Política

Cimeira da CPLP em Luanda é preparada com todo detalhe

Isaque Lourenço

Jornalista

Os Chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) reúnem a 16 e 17 de Julho, em Luanda, na Cimeira durante a qual Cabo Verde deverá passar a presidência rotativa da organização a Angola.

23/05/2021  Última atualização 07H35
Secretário de Estado para o Comércio (terceiro à esquerda) e o embaixador de Angola (primeiro à direita) num encontro em Malabo © Fotografia por: Vigas da Purificação | Edições Novembro
No encontro de Luanda, é expectativa geral que se aborde, com maior detalhe, o processo de eliminação de barreiras legais e operacionais entre os nove membros da Comunidade, com realce para a livre mobilidade de pessoas e bens, um projecto semelhante ao da União Europeia.
Todo este ambiente está ainda mais pressionado, na visão de vários especialistas, com a operacionalização da Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA) desde 1 de Janeiro e já ratificada por Angola e outros paises africanos.
Esta iniciativa africana é encarada como um desafio para as demais zonas e a CPLP entende como fundamental unir o seu mercado, obtendo-se as maiores vantagens de países como Portugal (Europa), Brasil (América do Sul) e Timor Leste (Ásia).

Segundo indicadores, juntos, os Estados-membros da CPLP representam um mercado de 300 milhões de consumidores; três biliões de dólares de Produto Interno Bruto (PIB); e pouco mais de 15 mil milhões de dólares em trocas comerciais anuais. O bloco unido constitui a sexta maior economia do globo.
Os nove países, designadamente Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Princípe e Timor Leste querem tirar o máximo de proveito das potencialidades de uns e outros. Recentemente, o Presidente de Cabo Verde e da CPLP, Jorge Fonseca, disse que a Convenção sobre a Mobilidade, a ser discutida em Luanda, "pode ser um virar de página” na comunidade, sublinhando as "complexas negociações” entre os nove países para chegar-se ao documento final.

"Estamos todos à espera de que, quando passarmos a presidência a Angola, em Julho, possamos apresentar um documento vital para a comunidade, um documento que é um virar de página no percurso da organização, a Convenção sobre a Mobilidade na CPLP”, disse. Para Jorge Fonseca, trata-se de um documento complexo, que exigiu intensas negociações entre países com estágios de desenvolvimento diferentes e com problemas específicos.

O Chefe de Estado cabo-verdiano e presidente rotativo da CPLP evocou dificuldades inerentes ao facto de os nove países estarem inseridos em espaços geográficos diferentes e com compromissos assumidos "no quadro das suas integrações regionais”, apontando os exemplos de Portugal, na União Europeia, e do Brasil, no Mercosul.
"Mas, conseguimos e temos já um documento, uma Convenção de Mobilidade da CPLP, que passou por vários crivos de reuniões técnicas, de embaixadores, de ministros da Administração Interna e dos Negócios Estrangeiros”, assinalou o Presidente de Cabo Verde.

Líderes empresariais em intensos contactos
Os empresários Raúl Mateus, presidente da Associação das Empresas de Distribuição Moderna (Ecodima) e vice-presidente do Grupo Técnico Empresarial (GTE), bem como Eliseu Gaspar, presidente da Federação Empresarial de Angola, actuaram em equipa na Cimeira Negócios da CPLP realizada em Malabo, de 5 a 7 deste mês.
Segundo Raúl Mateus, a delegação angolana de 70 empresários, idos de Luanda, Benguela e Malanje, foi apenas uma amostra da força da classe, que através dos seus associados tem procurado interpretar os "bons sinais” recebidos do Presidente da República, visando relançar a imagem do país.
Como referência, o líder da Ecodima e proprietário da Pomobel lembrou que, em Angola, até ao momento, mais de 40 por cento dos bens essenciais no sector do Comércio são de origem local, um marco que se quer reforçar. O GTE fala em mais de mil acções conjuntas implementadas com o Governo, através das quais procura-se tornar menos cara a vida diária dos consumidores.

