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Chuva desaloja mais 15 famílias

Pelo menos 15 famílias estão ao relento no bairro Txizainga II, em Saurimo, província da Lunda-Sul, na sequência da chuva, acompanhada por fortes ventos, registada durante a noite de segunda-feira.

11/11/2020  Última atualização 15H30
Protecção Civil e Bombeiros continua a fazer o levantamento dos danos provocados pela chuva © Fotografia por: Kamuanga Júlia| Edições Novembro

O coordenador do bairro, Joaquim Yambo, disse, ontem, ao Jornal de Angola, que as chuvas que se abatem sobre a região estão a deixar muitas famílias ao relento e sem apoio. 

"A Administração Municipal já foi informada, há mais de 15 dias, mas ainda não se pronunciou”, disse Joaquim Yambo, que defende um levantamento geral no bairro, para a planificação de apoios, especialmente em chapas de zinco, uma vez que a transferência de moradores "abrange casas situadas junto ao eixo de progressão de uma ravina”.  As constantes reclamações de moradores por causa da acção da natureza provoca desconforto ao representante da comunidade, que aguarda, em silêncio, por uma "luz no fundo do túnel”.

Segundo o porta-voz do Serviço de Protecção Civil e Bombeiros, Victorino Wangunua, transtornos técnicos impediram a conclusão do levantamento da situação criada pela chuva. "Em princípio, nos bairros onde passámos nada se alterou. Vamos dar continuidade ao trabalho, para se definirem, com urgência, as principais necessidades da população desalojada”.Elise Caji, que ficou feri-da na coxa e no pé esquerdo, durante o desabamento da sua casa, pede material de construção e bens de primeira necessidade, pois, refere, "não tenho nada para dar aos seis membros do meu agregado familiar”.Conformado com a limitação de meios para reconstruir o que a natureza estragou, o ancião Cafeco Cavumbi João insiste em viver na parte da casa que escapou da destruição, no bairro onde vive há dez anos.

Retém na memória o "assobio” do vento em meio a um ribombar assustador de trovões, como aviso sobre o pior que veio a forçar o desfecho de um serão com choros. Com o tecto da casa arrancado pelo vento e o marido em tratamento num quimbanda, há cerca de um mês, a moradora Emília Paciência está arrasada. Por conta de transtornos de idas recorrente ao "posto de saúde tradicional”, para levar alimentos, optou por viver o quotidiano do esposo, em companhia dos seis filhos, todos menores. A suspensão de vendas na zunga debilitou o poder financeiro para sustentar a família e a destruição da casa representa "o golpe de misericórdia”.João Muiamba, avô da jovem Emília Paciência, diz que aguarda por autorização para remover as chapas de zinco suspensas na parede e evitar o furto dos poucos bens poupados pela chuva.

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