Coronavírus

Cidades governadas por mulheres registam quase metade das mortes

Cidades governadas por mulheres registaram 43,7% menos mortes na pandemia por cada grupo de 100 mil habitantes do que municípios liderados por homens, constatou o estudo ‘Sob pressão: Liderança feminina durante a crise da Covid-19’.

01/09/2021  Última atualização 07H40
© Fotografia por: DR
Desenvolvido por investigadores da Universidade de São Paulo, do Instituto Insper e da Universidade de Barcelona, o estudo seleccionou 700 cidades brasileiras e concluiu que os municípios dirigidos por mulheres tiveram, em média, 25,5 mortes por 100 mil habitantes a menos do que os liderados por homens, ou seja, houve uma diferença de 43,7% de mortalidade pela pandemia.No que se refere a internamentos de pessoas infectadas pelo coronavírus SARS-CoV-2, que causa a Covid-19, os dados revelaram uma redução média de 30,4% até 33%, por 100 mil habitantes, nas cidades governadas por mulheres face a cidades governadas por homens.

O artigo, divulgado em Julho na Social Science Research Network e que ainda aguarda revisão de outros cientistas, também avaliou se as atitudes de líderes populistas como o actual Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, afectou a forma como os cidadãos lidaram com a pandemia.

Neste ponto, os investigadores descobriram que, mesmo as cidades brasileiras em que Bolsonaro teve mais votos, nas presidenciais de 2018, e que actualmente são governadas por mulheres registaram menos mortes e hospitalizações por Covid-19 face a cidades chefiadas por homens.

Os investigadores constataram que nos municípios onde Bolsonaro teve mais apoio dos eleitores, o papel dos líderes locais com preferências políticas distintas ajudou no combate a políticas prejudiciais a nível nacional. Isto terá ocorrido também porque, "diante da decisão entre aplicar medidas de saúde contra a Covid-19 ou tentar conquistar os votos dos apoiantes locais de Bolsonaro, os nossos resultados sugerem que as prefeitas  estavam mais propensas a priorizar medidas que podem salvar vidas”.

A investigação apontou que se o Brasil tivesse metade dos seus municípios liderados por mulheres, o número de mortos por Covid-19 teria sido 14,17% menor, salvando cerca de 75 mil vidas.Actualmente, menos de 13% das prefeituras do Brasil têm autarcas mulheres.

O artigo considerou ainda que medidas não farmacológicas, como o uso de máscara, limitação da circulação em transportes públicos e proibição de aglomerações foram adoptadas com uma frequência 10% maior em cidades governadas por mulheres."Portanto, as políticas que aumentam a representação feminina na política, como quotas de género nas listas de candidatos, geram um dobro de dividendos em momentos de crise: aumentar o bem-estar e ao mesmo tempo promover a diversidade”, concluíram os autores da sondagem.

O Brasil é o país lusófono mais afectado pela pandemia e um dos mais atingidos no mundo, ao contabilizar quase 580 mil vítimas mortais e perto de 21 milhões de casos confirmados de infecção pelo SARS-CoV-2.

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