Política

Chefe de Estado apela por mais investimentos do sector privado

Garrido Fragoso

O Presidente da República, João Lourenço, defendeu, no âmbito da parceria estratégica, maiores investimentos privados norte-americanos com vista à diversificação da economia e a industrialização do país.

29/11/2022  Última atualização 08H38
Presidente da República aborda questões da vida interna do país e de política internacional, em particular as necessidades de África © Fotografia por: DR

Em entrevista concedida à Televisão Pública de Angola (TPA) e divulgada ontem, no quadro da realização da Cimeira Estados Unidos/África, a decorrer de 13 a 15 de De-zembro próximo, em Washington, João Lourenço salientou o facto de os investimentos dos Estados Unidos direccionados para Angola e o Continente privilegiarem mais o sector da Defesa e, sobretudo, da segurança energética consubstanciados à produção e exploração de petróleo e gás.

"A mensagem que levaremos à Cimeira de Washington para o Presidente Biden, é de que gostaríamos de ver maiores investimentos privados norte-americanos no país, para nos ajudar a industrializar e diversificar a economia”, afirmou o Chefe de Estado, reconhecendo que Angola e restantes Estados do continente africano ainda são pouco industrializados.

O Chefe de Estado considerou "excelentes”, as relações com os Estados Unidos da América, e garantiu que Angola já realiza com "bastante seriedade”, investimentos em infra-estruturas energéticas, para garantir a industrialização do país.

Sublinhou que com a contribuição do Governo norte-americano, o Executivo angolano está a trabalhar para cobrir o país com energia eléctrica proveniente de fontes limpas, com destaque para a fotovoltaica. Referiu, também, o empenho de construção de mais infra-estruturas na Educação e Saúde, como prioridade do segundo mandato.

Neste aspecto, fez saber que o Executivo vai realizar mais acções no domínio das estradas.   

 Resultados a médio prazo na Cimeira de Washington

O Chefe de Estado disse esperar que a Cimeira Estados Unidos/África, que em Dezembro próximo discutirá o futuro do continente africano, num frente a frente entre o Presidente Joe Biden e vários estadistas africanos traga resultados a médio e longo prazos e não seja apenas mais um evento.

No evento internacional, o Presidente João Lourenço promete persuadir o Governo norte-americano a apostar, cada vez mais, em África, tendo em vista o grande potencial do continente, nos mais variados sectores.

"O que vamos dizer ao Presidente Biden é que a América deve apostar mais no nosso continente, porque África tem um potencial económico muito grande”, referiu o Chefe de Estado, acrescentando que com a situação da guerra na Ucrânia, é mo-mento ideal para começar-se a olhar com outros olhos para o continente.

João Lourenço reafirmou que Angola é contra qualquer guerra no Planeta, não apenas por ser membro e conhecedora da Carta das Nações Unidas, mas, sobretudo, porque já foi vítima de um conflito armado que destruiu o país. "Conhecemos bem as consequências da guerra, tivemos o nosso país destruído, com bastantes perdas humanas, deslocados, refugiados. Por essa razão não desejamos isso a ninguém. As guerras só trazem desgraças. Sempre defendemos o fim imediato da guerra que actualmente ocorre na Europa entre a Rússia e Ucrânia”, referiu o Chefe de Estado, para quem as autoridades dos dois lados devem sentar-se à mesa de negociações para que o conflito seja resolvido tão cedo quanto possível, "antes que seja tarde demais”.

Ainda sobre a guerra na Ucrânia, o Chefe de Estado disse que o posicionamento de Angola já foi por diversas vezes manifestada publicamente em vários fóruns internacionais, e o mesmo será, uma vez mais, reiterado na Cimeira de Washington.

Para o evento internacional, que perspectivará um melhor futuro para o continente berço, o Chefe de Estado disse que Angola levará temas como o seu posicionamento em relação à guerra entre a Rússia e a Ucrânia, a crise alimentar mundial e as alterações climáticas.

João Lourenço defendeu maiores investimentos em diferentes fontes de energia eléctrica amigas do ambiente, além das tradicionais que consomem carbono.

Para combater a crise alimentar no globo, o Presidente da República defendeu maiores investimentos na agricultura no continente, e em particular no país. Lembrou, a propósito, que Angola conta com "abundantes” terras aráveis, bom clima, água, mas precisa de capital e conhecimento tecnológico para, como o Brasil, poder exportar produtos agrícolas para os maiores mercados de consumo do mundo.

