Reportagem

Cidadãos alegam falta de tempo para o registo no último dia

Edna Dala

Jornalista

Preguiça, falta de tempo e o desejo inexplicável, em alguns casos, de deixar para o fim o compromisso de actualização de residência e do Registo Eleitoral Oficioso estiveram na base das enchentes verificadas, esta quinta-feira(7), último dia do processo.

08/04/2022  Última atualização 10H20
Apesar da prorrogação para mais sete dias, muitos cidadãos deixaram a actualização ou o registo para o último dia © Fotografia por: EDIÇÕES NOVEMBRO

O Jornal de Angola efectuou uma ronda por alguns Balcões Únicos de Atendimento ao Público (BUAP), onde constatou que, apesar da prorrogação para mais sete dias, muitos cidadãos ainda não tinham efectuado ou actualizado o seu registo eleitoral.

No BUAP do Camama deparamo-nos com uma enchente considerável e uma certa desorganização, provocada, maioritariamente, por jovens que foram se registar pela primeira vez.

Uns resmungavam por causa da morosidade no atendimento, enquanto outros mostravam-se impacientes por causa da fome, uma vez que já tinha passado a hora do pequeno-almoço. Para "espantar” quaisquer aborrecimentos, aliviar o stress e enganar a fome, alguns jovens preferiam entoar músicas, enquanto aguardavam pela vez do seu atendimento.

Ana Mariquita, de 21 anos, que vai exercer o direito de voto pela primeira vez, disse, depois de efectuar o registo, que a sensação era de "alívio e missão cumprida”, apesar de ter chegado ao balcão por volta das quatro horas da manhã e ser atendida apenas às 11.

"Somos nós, os jovens, que vamos mudar os destinos do país e temos responsabilidades para com o Estado. Se ficarmos em casa, em nada vai adiantar; vamos falar e nada fazer”, disse.

Dona de uma simpatia natural, Ana adiantou que o atendimento "foi moroso por terem priorizado, logo nas primeiras horas, as pessoas que tinham os nomes na lista do dia anterior. Só às nove horas começaram a chamar pela lista do dia, isso é, dos cidadãos inscritos a uma da manhã”.

Questionada sobre as razões de não ter feito o registo antes do dia 31 de Março, data inicial do término do processo, Ana Mariquita, que era a número 57 da lista, alegou "trabalho e vontade própria”. "Esperei o último dia por ser mais prazeroso. Mesmo com as enchentes, encontramos todo tipo de pessoas, uns mais engraçados e frustrados que outros, o que acaba por ser divertido”, confessou.

Milton Mateus, também ele bem disposto, esteve de plantão no BUAP Camama desde às 5 horas. Disse que antes mesmo da prorrogação do processo tentou várias vezes, mas sempre desistiu por causa das enchentes e por trabalhar de noite, o que lhe criava dificuldades.

Milton conta que pediu licença laboral para efectuar o registo, salientando que a sensação de estar muito tempo no BUAP não era boa. "É muita esfrega para se registar”, sublinhou.

Para Luisandra Dias, o aborrecimento por conta da espera e a confusão da parte das pessoas que se recusam a cumprir a fila são os cenários mais perturbadores.

Conta que as pessoas que chegaram mais tarde e não tinham os nomes na lista tentaram invadir e desestabilizar a organização, o que dificultou, ainda mais, o processo. "Não esperei o último dia. O que aconteceu comigo é o factor de eu ter trocado de residência recentemente, o que me obrigou a fazer a actualização”, justificou.

Na ronda pelo BUAP da Samba, já por volta das 12 horas de ontem, o cenário era bem mais tranquilo, sem enchentes, nem empurrões.

Muitos protelaram o registo ou a actualização por simples preguiça. É o caso de Osvaldo Sandoval. "Dizer que não tive tempo seria desonesto, não me registei até ao momento por preguiça. Mas quando percebi que o processo encerrava hoje (ontem) vi que não tinha alternativa e que o melhor mesmo era fazer o registo e ficar com a minha consciência tranquila”, rematou.

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