Sociedade

Chuva provoca duas mortes e deixa bairros da cidade de Luanda inundados

Edna Mussalo

Jornalista

A chuva intermitente, mas de grande intensidade, que caiu sobre a província de Luanda, desde a madrugada de sábado e em boa parte do dia de ontem, deixou várias ruas inundadas e muitas delas intransitáveis, constatou a reportagem do Jornal de Angola.

28/11/2022  Última atualização 08H03
Luanda acordou ontem sob fortes chuvas. Em consequência disso, munícipes de diferentes bairros enfrentam grandes dificuldades para circular © Fotografia por: Paulo Mulaza| Edições de Novembro

Nalguns bairros, o cenário foi desolador, em que os moradores tiveram de se ocupar a evacuar as águas que invadiram as habitações, enquanto automobilistas procuravam encontrar o melhor sítio para colocar as rodas das viaturas, dada à suspeita de buracos cobertos por água.

Alguns automobilistas, com receio da força das águas, preferiram estacionar as viaturas e esperar pelo abrandar da chuva, que, por mais de seis horas, teimava em cair.

Em Viana, muitas casas ficaram inundadas e, em consequência disso, muitos móveis acabaram danificados. Até ao final da tarde, era visível dezenas de famílias a lutar para aproveitar o que podiam em casa, após a chuva de ontem.

No Morro Bento, o cenário foi quase o mesmo em diferentes ruas do bairro. Devido às fortes chuvas, no sábado e domingo, tal como em outras zonas, o Morro Bento tinha dezenas de ruas alagadas, o que impossibilitava a livre circulação de pessoas e viaturas.

Pela manhã, muitos munícipes percorreram vários quilómetros a pé, por escassez de táxi, apesar do trânsito mostrar-se, razoavelmente, fluído.

No Cazenga, Belas e Cacuaco, muitos munícipes de muitos bairros, também, viveram momentos difíceis. As águas, por causa de amontoadas de lixo, não tinham o curso normal, o que provocava inundações em muitas ruas das referidas zonas.

Carla Francisco, moradora do Morro Bento, apontou a falta de sistema de esgoto na zona como um dos principais constrangimentos no período chuvoso.

"Todas vezes que chove, as ruas ficam alagadas, o que obriga os trabalhadores a sacrificarem uma série de programas, inclusive os empregos por vários dias”, lamentou.

 

Balanço provisório da chuva na capital

 Um total de duas pessoas morreu, em consequência da chuva que caiu na madrugada de sábado e ontem, em Luanda, entre os quais dois menores, um de sete e outro de 14 anos, informou, o porta-voz do Serviço de Protecção Civil e Bombeiros.

Faustino Minguês esclareceu que uma das mortes foi registada no município do Cazenga, onde o Serviço de Protecção Civil e Bombeiros foi chamado para remover o cadáver de um adolescente, de 14 anos, que se afogou numa das valas de drenagem.

A outra morte foi de uma menor, de sete anos, ocorrido no mesmo município, depois da queda de uma árvore, que causou, também, ferimentos à mãe da criança.

A menor atingida pela árvore, ainda, foi socorrida numa unidade hospitalar, mas não resistiu e acabou por morrer.

Além dessas mortes, a instituição registou cinco habitações destruídas, 238 casas inundadas, ao ponto de afectar 2.215 pessoas directamente. A chuva, acrescentou, devido a intensidade, provocou dois deslizamentos de terra, assim como a progressão de ravinas em várias localidades de Luanda, com maior incidência aos municípios de Cacuaco e Viana.

Faustino Minguês pediu às pessoas, em particular os menores, a evitarem brincar nas valas de drenagem, em especial na época de chuva, assim como encostar em muros ou postos de energia eléctrica.

"É preciso que as pessoas deixem de colocar lixos nas valas, de forma a permitir um melhor curso da água da chuva e evitar determinados riscos”, disse, além de alertar que o Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (INAMET) já tinha alertado para a imprevisibilidade da chuva durante os próximos dias.

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