Cultura

Cine São Paulo acolhe hoje festival

O festival “O Futuro já Era” abre, hoje, às 18h00, no Cine São Paulo, em Luanda, com a exibição do performer Mussunda Nzombo, uma exposição fotográfica e actuação do DJ Lene Lee.

15/06/2024  Última atualização 13H22
© Fotografia por: DR

Organizado para celebrar os 15 anos de actuação do instituto cultural alemão em Luanda "Goethe Institut”, a organização pretende realizar mais de 60 eventos, com exibições de artistas nacionais, alemães e costa marfinenses.

Para amanhã, às 14h00, está prevista a transmissão em directo do programa radiofónico "Conversa à Sombra da Mulemba”, que será transmitido todos os domingos no Cine São Paulo durante o festival. Às 16h00, terá cinema com a exibição do filme "Assaltos em Luanda”, do realizador Henrique Narciso "Dito”.

"O nome do festival resulta de uma observação no domínio da arquitectura, que é um dos focos do Goethe em Luanda, tendo desenvolvido dois projectos importantes nesta área. Temos, por outro lado, artistas que trabalham o futuro, a exemplo de Mussunda Nzombo, que produziu o Calendário Artístico "2075” e criou no ano passado, juntamente com uma artista alemã, uma exposição que abordava o futuro”, disse Julia Schreiner, actual directora do Goethe Luanda.

Sobre a escolha do espaço, disse que seguiu o foco do instituto, que viu na arquitectura do Cine São Paulo um lugar ideal para os eventos, que se estendem de hoje a 28 de Julho.

Em termos de capacidade, garantiu que pode albergar mil lugares, sem contar com os acentos da parte de cima, que não poderão ser usados por questões de segurança. À excepção de segunda-feira, o espaço vai ficar aberto o resto dos dias da semana, a partir das 10h. Durante um mês, o Cine São Paulo beneficiou de obras de restauro suportadas pelo Goethe Luanda, para que o espaço ficasse ajustado aos eventos que vai acolher.

"Não tínhamos que fazer muitas obras. Percebemos que o cinema ainda tinha condições para realizar um festival. Para nós, a coisa mais importante foi a renovação da tela, electricidade e sanitas. Foram feitas muitas coisas para revitalizar este cinema, que andava adormecido. Está mais bonito e pode voltar a ser um espaço de promoção de cultura”, disse.

Segundo Ngoy Salucombo, coordenador de Programação do Goethe Luanda, o festival multidisciplinar tem na sua programação cinema, teatro, performance, oficinas criativas para crianças em dois horários, todas as semanas terão duas mesas-redondas para debater vários temas do sector da cultura, bem como transmissão, aos domingos, de um programa de rádio. Ngoy Salucombo referiu que terão três eventos que não vão ocorrer aqui, especificamente a inauguração de um mural, que vai ser no Largo do Baleizão, um concerto surpresa numa das ruas da Baixa de Luanda e duas sessões de cinema no telhado da Universidade Lusíada.

"Vamos ter cerca de 17 artistas estrangeiros que vão participar no evento, oriundos da Alemanha e Costa do Marfim. Queremos unir artistas jovens e muito talentosos que ainda não têm a visibilidade merecida a outros que são consagrados. Dentre os nacionais, teremos o rapper Isis Hembe, o curador Jamil Parasol, Mussunda Nzombo, Hélder Mendes, Conjunto Angola 70 e Sacerdote. Teremos uma bailarina da Côte d'Ivoire e teremos uma artista plástica alemã”, avançou.

Conjunto Angola 70 apresenta "Kutonoka Vibes”

Teddy Nsingi, Joãozinho Morgado, Botto Trindade, Raúl Tollingas e Dulce Trindade integrantes da formação 70 juntam-se Mias Galhetas, Bucho Brás, Legalize e Brando como convidado especial para proporcionarem um momento com temas que marcam a história da música angolana.

Os ensaios finais foram acompanhados pela directora do Goethe-Institut Angola Júlia Scheider e Ngoi Salucombo na sala da Brasom numa oportunidade para conhecerem a musicalidade do projecto idealizado pelo produtor angolano, Otaniel Silva "Mano”.

Para o mentor do Conjunto Angola 70 a actuação no grupo na reinauguração do Cine São Paulo é quase espiritual. "Algo que nos vai remontar ao período áureo da nossa música, os anos 70, o que chamo de Kutonoka Vibes. ", falou o produtor cultural a partir dos Países Baixos.

Distante de Angola não escondeu a preocupação, "infelizmente por razões de vária ordem não poderei estar fisicamente, mas, a magia está feita e isso por si só, tem um valor super especial para mim. Por isso convido a todos os amantes da nossa música para assistirem este concerto, naquele espaço, é por si só algo especial.”

Mano agradece a actual direcção da instituição pelo convite para o grupo participar nas festividades do seu 15.º aniversário. "Queria aproveitar essa oportunidade para felicitar o Instituto Cultural Alemão pelo trabalho no meio cultural em Angola. Tivemos a oportunidade de desenvolver alguns projectos juntos, mas ficarei eternamente grato pelo suporte na criação do Conjunto Angola 70”.

Mestres da Música Angolana

A formação surgiu em 2011 para executar a música angolana dos anos 60 e com Otaniel Silva "Mano” esteve o tunisino-alemão, Samy Ben Redjeb, da editora Analog África que lançou duas colectâneas de música angolana. A intenção foi a de reunir os melhores músicos que despontaram entre os anos 60 e 70 que continuavam no activo.

Na formação original estiveram Botto Trindade e Teddy Nsingi (solistas), Carlitos Timóteo e Dulce Trindade (violas baixo e ritmo), Joãozinho Morgado (congas), Raúl Tollingas (dikanza) Chico Montenegro (bongós e vozes) e Mamukueno. Depois colaboraram Gregório Mulato (mukindo), Zé Fininho (dikanza), Correia (congas), Zecax, Mister Kim e Legalize como vocalistas.

O projecto já passou em alguns palcos internacionais, tendo sido acolhido em diversos países.

Katiana Silva e Gil Vieira

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