Sociedade

Chuvas intensas pelo país deixam rasto de destruição

Yola do Carmo

Mais de 250 famílias foram desalojadas e 148 casas ficaram inundadas em consequência das chuvas que se abateram ontem sobre Luanda.

05/01/2020  Última atualização 06H44
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Segundo o balanço provisório do Serviço de Protecção Civil e Bombeiros, seis pessoas foram resgatadas interior de uma residência, no distrito urbano do Benfica.
O porta-voz do Serviço de Protecção Civil e Bombeiros, Faustino Minguéns, disse anunciou também a destruição de uma casa.
De acordo com Faustino Minguéns, Viana, Cacuaco, Talatona e Belas foram os municípios mais críticos.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INAMET), choveu intensamente em quase todo o país, depois de na noite anterior, algumas províncias terem sido sacudida pelas enxurradas.
Estradas cortadas, casas destruídas, ruas intransitáveis e pontes desabadas é o triste cenário provocado pelas das chuvas.
De acordo com previsões do INAMET, nas províncias do Huambo, Cunene e Bié vai continuar a chover intensamente durante o dia de hoje, de ontem terem sido sacudidas por fortes enxurradas.
"As chuvas continuarão a cair com a mesma intensidade no Cunene, Huambo e Bié, mas para as outras províncias o nosso indicativo mostras que será com menor intensidade”, afirmou o supervisor Domingos Pedro.
"É normal chover com tanta intensidade nesta altura do ano", disse o técnico do INAMET.
Em Luanda, a chuva criou enormes constrangimentos na circulação automóvel. Um elevado número de citados permaneceu em casa. No Cazenga, Sambizanga, Rangel, Terra Nova e noutros bairros da periferia, moradores envolveram-se no trabalho de retirar, com baldes e bacias, a água dos quintais.
A maior parte das ruas do bairro do Kapolo2, no município do Kilamba Kiaxi e Santo Rosa, no Sambizanga, algumas zonas do município de Viana e Cacuaco, assim como a zona da FTU, e defronte a Direcção Nacional de Viação eram intransitáveis.

Desabamento de ponte

O trânsito entre Benguela a Huíla está interrompido desde a manhã de ontem, devido ao desabamento da ponte sobre o rio Cutembo, (município do Chongoroi), na Estrada Nacional número 105, que liga as duas províncias. Dezenas de veículos estão retidas nas duas margens do rio. Informações colhidas junto da Polícia Nacional indicam que o colapso da ponte foi causado pela subida anormal do caudal do rio, na sequência das fortes chuvas que se verificam na região.

Cuanza Norte

Um total de 191 pessoas foi obrigado a abandonar as casas devido as chuvas que ontem caíram na província do Cuanza-Norte e que deixaram inundadas 42 casas, 36 das quais no município do Cazengo, sede da província.
O porta-voz dos Serviços de Protecção Civil e Bombeiros, Joaquim Domingos, disse ao Jornal de Angola que as casas afectadas estão localizadas em zonas de risco, designadamente nos bairros da Camundai, Sambizanga, Posse e Banga.
Em Cambambe as águas inundaram seis habitações construídas em linhas de água nos bairros de Cahóio, Quibululo e Km34, onde foi também atingida a Estação de Captação e Tratamento de água.
Sempre que chove com intensidade, as águas provenientes das montanhas que circundam a cidade do Dondo ganham fortes correntezas arrasando bens que encontram na sua trajectória.

No Bié

As chuvas que caiu ontem no Cuito, província do Bié, não causou qualquer dano material, garantiu ontem, nesta cidade, o comandante dos Serviços de Protecção Civil e Bombeiros, sub-comissário João Ricardo.
“Estamos a fazer o levantamento, mas até ao momento não se registou nenhum dano, tanto no Cuito como noutros municípios. Amanhã (hoje) já teremos um relatório definitivo”, assegurou.
O comandante do Serviço de Protecção Civil e Bombeiros adiantou que as chuvas que caíram na noite de quinta para sexta-feira derrubaram, na comuna do Dande, município de Catabola, seis residências, quatro Igrejas e a cozinha do hospital comunal.
No interior do Bié, designadamente no Andulo e Nharêa, as chuvas continuam a cair incessantemente e a população, em particular os camponeses, esfregam as mãos de satisfação, porque auguram uma boa safra na presente campanha agrícola.

Lunda Norte

A ligação rodoviária entre a província da Lunda Norte e as de Malanje, Cuanza Norte e Luanda pode ser interrompida a qualquer momento, por causa da progressão de uma ravina que já ''engoliu'' parte da Estrada Nacional (EN) 225, no troço Cambawassa/sede do Lóvua.
A progressão da ravina, com mais de 10 metros de profundidade, deveu-se à erosão do solo e às fortes chuvas ocorridas nos últimos meses na província.
Na localidade de Salucunda, município do Cuilo, o problema é mais grave: mais de 20 camiões com bens alimentares e combustível encontram-se retidos desde o dia 31 de Dezembro, face a uma degradação de cerca de 26 quilómetros da mesma estrada.
A EN 225 é, actualmente, utilizada por automobilistas, principalmente, camionistas para o transporte de bens alimentares, combustível e passageiros de Luanda para o Leste do país e/ou vice-versa.
Já a Estrada Nacional 230, pelo nível de degradação, propriamente nas regiões do Cuango e Xá-Muteba, deixou de ser utilizada desde 2019.
Na quarta-feira, o governador Ernesto Muangala deslocou-se ao município de Lóvua, para se inteirar da situação e orientou o Gabinete dos Serviços Técnicos e Infra-Estruturas na Lunda Norte para começar os trabalhos de abertura de uma via alternativa, enquanto se aguarda pelo início das obras de estancamento da ravina e da recuperação do troço.
A abertura da via alternativa, segundo o governador, deverá contar com o apoio das empresas mineiras que operam na Lunda Norte.
As obras de reabilitação da Estrada Nacional 225, numa extensão de 504 quilómetros, tiveram início em 2012.

Estrada desviada no Uíge

Após inundações de casas no bairro Quimacungo, arredores da cidade do Uíge, em consequência das primeiras chuvas do ano, a estrada Uíge-Negage sofre um desvio durante 60 dias, devido as obras de intervenção na lagoa.
Num comunicado tornando público na Página do Facebook, o Governo Provincial do Uíge indica que as obras de intervenção na lagoa do Quimacungo arrancaram a sexta-feira, a cargo da empresa CRBC e devem durar 60 dias.
Enquanto durarem os trabalhos de abertura e desassoreamento da vala de drenagem do bairro Quimacungo, que se transformou numa gigante lagoa, lê-se no comunicado, os automóveis deveram seguir viagem pela rua após agência de viagem Avô Zua devendo sair no interior do bairro.
A equipa de reportagem deslocou-se ao local. Homens e máquinas trabalham a todo vapor para evacuar as águas que desde quinta-feira inundaram dezenas. Os técnicos garante que o trabalho em curso culminará com a colocação de uma passagem de água mais aberta, que vai devolver a normalidade no escoamento da água pluvial.
As chuvas caem sequencialmente, acompanhadas de fortes ventos. Além de inundar destruir casas, deixou ruas intransitáveis e valas de drenagem repletas de resíduos sólidos.

 

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