Política

Chefe de Estado encoraja auto-construção dirigida

Garrido Fragoso

O Presidente da República, João Lourenço, encorajou, ontem, na cidade de Ndalatando, Cuanza-Norte, os governos provinciais a primarem pela auto-construção dirigida, salientando que o problema habitacional no país não deve passar exclusivamente pela construção de centralidades pelo Executivo.

16/09/2021  Última atualização 06H25
Presidente João Lourenço entregou chaves de casa a cidadãos no projecto do Quilómetro 11 © Fotografia por: Kindala Manuel|Edições Novembro
"A ilusão de que as centralidades é que vão  resolver o problema habitacional, que fique para trás”, declarou o Chefe de Estado à imprensa, após visitar o projecto habitacional Quilómetro 11, nos arredores de Ndalatando, no qual orientou a construção de mais 500 casas sociais para acudir, sobretudo, os sinistrados das grandes enxurradas que se abateram o ano passado na região.

A grande solução para a maioria da população angolana  em termos de habitação é, sem sombra de dúvidas, a auto-construção dirigida, reafirmou o Presidente da República, apontando como exemplo o projecto do Quilómetro 11, em que a responsabilidade do Estado se limitou apenas em infra-estruturar os terrenos, garantir a chegada da água e energia eléctrica, bem como estabelecer incentivos  para que os cidadãos construam  a própria residência.

O Chefe de Estado defende a habitação para todos os cidadãos no país, consubstanciada, sobretudo, na "construção massiva” de casas  no modelo de auto-construção dirigida. Reconheceu, porém, que haverá casas no mercado vendidas, quer pelo Estado, quer por agentes privados que se dedicam ao negócio imobiliário.

João Lourenço desafiou outros governos provinciais a tomarem também a iniciativa de identificar espaços para a auto-construção dirigida, não permitindo que as populações construam sobre as linhas de passagem das águas, debaixo das linhas de alta tensão e nas encostas dos morros. Sublinhou que a forma de evitar desgraças é oferecer, à  população, a alternativa da construção dirigida  em terrenos minimamente infra-estruturados e que possuam o essencial, sobretudo energia eléctrica e água potável.

João Lourenço considerou "positiva a visita ao Cuanza-Norte". "A visita decorreu bem. Estamos satisfeitos. É evidente que há ainda muita coisa para se fazer, mas vamos continuar a trabalhar no sentido  de procurar satisfazer ao máximo possível as dificuldades que ainda afectam as populações”, afirmou.

Governação
de proximidade
O Chefe de Estado manifestou, a propósito, o desejo de "fazer o giro” por todo o país. Esclareceu, no entanto, que as deslocações às províncias não têm nada a ver com a realização de campanhas e pré-campanhas políticas.
"Estamos a um ano das eleições e é muito cedo para se falar nos termos de campanha e pré-campanha. O objectivo dessa visita é algo que tenho feito desde o início  do meu mandato, que é a chamada  governação de proximidade, em que no local debatemos com  as autoridades os principais problemas que afligem  as populações de cada uma das províncias”, indicou o Chefe de Estado, lembrando que muitas das soluções para os problemas dos cidadãos são encontradas no decorrer dessas visitas.

Barragem de Caculo Cabaça

João Lourenço anunciou que com recursos ordinários do tesouro, o Executivo fez, nos últimos dias, um pagamento que considerou ser suficiente para impedir a paralisação das obras da Barragem Hidroeléctrica de Caculo Cabaça.
 "É uma obra importante demais para que fique parada”, afirmou o Presidente da República, acrescentando que a barragem hidroeléctrica de Caculo Cabaça, por ser um projecto muito importante, as coisas vão seguir bem daqui para frente”.

Salientou que uma vez concluído, o empreendimento empregará muitos jovens e contribuirá no aumento da capacidade de produção de energia eléctrica, não apenas para a província do Cuanza-Norte, como para as restantes regiões do país.
Lembrou, a propósito, que as três hidroeléctricas construídas ao longo do Kwanza, nomeadamente, Capanda, Laúca e Caculo Cabaça vão alimentar boa parte do território nacional, com linhas de transmissão estendidas para o Centro, Sul e Leste do país.

Sobre que planos que o Executivo possui para desenvolver a província do Cuanza-Norte, o Presidente João Lourenço respondeu que a estratégia é desenvolver o país no geral, reconhecendo, no entanto, que o nível de crescimento social, económico e produtivo entre as províncias é, ainda, desigual.

Visita ao Quilómetro 11

No Quilómetro 11, localidade visitada pelo Presidente da República, estão a ser edificadas mais de 500 residências sociais para as populações do Cuanza-Norte, sobretudo as vítimas das grandes enxurradas que se abateram o ano passado na região.

João Lourenço recebeu, no local, explicações detalhadas sobre o plano de loteamento para a auto-construção  dirigida. Localizado a leste da cidade de Ndalatando,  sentido Malanje, o projecto Quilómetro 11 foi concebido numa área de 262,32 hectares.

O plano de loteamento elaborado pelo Governo local, também visa definir a malha urbana da cidade, dar solução para a falta de espaços para a construção ordenada e fomentar a habitação social e a auto-construção dirigida.
João Lourenço visitou algumas residências já concluídas no projecto e entregou as chaves de casa a dois cidadãos portadores de deficiência.

O projecto contempla zonas para a construção de campos de futebol, escolas, bancos, lojas e demais infra-estruturas sociais. Aos beneficiários serão entregues terrenos próximo ao projecto para desenvolverem actividades agrícolas.

 Apelo ao diálogo entre a UNITA, TPA e TV Zimbo

Sobre o incidente em que foram intimidados jornalistas da Televisão Pública de Angola e da Zimbo, durante a manifestação realizada no sábado passado pela UNITA, o Presidente da República apelou ao diálogo entre as partes para que tudo volte ao normal.

O Chefe de Estado sublinhou que a "guerra dos comunicados  não ajuda, pelo contrário acirra, cada vez mais, os ânimos e faz aumentar o nível de tensão". "Nós, enquanto responsáveis políticos deste país, devemos procurar evitar tais situações”, sublinhou.

"É uma questão das partes conversarem. Acredito que se isso acontecer, os ofendidos acabarão por perdoar e tudo voltar ao normal”, referiu o Chefe de Estado, lembrando que o país já passou por situações bem piores a esta  e os responsáveis por tais situações acabaram por pedir desculpas e os lesados aceitaram as mesmas desculpas”.
O Presidente da República disse acreditar que se as partes implicadas conversarem, nos próximos dias o clima  estará "bastante desanuviado”.


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