Economia

CFB recebe vagões de carga encomendados à Sinotrans

O Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB) recebeu ontem os primeiros 60 vagões de carga, dos 300 encomendados à construtora chinesa Sinotrans, para reforçar o transporte de mercadorias diversas, incluindo o minério da República Democrática do Congo (RDC) até ao Porto do Lobito, para exportação.

28/12/2019  Última atualização 16H49
Angop © Fotografia por: Responsáveis da Sinotrans e do CFB assinaram o Termo

Os 60 vagões, provenientes da China, custaram três milhões e 600 mil dólares e foram encomendados em Fevereiro deste ano, à Sinotrans, no quadro do plano de rentabilização da companhia, que espera aumentar de 94 mil toneladas para mais de 300 mil toneladas/ano o transporte de mercadorias, com destaque para o cobre e manganês das regiões de Katanga, no Congo.
A chegada dos restantes 240 vagões que, juntamente com os primeiros 60, totalizarão um investimento global de aproximadamente 23 milhões de dólares, está prevista para o primeiro semestre de 2020, segundo o presidente do conselho de administração do CFB, Luís Teixeira.
Criadas as condições para uma melhor definição dos volumes a transportar e para o cumprimento dos prazos de entrega das mercadorias, Luís Teixeira acredita agora que a revitalização do transporte de carga terá como consequência imediata o aumento de receitas para tornar a empresa mais rentável. “O cobre é uma mercadoria valiosa, devido à sua tarifa”, ressalta acrescentando que a entrada em circulação, a partir de ontem, dos primeiros 60 vagões ocorre 11 meses após a assinatura do memorando de entendimento com a filial angolana da Sinotrans, para a mobilização de recursos e equipamentos que tornem o CFB mais operacional em termos de tráfego de mercadorias, face às actuais exigências.
O gestor esclareceu que o CFB irá fazer o escoamento de grande parte da produção de cobre de um projecto siderúrgico na RDC – do Luau até ao porto do Lobito, através do Corredor do Lobito. Para o gestor, a recepção dos 300 vagões vem aliviar o ambiente de pressão que se tem vivido na empresa nos últimos tempos, nomeadamente no agendamento e distribuição de vagões para o transporte de carga diversa.

Sinotrans em Angola

O director-geral adjunto da Sinotrans Angola, Tchum Long Ning, olha para os primeiros 60 vagões, fornecidos ao Caminho-de-Ferro de Benguela, como um marco que abre uma nova etapa no desenvolvimento da firma chinesa em Angola, no quadro da cooperação entre a China e África. O relançamento do Caminho-de-Ferro de Benguela e o rápido crescimento da indústria de mineração do Congo, que tem atraído vários clientes, até da China, estão por detrás do investimento da Sinotrans, como explica Tchum Long Ning, confiante de que a circulação dos novos vagões trará benefícios recíprocos.
Ao contrário dos 157 vagões ainda em uso, no CFB, que transportam até 40 toneladas, os 60 adquiridos na China, por sinal, desenhados por angolanos e chineses, têm capacidade de 60 toneladas, cada, em 12 metros de comprimento e 2, 5 de largura. Os vagões têm o conjunto de rodas ferroviárias ajustadas à “bitola” dos carris do Caminho de Ferro de Benguela, para evitar constrangimentos na circulação.
A frota do CFB passa a contar com 217 vagões de carga disponíveis e 56 locomotivas, das quais 48 adquiridas à multinacional norte-americana General Electric (GE Transportation), e 66 carruagens de passageiros. Com uma linha férrea de 1344 quilómetros de extensão, do Lobito ao Luau, no Moxico, e 67 estações, o Caminho-de-Ferro de Benguela já transporta o minério até ao Porto do Lobito, nos termos de um acordo assinado em 2017 com a Sociedade Nacional dos Caminhos de Ferro do Congo (SNCC).

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