Cultura

Chuva “abençoa” Super Caldo do Festival Nacional de Cultura

Analtino Santos

Jornalista

A chuva que caiu domingo sobre a capital do país foi insuficiente para impedir a realização do Caldo dos Caldos no Palco do Semba, no Centro Recreativo e Cultural do Kilamba, com temas como “Xyami”, “Sunga Sunga”, “Nvunda Ku Musseque”, “Ta Stalar”, “Tenho Medo”, “Morainha”, “Nga Mussende” a destacam-se no alinhamento.

29/11/2022  Última atualização 12H57
Massoxi da Banda Movimento e Voto Gonçalves tiveram boas performance, domingo, no Centro Recreativo Kilamba © Fotografia por: Rafael Tati| Edições Novembro

O espectáculo, realizado no âmbito da edição Especial - Centenário do Festival Nacional da Cultura (FENACULT 2022), foi uma festa de exaltação ao semba e suas variantes e como cantou Teta Lando, no histórico e não superado FENACULT 1989, "como nunca vimos festa igual”, porque apesar de chover torrencialmente os convivas e entusiastas da música angolana esgotaram o antigo Maria das Crequenhas.

A cobertura do espaço permitiu que o Caldo dos Caldos no Palco do Semba não constasse na lista dos eventos adiados no último fim-de-semana. O espectáculo foi uma reprodução, em pequena escala, do concerto histórico no Estádio da Cidadela. A Orquestra Os Jovens do Prenda e a Banda Movimento fizeram o acompanhamento dos artistas. O Semba Muxima foi o grupo convidado para dar as boas-vindas aos convidados.

A par da música ao vivo em palco, foram vividos outros momentos como a entrega de carteiras profissionais aos artistas Voto Gonçalves, Dina Santos e Massoxi.

O presidente da comissão da Carteira Profissional do Artista, Maneco Vieira Dias, tem aproveitado as actividades do FENACULT e outras actividades culturais para pedir que os artistas formalizem a situação como profissionais.

Mário Santos e Cláudio Patrício, também, deram show na apresentação com abordagens históricas e biográficas que ajudaram a perceber os objectos do Caldo dos Caldos no Palco do Semba.

O director artístico da actividade, Santocas, fez um balanço positivo do convívio que tinha como principal motivação a preservação da componente semba.

A voz de "Bairro Indígena” e "Massacre do Kifangondo” afirmou que "foi interessante reunir artistas que fazem e defendem o semba, levando também cantores da nova vaga que não fazem este estilo, de forma que os mesmos comecem a ter mais familiaridade com os seus executantes”.

Concluiu que "a ideia é continuar a trazer músicos neste formato e penso que todos cumprimos e até superamos as expectativas”.

 

Um encontro geracional de músicos

Os rejuvenescidos Jovitos foram os primeiros a subirem em palco, no domingo, para apresentarem temas que marcam os cinquenta anos de existência deste conjunto.

A veterana Elisa Barros reapareceu em palco para reviver Joaquim Viola em "Tchiunge” e sembou à Mukenga em "Balabina”. Da nova geração, Neide da Luz "forçou” os kotas do conjunto a executarem "Njila dya Dikanga” de Paulo Flores e Yuri da Cunha, finalizando com "Suzana” de Belita Palma, muito revisitado pelas cantoras que se identificam com o semba.

Legalize apresentou "Pato Fino”, um original seu, tema que é sempre bem apreciado quando canta e finalizou com interpretações de temas de Óscar Neves. 

Massano Júnior voltou a partilhar o palco com os Jovens do Prenda. Primeiro com o lamento "Anami” e fechou em festa com "Sunga Sunga”. Outro artista que levou mensagens de alegria foi Carlos Lamartine em "Nvunda Ku Musseque” e "Caravana para Delvina”. Para encerrar a fase dos artistas individuais acompanhados pelos Jovens do Prenda, o carismático António Paulino fechou com os seus toques peculiares em "Jinginda” e "Pontapé”.

A Banda Movimento, também, explorou temas do seu reportório alternando com interpretações de Mister Kim, Massoxi, Beth Tavira, Gigi e Kintino. A aposta em medleys de músicas do passado e dos dois discos marcou exibição dos músicos, afectos à Rádio Nacional de Angola.

Os profissionais Dina Santos e Voto Gonçalves estiveram enérgicos e recordaram sucessos como "Anel”, "Manazinha”, "Esperança do Amanhã” e "Za Kumbá”.

Ausentes em várias actividades, nos últimos dias, brilharam em outros momentos: Vozes Femininas e no concerto que uniu Botto Trindade e Raul Tollingas.

Margareth do Rosário, artista que fez a transição para o semba nos seus dez minutos, fez uma viagem ao passado com "Choffer de Praça” e depois "Manazinha”, tema que a posicionou na dimensão do semba.

Jojó Gouveia foi o outsider (forasteiro), reconhecido nas lides da kizomba, pediu licença em "Tenho Medo” e de seguida surpreendeu com "Ramiro” de Jivago, com excertos de "Princesa Rita”, tendo conquistado os sembistas.

Moniz de Almeida reviveu os sucessos, que interpretou na companhia do seu irmão Beto de Almeida, presentes nos álbuns dos Irmãos Almeida, numa diversidade de estilo kizomba, semba e sungura, marcantes em  "É duro”, "Kussukula os Adobes” e "Morainha”.

As Gingas do Maculusso, também, fizeram estragos no lançamento à declaração de amor por Angola em "Xiyami” e depois as meninas da Professora Rosa Roque provocaram a roda em "Panguila”.

Com o semba no centro a escolha do quarteto: Robertinho, Lulas da Paixão, Calabeto e Dom Caetano para o fecho foi assertiva.

Os quatro compadres, tal como os artistas que o sucederam, exploraram o tempo de palco com apresentações reduzidas. Lulas da Paixão cantou "Kim” e "Xikola”, enquanto Robertinho tirou da cartola "Kaquinhento” e "Sanguito”. Por sua vez, o showman Calabeto explodiu com "Bomba” e depois com "Ka Mussende”, o convite para os passistas do semba. Dom Caetano fechou com "Dyala dya Hongo” e "Wejiya Kyusokana”.  

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