Neste particular, considerou, o custo alto dos produtos da cesta básica não é só um problema dos comerciantes, mas causado por vários factores combinados. Entre eles citou a inflação e o fraco poder de compra, pois o quilo de arroz que já esteve numa margem de quatro euros, hoje recuou para menos de dois, isso do vendedor.
Os empresários Raúl Mateus, António Gomes e outros mantiveram à margem da Cimeira de Negócios encontros com o embaixador da Guiné-Conacri em Malabo e com o ministro das Finanças da Guiné Equatorial, com os quais abordaram as vias de trocas empresariais mais efectivas.

Por seu turno, Eliseu Gaspar aproveitou a missão de negócios de Malabo para reforçar a cooperação com parceiros locais e da Comunidade. Com Paulo Narciso, presidente da Federação Angolana de Jovens Empreendedores (FAJE), e Henriqueta Carvalho, secretária-geral da Federação de Mulheres Empresárias de Angola (FMEA), foram subscritores da iniciativa que criou uma Sociedade Mista de angolanos e equato-guineenses.
Para a líder da FMEA, participar na Cimeira de Negócios teve o objectivo de fortalecer o diálogo com os países que fazem parte da CPLP e procurar estabelecer negócios com as mulheres da Guiné Equatorial ,fazendo parcerias entre os dois países.

Outro empresário animado com os resultados de Malabo é Hirondino Garcia, presidente da Prestígio - Liga de Jovens Empresários, que apresentou a participação na Cimeira como uma forma de manter contactos com associações congéneres e convidá-las para o Anunciou que, recentemente, foi assinado um acordo com Conferência da Organização das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), para a gestão efectiva do Projecto Empretec, através do qual, nos últimos dois anos, foram formados cerca de 300 empreendedores.

  Angola na liderança da comunidade
Na recente 1ª Cimeira de Negócios da Confederação Empresarial da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CE CPLP), realizada em Malabo, na Guiné Equatorial, entre 5 a 7 de Maio deste ano, Luanda assumiu a organização da segunda edição.
O evento vai decorrer à margem da reunião de Chefes de Estado e de Governo, prevendo-se também já a terceira edição para Setembro na Guiné-Bissau. Em Malabo, uma missão de negócios angolana, integrada por mais de 70 empresários, foi chefiada pelos secretários de Estado para a Cooperação Internacional e Comunidades Angolanas, Domingos Vieira Lopes, e para o Comércio, Amadeu Nunes. Ambos, desdobraram-se, nos três dias de estadia, em intensos contactos diplomáticos mais de cariz económico e financeiro.
A agenda dos governantes visou, por um lado, abrir caminhos para que as empresas angolanas possam competir e levar produtos e serviços à Guiné Equatorial e mercados regionais vizinhos; e, por outro lado, mobilizar parcerias e a participação das empresas presentes em Malabo para a edição de Luanda, já programada pelo executivo da Confederação Empresarial.

O presidente da organização, o moçambicano Salim Abdula, garantiu a sua presença e todo o empenho para o sucesso do evento, no encontro com o secretário de Estado para o Comércio.
Amadeu Nunes também foi ao encontro do ministro dos Transportes e da Aviação da Guiné Equatorial a quem reforçou o interesse de maior cooperação e ligação entre os dois países; e com a secretária de Estado para o Comércio e Agricultura, com quem abordou a possibilidade de hortícolas angolanas serem exportadas para o mercado equato-guineense e daí para países limítrofes como o Gabão e Camarões. Já Domingos Vieira Lopes encontrou-se com o ministro das Minas e Hidrocarbonetos, com quem abordou a partilha de experiências no domínio dos mineiros e dos petróleos.

Nesse encontro, ficou assente a presença dos angolanos da OPA naquele país, onde vão investir um mínimo de dois milhões de dólares na edificação e equipamento de um centro de formação para técnicos da Indústria petrolífera. A parceria envolverá ainda potenciar quadros locais, preparando-os para o emprego nas multinacionais de petróleo e para torná-los empresários no ramo do Conteúdo Local (serviços de apoio à Indústria petrolífera). Domingos Vieira Lopes também abordou com o Primeiro-Ministro do Governo equato-guineense a presença e protecção de cidadãos e investimentos em ambos territórios.

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