Opinião

Cidade e subúrbio juntos e misturados

Amândio Clemente

Jornalista

Voltei a passar por Addis Abeba levado pelas minhas andanças profissionais por esta África e fiquei de certa forma estupefacto com o crescimento da cidade, mas de igual modo estupefacto com alguns hábitos que, pensava eu, já não fizessem parte do quotidiano dos citadinos daquela majestosa urbe.

17/06/2021  Última atualização 06H45
E que volvidos dez anos, a minha última passagem nesta capital política de África, aqui está a sede da União Africana, foi em 2011, quando regressava de Cartum, onde os Palancas domésticos haviam conquistado o segundo lugar no CHAN.

Espantado fiquei quando a caminho do aeroporto, em pleno centro da cidade me, deparo com um pastor a conduzir as suas cabras no meio do trânsito, o que veio a se repetir alguns quilómetros depois.

A cidade cresceu muito, mas não perdeu a característica de ser uma mistura de zona urbana e de subúrbios. Está tudo misturado, não há fronteira entre um e outro, como acontece noutras grandes cidades, por onde já passei nesta minha busca de informação pelo mundo.

Cenário idêntico encontrei na cidade de Yaoundé, onde me encontro a seguir as super campeãs de andebol que perseguem o décimo quarto título continental. Está tudo junto e misturado. Ao lado de um edifício imponente podes encontrar uma casa de chapas, ou uma daquelas que existem aos montes nos nossos musseques.

O trânsito de Yaoundé é daqueles capaz de tirar do sério o mais cazucuteiro dos nossos automobilistas, tal é a confusão estabelecida, que nem a intervenção policial consegue pôr cobro a balbúrdia. É um safa-se quem puder, onde impera a lei do "chico” esperto.

Outra nota, pela negativa, tem a ver com o comportamento dos yaoundenses, se assim os podemos chamar. Ninguém usa máscara facial nas ruas, apesar dos apelos das autoridades, e para piorar o cenário até as autoridades policiais se comportam da mesma maneira. Eu e o João Gomes, meu companheiro de labuta, somos logo identificados como estrangeiros por estarmos mascarados. Andamos numa rua extensa, mais de quatro quilómetros, e não vimos ninguém com a máscara colocada, apenas alguns andavam  com elas penduradas no pulso!

As ruas de Yaoundé na sua maioria são mercados, onde se pode comprar de tudo e os aglomerados são uma coisa normal, mesmo em tempo de pandemia. No fundo, chego à conclusão que a Covid-19 ou não mora aqui ou então o nível de contaminação é baixo e não atingiu números alarmantes.  

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