Cultura

Cidade património da Humanidade conta com novo plano urbanístico

A cidade de Mbanza Kongo, Património da Humanidade, vai contar, no decorrer do ano, com um plano urbanístico e uma estratégia de gestão do turismo, no âmbito das recomendações da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), disse, ontem, ao Jornal de Angola, o chefe da Área Administrativa e Técnica do Comité de Gestão Participativa do Centro Histórico de Mbanza Kongo, André Nlandu.

14/01/2022  Última atualização 09H45
Um dos lugares de referência de Mbanza Kongo é o “Museu dos Reis do Kongo”, onde o valor cultural da região está exposto para os nativos e visitantes © Fotografia por: DR
Os dois projectos, esclareceu, estão enquadrados nas recomendações dadas pela Unesco, aquando da inscrição da cidade como Património da Humanidade, em 2017, e ficaram por implementar por envolver altos recursos financeiros.

O plano urbanístico de Mbanza Kongo, explicou, consiste em determinar os critérios de ocupação de espaços para a construção de novas infra-estruturas, para evitar choques com as proibições da UNESCO, factores imprescindíveis para a preservação do estatuto de Património da Humanidade.

"É um plano que vai determinar como Mbanza Kongo pode ser ocupado em termos de espaços e de construções, assim como em quais zonas poderão ser erguidas as várias infra-estruturas a serem feitas em certos locais do projecto, actualmente em andamento”, informou.
Quanto ao cumprimento das nove recomendações da Unesco de 2017, André Nlandu adiantou  que apenas o plano urbanístico e a elaboração de uma estratégia do turismo ficaram por cumprir, mas os trabalhos para o efeito estão bastante avançados.

"Neste momento, temos apenas duas recomendações por cumprir, nomeadamente a conclusão do plano urbanístico de Mbanza Kongo e a elaboração de uma estratégia de gestão do turismo, contudo os trabalhos estão muito avançados e este ano acreditamos cumprir com as duas recomendações”, acrescentou André Nlandu.

A crise económica e financeira, agravada pela pandemia da Covid-19, que o país e o mundo enfrentam, lamentou, foram os principais factores que inviabilizaram o cumprimento de tais recomendações. "As recomendações não foram concluídas, porque são projectos que envolvem elevados recursos financeiros e não só. No caso do plano urbanístico de Mbanza Kongo foi aceite uma proposta, já apresentada à comunidade local e no momento aguarda pela promulgação”, disse.

Em relação ao arranque das obras de construção do novo aeroporto, André Nlandu disse que estão criadas as condições para a continuação dos trabalhos de prospecção e escavação arqueológicas no local onde está a actual infra-estrutura aeroportuária. "Como sabemos, a área onde se encontra o actual aeroporto de Mbanza Kongo é arqueológica e conserva alguns vestígios, mas graças a suspensão dos serviços podemos, em breve, ver outros vestígios da capital do antigo reino do Kongo, ainda desconhecidos”, reforçou.

Novo plano

Quatro anos depois da elevação da cidade de Mbanza Kongo à categoria de Património da Humanidade, os peritos da UNESCO e do Ministério da Cultura nacional, trabalharam, nos últimos meses, na região, para a elaboração de um novo plano de gestão (2022-2026).

"O actual plano de gestão - 2016/2020 - findou o seu prazo temporal, neste sentido era urgente elaborar um novo para o período de 2022/2026. Para tal, tivemos o apoio dos parceiros nacionais e internacionais e foi criado um comité de redacção do novo plano, que levou os peritos da Unesco, do Ministério da Cultura e do Comité de Gestão Participativa do Centro Histórico de Mbanza Kongo a unirem esforços. Por isso, até ao final do primeiro semestre deste ano, poderemos ter já o novo plano de gestão concluído”, avançou.

Quanto à avaliação feita pelos peritos da UNESCO, André Nlandu disse ter sido positiva, pelo facto de, em quatro anos, o Governo angolano ter cumprido com grande parte das recomendações, dadas aquando da elevação da cidade à Património da Humanidade. "Desde a inscrição de Mbanza Kongo foram realizadas acções diversas para a sua conservação, protecção e valorização”, frisou.

Entre as acções realizadas, André Nlandu destacou, ainda, a melhoria da via de acesso às ruínas do Kulumbimbi, a colocação de postos de iluminação em todos o centro histórico, a manutenção das infra-estruturas culturais e a renovação de algumas pinturas.

"No domínio da conservação, foram feitos trabalhos para manter o projecto ‘Mbanza Kongo - Cidade a desenterrar para preservar’, como escavações, durante as quais desenterrou-se vestígios arqueológicos, conservados pelo Comité de Gestão Participativa do Centro Histórico de Mbanza Kongo. As ossadas e peças de cerâmica encontradas têm beneficiado de trabalhos de manutenção”.

Festival de Gastronomia em perspectiva



A realização nos próximos tempos de um festival de gastronomia internacional, com o objectivo de expor uma variedade de pratos e preparar a juventude local, em matéria de turismo cultural, está entre as prioridades da agenda de trabalho, para este ano, do Comité de Gestão participativa do Centro Histórico de Mbanza Kongo.

O chefe do Gabinete Técnico do Comité do Centro Histórico de Mbanza Kongo adiantou que, a par da realização do FestiKongo, está a ser ponderada a criação de um festival de gastronomia, capaz de envolver, directa ou indirectamente, a juventude.

"Neste festival de gastronomia, poderemos ter, também, a exposição de vários pratos, alguns típicos da cidade de Mbanza Kongo e de outros pontos do país. É igualmente uma oportunidade para a juventude local se enquadrar neste novo desafio de tornar Mbanza Kongo numa zona turística e beneficiar, directa ou indirectamente, dos resultados”, perspectivou.
André Nlandu não especificou o período para a implementação do festival, mas disse que já começaram a formar os jovens, em especial quanto à melhoria da qualidade dos serviços prestados e de algumas receitas de culinária.

"A formação dos jovens tem sido contínua. Recentemente, houve um Fórum Provincial do Turismo, que visou capacitar os operadores deste sector, com foco na melhoria dos serviços prestados aos clientes”, disse.


Jaquelino Figueiredo | Zaire

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