao longo desta edição do CIT, realizada sob o lema "O Teatro Enaltece e Homenageia António Agostinho Neto”, foram notórias, para a Comissão Nacional de Angola para a UNESCO, as informações sobre o "Poeta Maior”, en-quanto homem que buscou, por intermédio da poesia e de mensagens de amor, evocar a esperança, fraternidade, paz e ainda a solidariedade entre os povos.

 

Carteira profissional

Um dos pontos altos, na carreira de muitos artistas que participaram nesta edição do CIT, foi a entrega das carteiras profissionais para os actores José Teixeira, Carla Rodrigues, Tony Frampênio, Francisco Caculo, Nelson Ndongala e Adérito Rodrigues "Bi”, assim como ao produtor Dilson Miguel.

O presidente da Comissão de Carteira Profissional do Artista, Maneco Vieira Dias, disse que a entrega é a concretização de um projecto especial, que inclui várias associações culturais. "O reconhecimento do artista, embora seja uma profissão liberal, é importante, pois é uma forma de valorizar, também, a classe artística nacional”, destacou.

Com a emissão e a entrega das carteiras profissionais, garantiu, estão criadas as condições para o desenvolvimento de várias modalidades artísticas.  "Com a carteira vai ser possível in-centivar a criação do auto-asseguramento do artista, de maneira a criarem-se bases sólidas e de prestígios para os artistas” , frisou.

 

Homenagem do GPL

Este ano, os actores e agentes ligados ao movimento artístico e cultural, que ao longo dos últimos anos se destacaram em prol da preservação, valorização e divulgação do teatro, receberam diplomas de mérito, numa iniciativa do Governo da Província de Luanda (GPL), inserida nas comemorações do centenário de Agostinho Neto.

Entre os actores distinguidos com os diplomas de mérito, há a destacar Aureliano Quaresma, Anacleta Pereira, Domingas Mendes, Manuel Teixeira, Maria Cassule, Virgílio António e Conceição Diamante.

Os grupos que participaram nesta sétima edição do CIT também foram agraciados com diplomas de participação, atribuídos pela organização.


"Ekatombe”

O espectáculo dramático "Ekatombe”, do projecto Affro Théâtro, encerrou, ontem, a sétima edição do CIT. A peça levou ao palco uma narrativa sobre as diversas culturas, línguas e povos do continente africano, em que as raízes das civiliza-ções são intensas e a cultura entrelaça-se com as práticas do quotidiano.

Durante o espectáculo, os actores chamaram atenção para a valorização da cultura africana, ainda ancorada nos valores, crenças, costumes, tradições, danças e canções, assim como nas práticas rituais e cultos.

A peça mostrou África como um continente plural marcado por uma grande diversidade étnica e cultural. A peça, enquanto um produto artístico de transmissão de conhecimentos, procurou trazer uma imagem do negro africano e das diversas mudanças linguísticas e estéticas ocorridas ao longo dos anos, cuja repercussão ficou notável na culinária, costumes e até mesmo na religião.

Em 45 minutos, os actores Antónia Augusto (que interpreta a personagem BBC), António Calenguessa (Sampaio), Evanilde Ferreira (Palanganza), Josefina Lengo (Minerva), Laurinda Kimbamba (Kandimba) e Sediamuana Congolo (Tala Maku) remeteram a plateia para uma reflexão sobre a personalidade e emancipação, inconcebíveis fora da identidade cultural africana.


As distinções feitas durante o festival

A sala do CCBA foi pequena para o número de convidados que assistiram ao encerramento do CIT. A organização aproveitou a ocasião para exibir um vídeo sobre a vida e obra de Agostinho Neto. Um dos pontos altos da gala foi o reconhecimento, por unanimidade, do actor Enoque Caracol, do Horizonte Njinga Mbande, distinguido com o prémio "Carreira CIT”.

Ao longo da sétima edição do CIT foram igualmente distinguidos com o prémio "Artistas CIT” os actores Aureliano Quaresma, do Atelier D’Artes Lucengomono, Domingas Mendes, do grupo Julu, Godofredo Pedro, do Tujingenji, e José Gonçalves, do Calunga Teatro.

Leandra Mateus, do grupo Yetu a Yetu, foi distinguida com o prémio de melhor actriz, enquanto o melhor actor foi Simão de Castro, do Ndokweno Artes. Pinto Nsimba, do projecto Affro Théâtro, obteve o prémio de melhor encenador.

Este ano, a "festa do teatro” introduziu, de forma especial, as categorias de melhor interpretação de Agostinho Neto, prémio que foi atribuído ao actor Francisco António, do grupo Catarcis Teatro. O mesmo grupo venceu ainda as categorias Adaptação da História de Agostinho Neto e Figurino.

O prémio "Público CIT” foi atribuído à actriz Luciana dos Santos, do grupo Eto-Ngo, e o de artista revelação ficou com o colectivo infantil do grupo Feloma Mussanzala. A distinção "Som CIT” foi para o grupo Massoxi Teatro e a de "Luz CIT” ao Calunga Teatro. O prémio "Etno Teatro” ficou com o grupo Nova Cena e o de "Grupo Popular” com o Enigma Teatro.

Em representação do Governo da Província de Luanda (GPL), o director da Cultura, Turismo, Juventude e Desporto, Manuel Gonçalves, referiu, no encerramento do CIT, que a ideia de agregar numa única edição, além das exibições, um ciclo de formação, nas mais variadas áreas das artes cénicas, contribuiu para uma maior qualidade dos espectáculos exibidos, assim como no desempenho dos actores e do próprio processo criativo.

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