Combate à corrupção teve a ver com a necessidade de fazer justiça

O Presidente da República, João Lourenço, destacou, durante a entrevista, que a necessidade de se fazer justiça e de se reparar a imagem de Angola junto da comunidade internacional, foi o que lhe motivou a avançar com o combate à corrupção e à impunidade.

Recordou, a propósito, que Angola era conhecida por duas questões negativas, nomeadamente a guerra que, felizmente, ficou para trás e, agora, está a trabalhar para eliminar a corrupção e a impunidade. "A guerra ficou resolvida. Agora, aos poucos, estamos a resolver o problema da corrupção e da impunidade”, frisou João Lourenço.

Na entrevista, de aproximadamente uma hora, o Presidente João Lourenço admitiu que a coragem de levar adiante o combate à corrupção tem as suas consequências. "Há quem chegou a interpretar que eu criei uma divisão no seio do partido, mas não foi isso que aconteceu”, disse, afirmando que as pessoas envolvidas na corrupção não representam uma "fatia grande” no partido.

João Lourenço prosseguiu, acrescentando, que houve quem visse nesse combate à corrupção a derrota previsível do MPLA, o que, também, não aconteceu, como podem constatar. "O MPLA venceu as eleições e vamos continuar a trabalhar”, frisou. "Não podemos dizer que já não existe corrupção, porque ainda existe, mas em menor dimensão. Porém, o desafio é grande”.

"Eu poderia ter optado por uma posição cómoda, e dar continuidade à situação que encontrei, mas se assim o fizesse, estaria a prestar muito mau serviço ao país, uma vez que, o dinheiro da corrupção serviria para o desenvolvimento, tendo em conta que os recursos são sempre escassos”, realçou. Referiu, nessa linha de pensamento, que, por mais riquezas que um país tem, sobretudo para atender as questões de ordem social, como a educação e a saúde, ou fazer investimentos em infra-estruturas, o dinheiro nunca é suficiente.

A título de exemplo, indicou que dos activos recuperados, financeiros e não só, foi possível arrancar com o Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM), com um valor de 2 mil milhões de dólares. Com este montante, o Estado tem feito importantes investimentos, que permitem dar uma outra vida aos municípios.

 

Melhor ambiente de negócios

O Presidente João Lourenço reafirmou que o Executivo, sob sua liderança, está a criar políticas no sentido de criar melhor ambiente de negócios para fortalecer o sector privado.

Disse, a esse respeito, crer que a solução para a alta taxa de desemprego que aflige o país reside no sector privado da economia local, "onde vamos encontrar, em definitivo, a solução para este problema”.

Referiu que o Estado continua a dar emprego na Função Pública, sobretudo nos sectores Social, da Educação e da Saúde. O Estado tem realizado concursos públicos, com  números elevados, mas, mesmo assim, o emprego não pode ser encontrado apenas nestes dois sectores. "Reduz de alguma forma o desemprego, mas não resolve”, disse João Lourenço.

A solução é haver cada vez mais empresas do sector privado, mais indústria e fábricas, referiu. "Precisamos de industrializar o país. Mas quem faz a indústria é o sector privado, e a outra forma de contribuirmos para o aumento da empregabilidade, é atrairmos o investimento directo estrangeiro”, afirmou, adiantando que com o investimento directo estrangeiro, "vamos diversificar a economia e, consequentemente, dar emprego aos cidadãos”.

 

Autarquias Locais

Em relação às eleições de 24 de Agosto, o Presidente João Lourenço fez saber, mais uma vez, que as mesmas não foram locais nem autárquicas, mas sim gerais. Isso significa, disse, que, ou ganhas as eleições gerais ou perdes, não contam os resultados em cada província ou município. "Isto só contribui para, no final das contas, determinar a sua vitória ou não”, pontualizou.

"Não perdemos, talvez conseguimos menos deputados do que tem sido hábito nestas províncias. Se temos receio de quando se instituírem as autarquias locais, venhamos a ter maus resultados, não. O partido vai ter que lutar para ter bons resultados em todos os municípios onde as autarquias locais tiverem lugar”, prometeu.

O Presidente da República lembrou que ainda não foi definido se as autarquias vão se realizar nos 164 municípios ou por fases. Explicou, a propósito, que, quando for definido, "o partido tem que lutar para ganhar com maior nú-mero possível”.

Referiu que pelo facto de ter perdido Luanda, não preocupa tanto o seu partido, por se tratar de eleições diferentes. "Quando se realizarem as eleições autárquicas, será obrigação do partido preocupar-se com todas eleições autárquicas, independentemente de ser na capital ou não”, concluiu o Presidente João Lourenço.

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