Cultura

Cidade do Lubango apresenta nova imagem com pinturas

Estanislau Costa | Lubango

Jornalista

Dezenas de jovens artistas plásticos estão a pintar muros e espaços públicos, sem adornos cativantes, das avenidas da cidade do Lubango, com imagens que reflectem a riqueza sociocultural dos grupos etnolinguísticos Nhyaneka-Nkhumby, Mucubais e Kwanhamas.

17/11/2022  Última atualização 08H55
Riqueza sociocultural dos grupos etnolinguísticos Nhyaneka-Nkhumby Mucubais e Kwanhamas estão patentes nas pinturas © Fotografia por: Arimateia Baptista | edições novembro |Lubango

A acção impulsionada pela administração municipal do Lubango e jovens filiados na Cooperativa dos Artistas Plásticos da Huíla, está a conferir uma nova imagem em diversos pontos da urbe onde já são visíveis imagens de objectos musicais, caça, pesca, agricultura e alguns rituais locais.

O jovem artista plástico Jackson Pedro, integrante do movimento que está a colorir as avenidas das terras da Chela, enalteceu a iniciativa das autoridades por aproximar cada vez, os turistas e os citadinos à Serra da Leba, Tundavala, vestuário e danças tradicionais, entre outros valores herdados dos ancestrais.

Segundo Jackson Pedro, os artistas estão empenhados em demonstrarem as suas habilidades, trazendo imagens da riqueza cultural e turística das províncias da Huíla, Namibe e Cunene. "Os muros das avenidas e edifícios estão a ficar com estética apreciável e apropriados para fotografias”, disse.

Para o artista, pintar Lubango "representa uma satisfação por contribuir para a boa e nova imagem das terras da Chela, evitar que as pessoas de má fé usem as paredes dos muros e edifícios para a prática de acções incomuns à convivência social, numa clara demonstração de desrespeito ao património público”.

Já o jovem Francisco Cangue contou que, apesar de não ter passado numa escola de formação técnico-profissional de artes e ofícios, aproveita a actividade que visa tornar a cidade cada vez mais bela, para aperfeiçoar a arte da pintura, que acredita já se estender para os quadros.

"Agradeço os mestres Joaquim António e António Padú por me instruirem e acompanharem sempre na actividade das belas artes”, sublinhou, tendo apelado aos outros jovens com algum talento a colocarem em prática a arte de desenhar ou pintar, por intermédio da Casa de Venda de Artesanato do Lubango.

Francisco Cangue acrescentou que a paixão pela pintura em paredes de edifícios começou há quatro anos, sendo que o seu talento abriu caminho para atender várias solicitações de clientes entre empresas e singulares, não só da Huíla, como também de outros pontos do país, sobretudo nas épocas festivas.

De realçar que Francisco Cangue desenha instrumentos musicais tradicionais, penteados das mulheres mumuila e mucubais, utensílios domésticos e animais selvagens. "Estou agora a me preparar para pintar três quadros de três figuras públicas, nomeadamente dos ex-presidentes António Agostinho Neto e José Eduardo dos Santos e do actual Chefe de Estado, João Manuel Gonçalves Lourenço”, anunciou.

 

  Estação do CFM será transformada em museu

A materialização das obras que requalificam o casco urbano da cidade do Lubango, orçadas em mais de 200 milhões de dólares, conferiram nova imagem ao emblemático largo onde está implantada a antiga estação do Caminho de Ferro de Moçamedes (CFM), criando deste modo condições para o transformar em museu.

O Jornal de Angola soube que a pretensão é do Ministério dos Transportes que visa não só preservar os antigos equipamentos ferroviários, assim como servir de um espaço de investigação científica e tecnológica. No entanto, vão ser expostas as locomotivas, carruagens, vagões e máquinas.

Um técnico da administração municipal do Lubango valorizou as actuais pinturas da fachada, por conferir uma imagem mais atractiva ao espaço da antiga Estação dos Caminhos-de-Ferro de Moçâmedes, inaugurada a 28 de Setembro de 1905.

O historiador Pedro Mussunda contou que a primeira estação representa, igualmente, o marco histórico da província da Huíla, por ser no edifício que, a 31 de Maio de 1923, o então alto-comissário para Angola, general Norton de Matos, subscreveu a assinatura do decreto que elevou à categoria de cidade a vila de ex-Sá da Bandeira.

"Nesta data que o comboio apitou pela primeira vez a partir de Moçâmedes para as terras altas da Chela. Por isso, o ganho da criação do museu vai permitir que os turistas nacionais e estrangeiros e população em geral tenham uma ideia da história dos Caminhos-de-Ferro de Moçâmedes e da criação da cidade do Lubango”, disse.

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